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Os Óscares são muitas vezes apresentados como um palco distante para o cinema africano mas quando olhamos com mais atenção, percebemos que vários atores nascidos em África chegaram à maior cerimónia do cinema mundial. Alguns ganharam, outros ficaram muito perto. A cronologia dessas presenças revela uma história curiosa: talento africano que quase sempre teve de atravessar oceanos para chegar a Hollywood.
Aqui fica uma viagem cronológica pelos atores nascidos em África que já ganharam e os que quase ganharam um Óscar.
Em 1963, surge um dos primeiros grandes nomes, o egípcio Omar Sharif, nomeado na categoria de Melhor Ator Secundário, com o filme Lawrence of Arabia.
Omar Sharif nasceu em Alexandria e tornou-se num dos primeiros atores nascidos em África a entrar verdadeiramente no sistema de Hollywood. Em Lawrence of Arabia, interpretou o xerife Ali e a atuação tornou-se icónica. A nomeação ao Óscar consolidou-o como estrela internacional e abriu portas a uma carreira global.
Durante décadas, porém, a presença de atores nascidos em África na premiação norte-americana manteve-se rara. A situação só começa a mudar no início dos anos 2000.
Em 2004, Charlize Theron fez história ao conquistar o Óscar de Melhor Atriz pela sua performance arrebatadora no filme Monster, tornando-se também a primeira sul-africana a vencer numa categoria principal de representação. Para dar vida à complexa assassina em série Aileen Wuornos, Theron submeteu-se a uma das transformações físicas mais aclamadas da história de Hollywood: ganhou cerca de 13 quilos, usou próteses faciais e dentárias, e alterou por completo a sua postura e voz. No entanto, mais do que a impressionante mudança estética, foi a vulnerabilidade crua e a profundidade emocional que trouxe a uma figura tão trágica e sombria que convenceu a Academia.
No mesmo ano, Djimon Hounsou foi também indicado aos prémios da academia. O ator nasceu em Cotonou, no Benim, e mudou-se ainda jovem para França antes de seguir carreira nos Estados Unidos. Em In America (2004), interpretou um artista que vive com sida num pequeno apartamento em Nova Iorque. A performance foi muito elogiada e marcou a primeira nomeação de um ator nascido no Benim. Poucos anos depois, mais precisamente em 2007, o mesmo ator voltaria a ser indicado na categoria de Melhor Ator Secundário, pelo filme Blood Diamond.
No filme protagonizado por Leonardo DiCaprio, Hounsou interpreta Solomon Vandy, um pescador da Serra Leoa que procura o filho raptado durante a guerra civil. A intensidade emocional da personagem valeu-lhe uma segunda nomeação ao Oscar.
A década seguinte trouxe um dos momentos mais marcantes para atores nascidos em África. Barkhad Abdi nasceu em Mogadíscio, e cresceu nos Estados Unidos depois de fugir da guerra civil na Somália. Em Captain Phillips, interpreta o líder dos piratas que sequestram um cargueiro americano. Foi o primeiro papel da sua carreira e, ainda assim, levou-o diretamente à nomeação para o Óscar.
Apesar de não integrar esta lista, uma vez que nasceu no México, Lupita Nyong’o foi a protagonista dos Óscares de 2024. A atriz nasceu na cidade do México enquanto os pais quenianos estavam no exílio político e cresceu no Quénia. A sua interpretação de Patsey, uma mulher escravizada numa plantação no sul dos Estados Unidos, em 12 Anos Escravo, tornou-se numa das performances mais marcantes da década.
Em relação aos nomes indicados mas que não chegaram a levar a estatueta, há a destacar Ruth Negga, nascida em Adis Abeba e que cresceu na Irlanda. Em Loving (2017), interpreta Mildred Loving, a mulher que lutou num histórico processo judicial contra as leis que proibiam casamentos inter-raciais nos Estados Unidos. A atuação recebeu aclamação da crítica e valeu-lhe a nomeação para Melhor Atriz.
Mais recentemente, outro ator nascido em África chegou muito perto da estatueta de Melhor Ator Secundário. Richard E. Grant nasceu no antigo reino da Suazilândia (hoje Eswatini) e construiu carreira no Reino Unido e nos Estados Unidos. No filme Can You Ever Forgive Me?, de 2019, protagonizado por Melissa McCarthy, interpreta um escritor excêntrico que se envolve num esquema de falsificação literária. A interpretação valeu-lhe a primeira nomeação ao Oscar.
Olhando para esta cronologia, há um padrão evidente. Quase todos estes atores construíram as suas carreiras fora do continente africano, muitas vezes na Europa ou nos Estados Unidos. Isso revela tanto o alcance global do talento africano como as limitações estruturais da indústria cinematográfica no continente.
Ainda assim, cada nomeação ou vitória tem um efeito simbólico importante, pois mostra que histórias ligadas a África - e artistas nascidos no continente - continuam a encontrar caminho até ao maior palco do cinema mundial.
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