Azores Burning Summer 2026 leva Lura, Paulo Flores e Tabanka Djaz a São Miguel

13 de Agosto de 2026
azores-burning-summer-2026-lura-paulo-flores-tabanka-djaz-sao-miguel
DR

Partilhar

Nos dias 28 e 29 de agosto, a Praia dos Moinhos, no Porto Formoso, concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, recebe a 12.ª edição do Eco Festival Azores Burning Summer. Criado em 2015 pelo produtor cultural Filipe Tavares, o festival assenta desde a origem em três eixos - sustentabilidade ambiental, proximidade com a comunidade do Porto Formoso e uma programação artística que privilegia a qualidade em detrimento da massificação -, aos quais a edição de 2026 acrescenta um tema: a lusofonia e as diásporas africanas, que dão forma ao cartaz de ambos os dias.


O primeiro dia junta Lura, Paulo Flores e Tabanka Djaz. Lura traz Cabo Verde e o diálogo entre a morna, o batuque e o funaná com o presente; Paulo Flores carrega a força do semba angolano e uma escrita ligada à memória e ao quotidiano do seu país; os Tabanka Djaz afirmam o gumbé, ritmo nascido na região de Bissau, como identidade musical da Guiné-Bissau.


O segundo dia segue por outro caminho, com Capitão Fausto, Zé Ibarra e Throes + The Shine. Os Capitão Fausto trazem uma das linguagens mais marcantes da música portuguesa da sua geração, entre o pop-rock e o psicadelismo; Zé Ibarra chega do Rio de Janeiro com uma MPB aberta ao jazz e à experimentação; os Throes + The Shine fundem Angola e Portugal numa mistura de kuduro, rock e eletrónica. Nenhum destes nomes partilha o género com os do dia anterior, mas todos escrevem e cantam em português, e é essa língua comum que costura o cartaz em ambos os dias.


Distinguido nos Iberian Festival Awards e detentor da certificação SGS de "Evento mais sustentável" - a primeira atribuída a um festival açoriano -, o Azores Burning Summer testou ao longo de mais de uma década o conjunto de medidas que mantém em 2026: estacionamento periférico e shuttle gratuito, parte dele feito com veículos elétricos também expostos na Expo de Veículos Elétricos, para reduzir a circulação automóvel junto ao recinto; copos reutilizáveis com sistema de caução e pontos de refil de bebidas; ecopontos para separação de resíduos, com a matéria orgânica encaminhada para biodigestão anaeróbia; energia e água de fontes renováveis; e um palco orientado para poupar as habitações próximas ao impacto sonoro. Falta ainda resolver o que a própria organização identifica como o limite destas medidas: a deslocação de artistas, equipas e equipamento até uma ilha tem um impacto que não é possível eliminar, e a contabilização integral da pegada carbónica do evento - para medir com mais rigor as emissões e compensar o que não se consegue evitar - é a etapa seguinte a desenvolver.


Cerca de 80% do investimento do festival é dirigido a empresas açorianas. Moradores, proprietários, hóspedes e trabalhadores do Porto Formoso são contactados antes e durante o evento para facilitar acessos e poupar o quotidiano de uma freguesia que a organização recusa tratar como cenário. Para Filipe Tavares, a descentralização cultural nos Açores é possível, mas só se evitar importar para os territórios insulares os modelos de eventos massificados dos grandes centros urbanos.


O evento cede à paisagem da Praia dos Moinhos, não o inverso - os acessos, os horários e o som ajustam-se ao lugar, e a organização compromete-se a devolver o espaço em condições depois de cada edição. A escala contida faz parte da identidade do projeto desde 2015, mas também é um argumento ambiental: crescer além do que a praia aguenta custaria conforto, segurança e equilíbrio ao território.


O cartaz musical divide o palco com uma programação paralela, cerca de metade dela de acesso gratuito. A novidade de 2026 é o Cinema da Autonomia, criado para assinalar os 50 anos da Autonomia dos Açores; o Cinema na Praia, dedicado à memória e à identidade das ilhas do Atlântico, surge novamente este ano, confirmando a sua presença regular. Em torno destes dois eixos de cinema organizam-se outras seis iniciativas: o Letras n'Areia, sobre livro e leitura; o VIVE, de saúde comunitária; o HABITAT, de literacia ambiental e oceânica para crianças; o Moinhos Revival, DJ sets que valorizam a memória afetiva da praia; o Eco Market, de ecodesign e reciclagem; e a Expo de Veículos Elétricos, sobre mobilidade sustentável. Para a organização, este conjunto é parte central da missão do festival, pensada para prolongar o seu impacto para além dos concertos.


A edição de 2026 integra ainda a programação complementar da PDL26 - Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura, reconhecimento que a organização lê como uma responsabilidade acrescida: mostrar que é possível apresentar programação cultural de dimensão nacional e internacional a partir de uma freguesia rural na costa norte de São Miguel, fora do principal centro urbano da ilha.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile