Bafatório, a app que promete acabar com o caos por trás de cada evento

24 de Julho de 2026
Bafatório app Ney Carvalho Daniela Reis
Ney Carvalho e Daniela Reis | ©BANTUMEN/Nuno Silva

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Reduzir em 40% o tempo gasto em tarefas administrativas é a promessa do Bafatório. A plataforma criada por Ney Carvalho e Daniela Reis para resolver um problema que qualquer pessoa que já tenha organizado um evento reconhece de imediato: o caos invisível que existe por trás de cada casamento, conferência ou festa bem-sucedida. O lançamento ofiial da app acontece nesta sexta-feira, 24 de julho, durante a Conferência Human Leaders, em Cabo Verde, um momento que os dois fundadores descrevem como o culminar de uma história que começou de forma quase acidental.


Tudo começou quando uma amiga em comum apresentou Ney a Daniela, numa altura em que esta precisava apenas de ajuda com o site da Decoraçon, a empresa de eventos que fundou e que, nos últimos quatro anos é responsável pela produção da PowerList BANTUMEN 100. Santomense e já com uma carreira construída na área tecnológica, Ney acompanhou de perto o trabalho de Daniela e percebeu que o problema ia muito além de uma presença online. "Percebi a quantidade de informação solta e de detalhes que um evento obriga a controlar ao mesmo tempo. Gosto de resolver problemas, e ali estava um problema real", recorda o fundador, explicando que foi exatamente dessa observação que nasceu a ideia do Bafatório.


Do lado de Daniela, cabo-verdiana e fundadora da Decoraçon, o convite de Ney chegou numa fase em que já vivia, no dia a dia, os desafios de gerir projetos e eventos. O seu trabalho sempre foi pensado para criar experiências marcantes, mas grande parte do tempo que devia ser dedicado à criatividade acabava consumido por tarefas administrativas e por informação espalhada entre diferentes ferramentas. "Um dia, o Ney, que já trabalhava na área tecnológica, perguntou-me: e se criássemos uma ferramenta pensada para ti? Nunca tinha pensado nisso. Sabia exatamente as dificuldades do meu dia a dia, mas nunca as tinha imaginado transformadas num software", conta Daniela. À medida que os dois foram conversando, perceberam que a dificuldade não era exclusivamente dela, mas sim uma realidade partilhada por muitos profissionais da área de eventos, o que reforçou a vontade de avançar com o projeto.

“As ferramentas que existem são caras, têm funcionalidades a mais e acabam por complicar”

Ney Carvalho

O resultado é uma ferramenta pensada, segundo os fundadores, por quem realmente vive os bastidores dos eventos. Enquanto plataformas genéricas obrigam os organizadores a recorrer a várias soluções em simultâneo, o Bafatório procura reunir tudo num único sistema. "As ferramentas que existem são caras, têm funcionalidades a mais e acabam por complicar. Hoje, um gestor de eventos mistura Excel, Notion, WhatsApp, notas e documentos para chegar ao mesmo resultado. O Bafatório junta tudo isso num único sistema, que reúne os eventos, os participantes, as confirmações, os documentos, os fornecedores e a visão final de como correu o evento, sempre desenhado para a realidade de quem organiza", explica Ney.


Mesmo o nome da plataforma nasce dessa vontade de manter uma ligação forte com a cultura e com a identidade de quem a criou. Bafatório é uma expressão que Ney ouvia frequentemente em casa, através da namorada, que é da Guiné-Bissau, e que remete para conversa, encontro e movimento, tudo aquilo que acontece à volta de um bom evento. Apesar de Ney ser santomense e Daniela cabo-verdiana, o nome fez sentido para os dois desde o início. "As nossas raízes estão em tudo o que fazemos, por isso o nome veio naturalmente da cultura. Nunca quisemos um nome vazio, só para soar tecnológico, quisemos um nome com identidade e memória", diz o fundador. Daniela partilha da mesma convicção e recorda que não hesitou quando o nome lhe foi apresentado. "Nunca quisemos parecer apenas mais uma plataforma tecnológica. Os eventos são feitos de pessoas e de emoções, e o nome tinha de refletir isso. Quando o Ney me apresentou o Bafatório, não hesitei, porque transmite movimento, conversa e vida", afirma.


Grande parte da simplicidade que caracteriza a plataforma deve-se à experiência de Daniela no terreno. Sabendo que os profissionais de decoração e planeamento de eventos nem sempre se sentem confortáveis com tecnologia, insistiu, desde o primeiro momento, para que a interface fosse pensada para quem não é especialista em informática. "Acredito muito na tecnologia. O que não acredito é que ela deva ocupar o lugar das pessoas. Deve libertar-nos do trabalho repetitivo, para termos mais tempo para o pensamento, a criatividade e as relações humanas. Foi essa visão que levei para o Bafatório. Desde o primeiro dia dizia ao Ney que a plataforma tinha de ser intuitiva e natural de utilizar", explica.


