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No ano em que regressaram aos palcos, os Buraka Som Sistema estendem as celebrações das duas décadas de história ao guarda-roupa, com uma coleção cápsula de edição limitada feita com a Daily Paper. A linha reúne t-shirts e camisolas em preto e branco, de manga curta e comprida, e junta a iconografia visual do grupo à estética da marca sediada em Amesterdão, que há anos traduz a narrativa da diáspora africana através da moda urbana europeia.
A colaboração foi apresentada na semana passada em dois encontros com a comunidade e os fãs da banda, a 22 de outubro, na loja Parlamento, em Lisboa, e no dia seguinte, na Icon, no Porto. A BANTUMEN esteve presente a convite da organização.
O lançamento surge depois de uma digressão internacional que voltou a pôr o público a dançar ao som do kuduro progressivo e da eletrónica feita em Lisboa. O regresso aconteceu no NOS Alive e o grupo seguiu depois por festivais como o Coala Festival, em São Paulo, o Dour Festival, na Bélgica, o Paléo Festival, na Suíça, o O/Days, na Dinamarca, o Miniteca, em Inglaterra, e o Lowlands, nos Países Baixos. Pelo caminho, em abril, doze anos depois do último álbum de originais, Buraka (2014), lançaram o inédito “Puro Mambo”. Em Lisboa, a Casa Buraka ocupou a Casa Capitão durante um dia inteiro de curadoria e celebração, que juntou diferentes gerações à volta da história, das memórias e do universo sonoro da banda. O catálogo foi também reeditado em vinil, com From Buraka To The World (2006), Black Diamond (2008), Komba (2011) e Buraka.
©BANTUMEN/Nuno Silva
Vinte anos depois das primeiras batidas, o grupo resume assim o que considera mais importante no percurso. “Diria que o mais importante foi saber contar a história da nossa geração através da música que nos formou”, explicam à BANTUMEN. “Todos nós crescemos com o som dos cotas, com o que vinha de Paris, com os ritmos tradicionais, mas quando começámos a sair e a viver a noite da cidade, trouxemos a música eletrónica para a equação, do rap ao techno e ao house. Os Buraka conseguiram juntar todas essas influências à nossa cultura: povos que falam a mesma língua, que partilham a mesma história para o bem e para o mal, e colocá-los a dançar juntos”, acrescentam.
Quando o grupo surgiu, o kuduro e as sonoridades das periferias eram olhados com preconceito e ficavam fora dos grandes circuitos. Os Buraka reivindicam, por isso, um lugar de pioneiros, mas questionados sobre se sentiam o peso de levantar bandeiras como a de Angola ou a de Portugal, afastam-se de rótulos geográficos rígidos. “Tratou-se de trazer um copo novo para cima da mesa e mostrar ao mundo que a nossa diferença trazia o tempero especial que fazia falta. Antes de fenómenos globais como o ‘Danza Kuduro’, a referência de dinâmica e produção era o que estávamos a criar”, afirmam. “Não sei se somos embaixadores de um país específico. Somos, sim, embaixadores dessa cultura misturada que junta um pouco de Luanda, um pouco de Lisboa e um pouco de cada canto por onde passámos. É esse tempero coletivo que nos define”, continuam.
É essa celebração que chega agora à roupa. Os grafismos e símbolos estampados nas peças funcionam quase como passaportes e carimbos de digressão, e a escolha da parceira não foi por acaso. “A Daily Paper faz na moda exatamente aquilo que nós fazemos na música: traduz a cultura da diáspora. Nós fizemos isso no contexto de uma Lisboa habitada por Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé, Angola e Brasil. Eles fazem-no a partir de Amesterdão, trazendo as vivências das comunidades magrebinas, do Suriname e de tantas outras origens”, explicam. “O que nos move sempre foi acreditar que a nossa cidade tem tudo o que é preciso para dialogar de igual para igual com o resto do mundo. A colaboração com a Daily Paper é esse carimbo que comprova que a verdadeira força para comunicar globalmente nasce da autenticidade da cultura local”, sublinham.
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