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A maioria das pessoas estuda para ocupar lugares previsíveis. Depois, há uma pequena percentagem da população que estuda para, um dia, ter a coragem de sair deles. É o caso de Ângela Maria Feijó, empreendedora angolana, fundadora do Escape Room Angola. Para desanuviar da tensão do dia a dia, o espaço é onde grupos de amigos, famílias, casais ou equipas empresariais entram numa sala temática e têm cerca de 60 minutos para resolver enigmas, decifrar pistas e cumprir uma missão.
Ângela Maria Feijó fez o secundário em Lisboa, licenciou-se em Direito, passou pela Universidade Católica, especializou-se em contratos internacionais nos Estados Unidos, fez petróleo e gás em Aberdeen, na Escócia, e ainda aprofundou mediação e arbitragem na Alemanha. “Estudei para caraças…”, diz-nos.
Regressou a Angola no auge dos chamados “anos dourados” - entre os anos 2010 e 2015, determinada a contribuir para o país. “Cheguei com aquela ideia de “vou mudar isto tudo. Onde eu tocar, vai ser sempre para melhorar.” Trabalhou na área jurídica de uma petrolífera, fez um estágio de advocacia e rapidamente sentiu o peso da burocracia quotidiana.
“Quero que as pessoas saiam com orgulho. Estamos em África e temos exatamente a mesma experiência que alguém nos Estados Unidos ou na Europa”
Ângela Feijó

Ângela Feijó | ©BANTUMEN

Ângela Feijó | ©BANTUMEN
Entre Angola e Portugal, Ângela foi acumulando uma certeza: precisava de criar algo que não dependesse da validação de ninguém. O Escape Room Angola - Game Over nasce desse momento de viragem. Uma franquia internacional, sim, mas com equipa cem por cento angolana e uma ambição clara de oferecer a Luanda uma experiência que existe “no mundo inteiro”. “Quero que as pessoas saiam com orgulho. Estamos em África e temos exatamente a mesma experiência que alguém nos Estados Unidos ou na Europa.”
Começaram em agosto. Sete meses depois, ainda estão a aprender o comportamento do mercado. “Tivemos um janeiro muito mais lucrativo do que dezembro. Na nossa cabeça, dezembro seria o melhor mês mas estamos a perceber que todos os meses são diferentes.”
E engana-se quem pensa que o espaço é dedicado apenas a lazer. As salas - com temas que vão do universo de Harry Potter ao terror psicológico - tornaram-se também ferramentas de leitura comportamental. “Conseguimos perceber quem é o líder natural, quem comunica melhor sob stress, quem traz calma no meio do caos e quem quer desistir.” Em parceria com coaches, transformaram a experiência em plataforma de team building. “Em Angola, team building é ir ao Mussulo ou chamar um coach para falar. Nós juntámos o útil ao agradável.”
Ainda assim, apesar do vazio nacional nesta área do entretenimento, inovar num país como Angola exige resistência diária. “Somos os únicos no mercado, mas isso não significa facilidade. Temos quatro salas. Se um cliente já foi às quatro, temos de inovar para o trazer de volta.” E é justamente por isso que o atendimento tornou-se numa obsessão. “Não temos o lema de que o cliente tem sempre razão mas o cliente merece ser bem tratado. E isso, infelizmente, ainda não é regra em muitos sítios.”
Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.
Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.
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