“Vi uma plateia transformar-se num círculo.”: Nasceu em Lisboa um espaço para falar de liderança e saúde mental

18 de Setembro de 2026
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©creeart.films

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Trinta pessoas inscreveram-se para a primeira edição do Fórum Círculo do Poder Feminino. Quando a tarde de 5 de setembro chegou ao fim, na Casa do Impacto, no Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, a sala já reunia bem mais gente: segundo a organização, somando os doze oradores convidados e alguns convidados trazidos por estes, a tarde chegou a juntar cerca de cinquenta pessoas. O tema do encontro, "Lidera a tua vida. Transforma o teu futuro", podia soar a mais um slogan de desenvolvimento pessoal. Não foi isso que ali aconteceu.


O fórum nasceu da vontade de Sollange Almada Binhã de criar um espaço aberto e seguro onde pessoas de percursos diferentes pudessem falar sobre as suas origens, os desafios que enfrentaram e os caminhos que escolheram construir. Mais do que um encontro sobre carreira ou empreendedorismo, a proposta quis olhar para a pessoa de forma integral, trazendo para a conversa uma dimensão que, segundo a organização, é muitas vezes esquecida nestes espaços: a saúde mental e o seu impacto nas escolhas, nas relações, na carreira e na qualidade de vida de cada um.


A coorganização coube a Ana Fernandes, que também moderou as três rondas de conversa em que se dividiu a tarde: desenvolvimento pessoal, saúde mental e desenvolvimento profissional. Entre uma ronda e outra houve dinâmicas de apresentação, perguntas do público e um sorteio de ofertas cedidas por pessoas ligadas à comunidade, um gesto que prolongou a lógica do encontro: partilhar não só ideias e experiências, mas também recursos e oportunidades.


Nas três rondas participaram Ana Sofia Martins, Carel Baptista, Carlos Kangoma, Eliana Medeiros, Henda Vieira Lopes, Jéssica Bernardo, Lúcia Cílio, Marco Binhã, Miriam Santos, Sandra Mateus e Solange Furtado, além da própria Sollange Almada Binhã. As perguntas que atravessaram a tarde procuraram ligar experiência pessoal a ação concreta: como se lidera a própria vida quando há obstáculos, medo ou insegurança? Que lugar ocupam a vulnerabilidade e o pedido de ajuda? Como se constrói um percurso profissional com propósito e autonomia, que abra caminho também a quem vem a seguir? Em vez de respostas fechadas, cada ronda trouxe perspetivas diferentes, convidando quem assistia a reconhecer pontos de contacto com a própria história.


"Vi pessoas chegarem com histórias, perguntas e vontade de contribuir. Vi uma plateia transformar-se num círculo", resume Ana Fernandes. A frase descreve o que a coorganizadora queria construir: "Criar um encontro não é apenas preencher um programa, mas praticar comunidade: abrir um espaço de pertença, cuidado e reciprocidade, onde cada pessoa possa chegar inteira, oferecer o que traz e ser transformada pelo que construímos em comum", acrescentou. Para Sollange Almada Binhã, esta primeira edição ultrapassou as expectativas que tinha quando começou a idealizar o projeto: "Criámos um espaço de diálogo, inspiração e conexão, onde experiências se cruzaram e diferentes vozes contribuíram para uma reflexão comum: liderar a própria vida exige coragem para reconhecer quem somos, compreender de onde viemos e ter a determinação necessária para transformar o futuro que queremos construir", afirmou.


O que se sentiu na sala não ficou apenas na memória de quem esteve presente: foi também registado no questionário distribuído após o encontro, onde a satisfação global surge elevada, as expectativas amplamente correspondidas e a vontade de participar numa próxima edição unânime entre quem respondeu. As histórias e experiências partilhadas destacam-se como o elemento mais valorizado, seguidas da diversidade de vozes e percursos e da possibilidade de criar novas ligações. A maioria diz ter saído dali inspirada para agir, com novas relações e reflexões por decantar.


"No Círculo do Poder Feminino senti que crescemos mais quando deixamos de tentar vencer sozinhas e escolhemos estar rodeadas de pessoas que nos desafiam a ser melhores. Uma sociedade mais consciente constrói-se em comunidade, encontro após encontro, mulheres e homens juntos", escreveu Rita Évora dos Santos no mesmo questionário. Outras participantes descreveram sensações semelhantes com palavras mais breves: impactante e acolhedor, para Lúcia Cílio; inspiradora e rica em partilhas, para Katiza Tavares; excelente, resumiu Severina Cravid. Para Ana Tavares, o encontro funcionou sobretudo como um momento de conexão e reflexão, que a fez perceber que muitas vezes há ideias e vontade de crescer, mas também medos e inseguranças que travam esse caminho; foi, disse, um momento para parar, ouvir, partilhar e ganhar coragem para dar os passos seguintes.


O sentimento de pertença repete-se nos relatos: Ângela Semedo fala de uma "gigante e orgulhosa sensação de pertença" e de um propósito de impacto social reforçado pelo encontro; Kátia Rocha diz ter sentido "a imensidão" alcançá-la rodeada de mulheres poderosas; Alice Rodrigues agradece a oportunidade de, mais uma vez, fazer diferente ao lado de Sollange Almada Binhã; Paloma Barreiros destaca o valor de ouvir trajetórias de vida ao vivo, olhos nos olhos, incluindo conversas sobre família e saúde mental.


A continuidade do Círculo do Poder Feminino passa, para as duas coorganizadoras, por preservar o espírito de abertura desta primeira edição: um espaço onde mulheres e homens continuem a participar, partilhar experiências e refletir sobre os desafios pessoais e profissionais que atravessam as suas vidas. O objetivo é levar o fórum para além de Portugal, com novas edições que possam chegar a outros países da CPLP e criar uma rede de histórias e experiências partilhadas entre comunidades. Sollange Almada Binhã resume o que ficou desta primeira edição em Lisboa: "Senti, naquele dia, que o Círculo do Poder Feminino deixou de ser apenas uma ideia minha e passou a pertencer também a todas as pessoas que estiveram presentes e fizeram parte desta primeira edição. Foi o início de algo maior."

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