Djodje levou 25 anos de história ao Coliseu numa noite de homenagem, família e afirmação

26 de Abril de 2026
Djodje coliseu
©BANTUMEN

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No passado dia 25 de abril, o artista Djodje subiu ao palco do Coliseu para celebrar 25 anos de carreira, num espetáculo que esgotou em apenas três semanas e que se afirmou como um dos momentos mais marcantes do seu percurso artístico.


A celebração foi pensada em dois momentos distintos: um concerto intimista, intitulado Nha Essência, e o espetáculo principal. O primeiro, reservado a um grupo restrito de fãs que adquiriu um pacote especial, apresentou-se em formato acústico e revelou um lado mais próximo e pessoal do artista. Num ambiente cuidadosamente preparado - com gastronomia tradicional cabo-verdiana, como cachupa e sumo de calabaceira, e uma decoração de tons quentes, carpetes, almofadas e plantas onde Djodje procurou recriar a ideia de “casa” e reforçar o sentimento de família que queria trazer ao longo do espetáculo.


Em conversa com a BANTUMEN, o artista destacou precisamente essa intenção sentimental: que o público saísse com um sentido de pertença e proximidade. Esse espírito refletiu-se também na presença da sua família e equipa em palco, incluindo o seu filho mais novo, frequentemente ao colo durante a atuação.

Foto ©BANTUMEN



Ao longo do concerto intimista, Djodje revisitou temas fora da setlist do espetáculo principal e partilhou episódios da sua trajetória, desde os primeiros passos a cantar com os primos, na varanda, até à importância da faixa “Volta”, incluída na coletânea Verão 2001, como ponto de viragem para uma carreira profissional na música, servindo como momento onde o artista entendeu que poderia vir a viver da música. Djodje também partilhou que os seus primeiros espetáculos foram em festas de aniversário onde começou a revelar os seus dotes de compositor ao criar faixas de aniversário específicas para o aniversariante de cada festa onde se apresentou. O artista agradeceu aos fãs mais próximos, sublinhando que os vê mesmo quando nem sempre o demonstra, e reconheceu o apoio recebido nos momentos mais difíceis, lembrando que muitos desses desafios acabaram por abrir caminho a novas conquistas.


Questionado sobre ambição e realização pelos fãs presentes, Djodje assumiu este concerto como um dos pontos mais altos da sua carreira, revelando sentir-se grato e pleno nesta fase.


Em seguida, o espetáculo principal arrancou com um momento de homenagem ao cantor Mário Marta, tio de Djodje, falecido uma semana antes. Com a banda vestida de branco, o concerto abriu ao som de “Mininu Di Oru”, num ambiente carregado de simbolismo e emoção, com o coro a rodeá-lo como imagem de união e de força afetiva. Djodje recuperou ainda um elemento visual do seu primeiro Coliseu - o casaco com asas, agora reinterpretado à luz da sua estética atual - transformando-o num símbolo de evolução artística e pessoal.


Kady | ©BANTUMEN



Ao longo da noite, Djodje voltou a confirmar a solidez da sua presença em palco, sempre acompanhado por bailarinos e por uma banda que manteve o público ligado do início ao fim. Entre momentos de celebração e apontamentos de humor, saudou o Coliseu e fez questão de assinalar que, naquela sala, estavam apenas os fãs que conseguiram garantir bilhete a tempo, já que o concerto esgotou em tempo recorde, em apenas três semanas.


O alinhamento contou com a participação de vários convidados, refletindo diferentes fases e influências do seu percurso. Don Kikas subiu ao palco para interpretar “Angolanamento Sensual”, momento que também serviu como um agradecimento por parte de Djodje, reforçando que o artista acreditou em si desde o início da sua carreira. Seguiram-se atuações com Nelson Freitas, com quem apresentou a faixa que irá ser lançada em breve “Beliva”, e Chelsea Dinorath, numa performance conjunta que incluiu “Control” e um avanço do próximo single “Teu”.


Chelsea Dinorath assumiu ainda o palco a solo, com “À Toa”, num dos momentos de maior energia da noite - gesto que Djodje enquadrou como uma forma de retribuir o apoio que recebeu no início da sua carreira, dando visibilidade a novos talentos.


A lista de convidados incluiu ainda nomes como Loony Johnson, Ricky Boy, Cuca Roseta, June Freedom e Neyna, esta última destacada pelo próprio artista, consagrando-a como a “princesa” de Cabo Verde.


Num momento de afirmação identitária, o artista evocou o orgulho cabo-verdiano, assinalando a presença da seleção nacional cabo-verdiana no Mundial de 2026 e conduzindo o público numa interpretação coletiva do hino. A celebração da cultura prosseguiu com a presença de Gil Semedo, tendo sido reconhecido por Djodje como uma das figuras que levou a música dos PALOP a novos públicos. Djodje também utilizou o momento para congratular o veterano com um casaco com a bandeira de Cabo-Verde, como um gesto de agradecimento por tudo o que fez pelo país e também por ter aberto portas para artistas como Djodje conseguirem esgotar uma sala emblemática como o Coliseu dos Recreios. Ainda tom de celebração da cultura cabo-verdiana, o cantor seguiu com a incorporação de elementos tradicionais, como o instrumento musical ferrinho, em temas como “Um Segundo”, que conta com a colaboração do grupo Ferro Gaita.


O concerto abriu também espaço a momentos mais íntimos, como a dedicação de “Txuquinha”, single que o projetou para o estrelato, à esposa, Kady, com quem interpretou ainda “Padoce D’ Céu Azul”, de Tito Paris, tema associado ao pedido de casamento do casal. A carga emocional adensou-se com a interpretação, por Kady, de “Ponto de Luz”, de Sara Tavares, num momento de homenagem simultânea a Mário Marta e à cantora luso-cabo-verdiana falecida em novembro de 2023.



Momento de homenagem ao cantor Mário Marta | ©BANTUMEN


Entre os momentos de maior envolvimento do público destacaram-se também temas como “Tentason”, misturando a música com sonoridades de Kompa, num tom de homenagem às primeiras discotecas africanas em Portugal, como a Discoteca Ondeando; seguiram-se outras faixas como “Bela” e “La Ki Nos É Bom”, celebrando a resiliência e alegria do povo cabo-verdiano.


O espetáculo encerrou com um vídeo simbólico que cruzava a versão criança do artista com o presente, representando a concretização de um sonho antigo. Num último momento de homenagem a Mário Marta, Djodje reuniu equipa e familiares em palco ao som de “Pertencer” – canção produzida por Mário Marta para o festival da canção de 2026 - num desfecho marcado pela emoção e associação da faixa do falecido artista, ao utilizar o seu refrão “é da vontade de Deus cumprir o meu viver” – demonstrando que o sonho do pequeno Mininu D’Oru foi realizado, simbolizando que cumpriu o seu “viver”.


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