Chanel abre desfile com “Petit Pays”, de Cesária Évora

12 de Março de 2026
Cesária Évora Petit Pays Chanel Coleção
©GRZEGORZ HAWALEJ | Lusa

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A Chanel apresentou a coleção Fall/Winter 2026 no Grand Palais, em Paris, no último dia da Semana de Moda de Paris, que decorreu entre 2 e 10 de março. O desfile abriu com "Petit Pays" de Cesária Évora e encerrou com um remix de "Just Dance" de Lady Gaga, percorrendo ao longo dos 78 looks um arco sonoro que foi acompanhado com entusiasmo pelo público presente.

A escolha de "Petit Pays" insere-se num movimento mais amplo que a maison tem desenvolvido desde a chegada de Blazy, com uma abertura a referências culturais mais diversas. Em dezembro de 2025, a coleção Métiers d'Art foi apresentada no metro de Nova Iorque, e A$AP Rocky foi anunciado como um dos novos rostos da marca, numa lógica que tem vindo a reposicionar a Chanel para além dos seus códigos históricos. O acontecimento, contudo, não é inédito no panorama das grandes marcas internacionais: em novembro de 2025, a Bugatti utilizou "Mona Ki Ngi Xica", de Bonga, como banda sonora da peça publicitária associada à Maison Bugatti - um tema editado em 1972 no álbum Angola 72 e uma das referências mais reconhecidas da discografia angolana.

Foi o segundo desfile ready-to-wear de Matthieu Blazy enquanto diretor criativo da maison. A coleção revisitou códigos clássicos da Chanel - tweed, fatos de saia, alfaiataria - introduzindo fechos de correr, malhas caneladas e tecidos com fios de lurex. As silhuetas tornaram-se progressivamente mais fluidas e as cores mais vivas ao longo do desfile. O cenário era composto por gruas em cores primárias suspensas sobre uma passarela polida.

"Petit Pays" foi editada em 1992 no álbum Miss Perfumado, escrita por Nando da Cruz e produzida por José da Silva. Cantada em crioulo cabo-verdiano, a letra evoca Cabo Verde e é considerada um hino à identidade, à saudade e ao amor incondicional pela terra natal, num registo musical que combina sonoridades locais com influências transatlânticas. O álbum vendeu mais de 300.000 cópias em todo o mundo e foi o disco que projetou Cesária Évora internacionalmente.

Nascida em 1941 em São Vicente, Cabo Verde, Cesária Évora construiu uma carreira assente exclusivamente no repertório da morna e da coladeira, cantando sempre em crioulo. Ficou conhecida internacionalmente como a Rainha da Morna e como “Diva dos Pés Descalços”, pela forma como se apresentava em palco. Em 2004 recebeu um Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Contemporânea em Língua Portuguesa. Morreu em 2011, aos 70 anos.

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