Bénito Lukeba, o angolano que em França trocou o futebol pelos negócios e hoje é líder da Orange Money

12 de Julho de 2026
Bénito Lukeba entrevista

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Nascido em Angola e criado em França desde os quatro anos, Bénito Lukeba fez carreira num dos maiores grupos empresariais franceses até chegar a um lugar único: todos os dias, aproxima a Europa de África. Hoje, é responsável regional para a Europa do Sul (Portugal, Espanha e Itália) na Orange Money, onde constrói pontes entre operadores europeus e africanos, com um olhar especial para os países lusófonos e as suas comunidades na diáspora.


A sua ligação ao comércio nasceu ainda em criança, no supermercado dos avós em Saint-Étienne, onde passava grande parte do tempo livre. "Entre a caixa registadora, as prateleiras e o contacto direto com os clientes", como descreve a sua própria biografia, foi ali que descobriu cedo o que significa servir e construir confiança com as pessoas. Uma ideia que continua a moldar a forma como entende os negócios até hoje.


Antes de seguir este caminho, o desporto quase levou a melhor: chegou a ser um dos jovens jogadores mais promissores do distrito Saint-Étienne, em França, com um percurso de ensino especializado em futebol. Contudo, a curiosidade por perceber como funcionam as empresas foi crescendo, até se tornar vocação.


Aos 21 anos, Lukeba mudou-se para Paris para os estudos superiores, sempre em regime de alternância entre sala de aula e empresa, uma escolha que fez por acreditar que a experiência prática é a melhor forma de aprender. Começou no grupo Orange no mercado B2B, junto de pequenas empresas, passou pela ALD Automotive como gestor comercial de grandes contas, e regressou depois à Orange Business, onde trabalhou em redes IP e, mais tarde, como account manager para os setores público, da educação e da saúde — acompanhando estas organizações em processos de transformação digital, cibersegurança e inteligência artificial. Concluiu um mestrado em Relação com o Cliente e Marketing em 2023.

“Tinha tudo em mim para conseguir”

 Bénito Lukeba

Questionado sobre o primeiro grande desafio profissional da carreira, o empresário recorda a transição de estagiário a colaborador efetivo, numa equipa de account managers que atravessava dificuldades: "Cheguei em julho a uma equipa sob muita pressão. O meu estatuto tinha mudado e eu precisava de me adaptar rapidamente e provar que tinha o meu lugar, porque estava em período experimental. Isto, logo a seguir a terminar o mestrado." Apesar da dúvida inicial, fechou o trimestre a superar o objetivo fixado. "Esta experiência fez-me perceber que tinha tudo em mim para conseguir. Só precisava de acreditar e passar à ação."


Sobre as competências que considera essenciais no seu percurso, o líder da Orange Money para a Europa do Sul aponta o rigor, a excelência, a resiliência e a capacidade de se questionar constantemente: "Cresci com o lema ‘seja como for, sê um dos melhores’. Ainda não o era, e sabia que aspetos precisava fortalecer, por isso trabalhei a minha resiliência, o meu rigor, e aceitei as críticas construtivas para crescer a partir delas."


Ao ser questionado sobre um momento em que sentiu que a carreira deu um salto, a resposta foi imediata: agora. "Desde que entrei no grupo Orange como estagiário, em 2018, sempre fui movido pela vontade de trabalhar em temas ligados ao continente africano e, um dia, trabalhar em África. Ver uma visão que alimento há oito anos concretizar-se é, para mim, um verdadeiro motivo de orgulho. Hoje ligo a Europa à economia africana."


Sobre as tendências dos pagamentos digitais e das remessas no continente africano, em particular no espaço PALOP, Bénito Lukeba cita dados recentes da indústria: segundo o relatório The State of the Industry Report on Mobile Money, da GSMA, referente a 2026, existem hoje 2,3 mil milhões de contas de mobile money registadas no mundo - mais 268 milhões do que no ano anterior - das quais 1,2 mil milhões são africanas. "Foram precisos 20 anos para ultrapassar os mil milhões de dólares em transações, e apenas quatro para duplicar esse valor", nota, acrescentando que a interoperabilidade entre sistemas está hoje no centro do debate sobre mobile money no continente, com a África Ocidental e a África Oriental a concentrarem o maior número de contas registadas.


Bénito Lukeba dedica-se também à partilha de conhecimento com as gerações mais jovens, ao intervir em estágios do ensino secundário e a acompanhar, entre 2024 e 2026, um estudante de Brevet Technique Supérieur (o equivalente a uma licenciatura no regime escolar francês) num programa de mentoria. Para o líder, o seu percurso reflete uma geração que transita naturalmente entre culturas e ecossistemas diferentes - e que vê na diáspora não apenas uma ponte entre dois continentes, mas um verdadeiro motor de inovação, investimento e desenvolvimento entre a Europa e África.

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