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No topo dos artigos mais lidos na BANTUMEN, nos últimos sete dias, esteve o artigo de opinião do médico angolano Ernesto Boma, que propôs uma leitura da pobreza como crise de saúde mental, defendendo que a escassez prolongada limita a capacidade de decisão e compromete qualquer estratégia de desenvolvimento que ignore o bem-estar psicológico.
Em segundo lugar, o debate em torno da candidatura de Gilson Alves às presidenciais cabo-verdianas de 2026, que voltou a levantar questões sobre presidencialismo, concentração de poder e os limites da transformação estrutural numa democracia considerada estável.
Ainda entre os conteúdos mais procurados estiveram o anúncio da chegada da exposição "Ecos da Memória" ao Porto; o artigo sobre The Collective Glossary, desenvolvido por Cindy Sissokho no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, que questiona a neutralidade da linguagem institucional; e, por fim, o lançamento do Gulbenkian Exhibitions Fund, iniciativa destinada a promover artistas contemporâneos de Portugal e dos PALOP no Reino Unido.
Neste artigo de opinião, o Dr. Ernesto Boma convida-nos a olhar para a pobreza para lá dos números do PIB e das folhas de Excel. O psicólogo clínico, líder e ativista defende que a escassez prolongada corrói a capacidade de decisão, reduz a clareza mental e aprisiona comunidades inteiras num ciclo permanente de sobrevivência. Para Boma, não se trata de falta de esforço ou de “mentalidade fraca”, mas de ciência: viver na incerteza ativa um modo de sobrevivência que limita o planeamento a longo prazo. E enquanto a saúde mental continuar a ser tratada como um luxo, qualquer estratégia económica será incompleta. A provocação é clara: investir em saúde mental não é caridade, é estratégia de desenvolvimento. Porque uma mente exausta não constrói futuro.
O anúncio da candidatura de Gilson Alves às presidenciais cabo-verdianas de 2026 voltou a colocá-lo no centro do debate. Médico-cirurgião formado na Universidade do Porto, com passagem pelo Hospital de São João e experiência em investigação no Japão, Alves entrou na política como presidente do Partido do Trabalho e da Solidariedade. Em 2021, candidatou-se à Presidência da República e obteve 0,84% dos votos, mas foi o discurso, e não os números, que marcou a campanha. Defensor de um modelo presidencialista com maior concentração de poder, chegou a falar num “presidente autoritário”, posição que gerou controvérsia num país frequentemente apontado como uma das democracias mais estáveis de África. A nova candidatura surge também sob escrutínio jurídico, após uma condenação anterior com pena suspensa, cuja elegibilidade será apreciada pelo Tribunal Constitucional.
Depois de ter passado por Lisboa, em novembro de 2025, a exposição Ecos da Memória, com curadoria de Ivanova Araújo, inaugura no dia 5 de março, às 18h00, nas instalações da Natixis, no Porto. A mostra, de entrada livre mediante inscrição, assinala meio século das independências de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O título propõe uma leitura da história como eco vivo e transformador. As obras apresentadas traçam um mapa polifónico de experiências, vozes e pertenças, afirmando a memória como corpo em constante reinvenção. Através de três linguagens distintas, os artistas convidam a refletir sobre o que persiste, o que se transforma e o que se reinventa nas narrativas contemporâneas da africanidade.
No Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, The Collective Glossary propõe uma reflexão sobre a linguagem enquanto prática institucional num sistema que organiza, legitima e também exclui. Desenvolvido por Cindy Sissokho no contexto do projeto europeu Institution(ing)s: Co-Creating Inclusive and Sustainable European Art Institutions, o trabalho parte de processos coletivos para questionar a ideia de neutralidade nas instituições culturais e expor os mecanismos de poder inscritos nas palavras, nos discursos e nas estruturas. Através de encontros, conversas e workshops, o glossário constrói-se como uma plataforma digital em atualização contínua, aberta a contributos internacionais ao longo dos próximos dois anos.
A Delegação do Reino Unido da Fundação Calouste Gulbenkian lançou o Gulbenkian Exhibitions Fund, uma iniciativa destinada a reforçar a programação internacional do setor das artes britânico, com candidaturas abertas até 27 de abril. O fundo apoia a apresentação da obra de artistas contemporâneos oriundos ou baseados em Portugal ou nos PALOP, com o objetivo de ampliar a visibilidade desta produção artística no panorama cultural do Reino Unido. Podem candidatar-se instituições e organizações sem fins lucrativos sediadas no país, como museus, galerias, festivais e bienais, com apoios até 30.000 libras por projeto. O financiamento abrange exposições individuais ou coletivas, mostras, projetos itinerantes, retrospetivas e projetos site-specific, contemplando artes visuais, imagem em movimento ou cinema e, em contexto expositivo, performance.
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