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O CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, regressa a Seia entre os dias 9 e 17 de outubro, para a sua 32.ª edição. São 87 filmes de 34 países distribuídos por várias competições e sessões especiais, entre ficção, documentário e animação, com histórias que abordam algumas das principais questões ambientais da atualidade.
Entre a programação deste ano, Cabo Verde chega ao festival com quatro curtas-metragens de animação, As Cabrinhas, Pé de Mot, O Ninho e As Lulas Viajantes, realizadas por alunos de escolas básicas de Porto Novo, em Santo Antão. Angola está representada por Baía dos Tigres, de Carlos Conceição, e do Brasil chega Jardim Ancestral, curta que cruza natureza, ancestralidade e memória negra através dos baobás do Recife.
A BANTUMEN selecionou seis produções de Cabo Verde, Angola e Brasil para acompanhar no CineEco 2026.
Com menos de dois minutos, As Cabrinhas parte de um elemento muito presente na paisagem cabo-verdiana para falar de território e natureza.
A animação foi criada por alunos da Escola Básica Chã de Mato, em Porto Novo, Santo Antão, e integra o projeto Txiluf, desenvolvido pela Associação Olho Largo, que utiliza o audiovisual e a animação como ferramentas de educação ambiental junto de crianças.
Também realizada por alunos da Escola Básica Chã de Mato, Pé de Mot olha para as consequências provocadas quando o equilíbrio de uma floresta é interrompido.
A curta é assinada por Anderson Alves, Denzel Lopes, Djeiney Pires, Elodie Assenção, Edson Jesus e Laís Santos e, apesar da curta duração, coloca em discussão uma das questões centrais do festival, a relação entre a intervenção humana e a preservação dos ecossistemas.
Da Escola Básica Ribeira Fria, também em Santo Antão, chega O Ninho, animação em stop motion realizada por Adircia Gomes, Lisiane Dias, Mabel da Graça e Miriam Fonseca.
O filme nasceu igualmente no âmbito do projeto Txiluf, que coloca as crianças não apenas como público de conteúdos sobre ambiente, mas como autoras das próprias narrativas sobre o território onde vivem.
Em As Lulas Viajantes, o olhar muda da terra para o oceano.
Produzida na Escola Básica São Francisco de Assis, a curta acompanha animais marinhos perante ameaças ao seu habitat e transforma a defesa do oceano no centro da narrativa. A animação é assinada por Edgar Alves, Edson Rocha, Lais Cruz, Leila Assunção e Keila Assunção.
A seleção conjunta de As Cabrinhas, Pé de Mot, O Ninho e As Lulas Viajantes coloca quatro trabalhos realizados por crianças de Porto Novo na programação competitiva do CineEco e mostra também como o cinema pode funcionar como ferramenta de educação ambiental desde cedo.
Angola surge na programação através de Baía dos Tigres, de Carlos Conceição, integrado na competição de Longas-Metragens em Língua Portuguesa.
O documentário parte de ideias como memória, regresso, culpa e transformação para construir uma reflexão sobre a relação entre o ser humano, o território e aquilo que permanece depois da partida. Mais do que abordar o ambiente de forma convencional, o filme utiliza a paisagem como espaço de memória e confronto com o passado.
Com produção de Angola e Portugal, Baía dos Tigres será exibido no CineEco a 14 de outubro, às 14h30.
Em Jardim Ancestral, do realizador brasileiro Mateus Guedes, os baobás do Recife tornam-se ponto de partida para uma história sobre natureza, ancestralidade e memória negra.
A curta acompanha um pai e um filho à procura de um baobá e estabelece uma ligação entre gerações, África e a população negra brasileira. A árvore surge não apenas como elemento da paisagem, mas também como símbolo de resistência, continuidade e transmissão de memória.
Com cerca de 15 minutos, o filme mostra como uma discussão ambiental pode também ser uma discussão sobre identidade, história e pertença. Jardim Ancestral será exibido a 15 de outubro, às 10h30.
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