Do outro lado da construção da plataforma esteve Ney, que enfrentou sozinho, durante muito tempo, todos os desafios técnicos do projeto. Decidiu apostar, desde cedo, numa infraestrutura robusta, como a AWS, uma escolha que exigiu tempo e muita aprendizagem, sobretudo numa fase em que ainda não existiam as ferramentas de inteligência artificial que hoje ajudam a acelerar o desenvolvimento de software. Este ano, o projeto ganhou reforço com a entrada de Vagner, engenheiro com mestrado em cibersegurança, que Ney descreve como alguém que eleva "a qualidade, a robustez e a confiança daquilo que entregamos". Questionado sobre a funcionalidade de que mais se orgulha, Ney prefere destacar o conjunto da experiência em vez de uma única ferramenta. "Mais do que uma funcionalidade isolada, é o fluxo completo. O Bafatório acompanha o gestor do início ao fim: registo do evento, organização da informação, documentos, participantes e acompanhamento de todo o processo. O grande valor está em reunir num único fluxo aquilo que normalmente está espalhado por várias ferramentas", afirma.


Para Daniela, a chegada de dados e métricas ao seu dia a dia trouxe também uma reflexão sobre o equilíbrio entre a sensibilidade criativa que sempre guiou o seu trabalho e a lógica dos números que o Bafatório agora lhe permite analisar. Durante muito tempo, admite, pensou que estes dois universos pertenciam a mundos diferentes e quase incompatíveis. "Hoje percebo que não: os números não retiram sensibilidade ao meu trabalho, antes me dão clareza para criar melhor. Continuo a começar cada projeto pela emoção, pela intenção e pelas pessoas. A diferença é que agora decido com mais consciência, porque tenho informação que antes estava dispersa. A tecnologia e os dados não substituem a intuição, dão-lhe estrutura", resume.


A questão da inteligência artificial, aliás, é um dos temas que mais interessa aos dois fundadores quando olham para o futuro da profissão. Ney acredita que a tecnologia nunca vai substituir o profissional de eventos, mas sim tornar o seu trabalho mais produtivo e eficiente, ao assumir tarefas operacionais como organizar informação, comparar opções e apoiar a comunicação. "Quanto mais o profissional dominar estas ferramentas, mais valioso se torna. Quem as souber usar não vai ser substituído por elas, vai destacar-se", defende. Daniela partilha uma visão semelhante e acredita que organizar eventos se vai tornar uma profissão cada vez mais estratégica, à medida que as ferramentas assumem o trabalho repetitivo. "Interpretar pessoas e desenhar experiências com significado nunca será automatizado. O papel do Bafatório é precisamente esse: reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas para libertar a criatividade e a sensibilidade do organizador. A tecnologia deve devolver humanidade ao trabalho", afirma.


É também por isso que o lançamento oficial do Bafatório em Cabo Verde, durante a Conferência Human Leaders, tem um significado especial para ambos. Para Ney, tratou-se de uma escolha ligada ao contexto e à identidade que a marca quer transmitir. "Queríamos que o Bafatório ganhasse palco num espaço com energia, cultura e vontade de fazer acontecer, e a Human Leaders junta liderança, visão e transformação, que é exatamente aquilo que queremos construir", explica. Para Daniela, o país tem um peso ainda mais pessoal, uma vez que faz parte da sua própria identidade e história, a mesma ligação que deu origem ao nome da Decoraçon. "Mais do que lançar uma plataforma, queremos apresentar uma nova forma de pensar a organização de eventos. Fazê-lo num congresso dedicado à liderança humana reforça aquilo em que acredito: a tecnologia deve aproximar as pessoas, nunca afastá-las", diz.


A dinâmica entre os dois fundadores, aliás, ajuda a explicar grande parte do que o Bafatório se tornou. Ney descreve Daniela como alguém que constantemente desafia a sua lógica técnica, recusando limites que, para ele, pareciam evidentes. "Muitas vezes trago-lhe uma restrição técnica e ela responde com uma pergunta simples: mas e se fosse assim? Isso obriga-me a sair da lógica pura e a repensar soluções que eu já tinha dado como fechadas, e o resultado é quase sempre melhor", conta. Já Daniela vê em Ney uma capacidade rara de transformar ideias complexas em soluções simples, sempre a partir da escuta e não apenas da técnica. "Nunca senti que estivesse apenas a desenvolver software, ele sempre procurou compreender a forma como eu trabalho. Essa capacidade de ouvir antes de construir faz toda a diferença, e é dessa complementaridade que nasce o Bafatório", remata.

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