Robôs, escolas e financiamento: como seis países lusófonos chegaram ao mundial de robótica

8 de Outubro de 2026
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Angola no First Global Challenge | DR

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Um kit de peças, um robô para construir e o mesmo problema para resolver. Em Incheon, na Coreia do Sul, estudantes de 185 países participam, entre 7 e 10 de outubro, no FIRST Global Challenge 2026, competição internacional de robótica dirigida a jovens entre os 14 e os 18 anos.


Criado em 2017, o FIRST Global Challenge realiza-se anualmente num país diferente. Cada delegação constrói e programa um robô a partir de um conjunto padronizado de componentes e participa em provas relacionadas com um problema global definido para cada edição. Ao longo da competição, as equipas nacionais são agrupadas em alianças com participantes de outros países e acumulam pontos através das tarefas cumpridas no campo de jogo.


Em 2026, o tema “Igniting Innovation” é dedicado aos incêndios florestais. Os robôs têm de recolher e transportar elementos que representam focos de incêndio, encaminhá-los para zonas de supressão e cumprir outras missões previstas no regulamento. A programação inclui ainda a New Technology Experience, através da qual os participantes investigam problemas relacionados com incêndios nos respetivos países e desenvolvem propostas tecnológicas nas áreas da deteção, prevenção e resposta.


Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe estão entre os países de língua portuguesa representados em Incheon.


Em Angola, a seleção passou pelo CANAR, Campeonato Nacional de Robótica, que reuniu cerca de uma centena de estudantes. Entre os representantes estão Valdir Cacombe, Fernando Jacinto e Josemar, todos com 17 anos e alunos do Instituto de Telecomunicações de Luanda, o ITEL. Valdir e Fernando frequentam Engenharia Informática e Josemar estuda Eletrónica e Telecomunicações.


A presença cabo-verdiana tem continuidade desde 2017, ano da primeira edição do FIRST Global Challenge. Em 2026, dez estudantes de diferentes escolas secundárias de São Vicente participaram na preparação da equipa e cinco viajaram para a Coreia do Sul, três raparigas e dois rapazes, acompanhados por dois mentores universitários.


O robô foi desenvolvido nos laboratórios da Universidade Técnica do Atlântico/ISECMAR, em São Vicente. A equipa trabalhou o chassis, a locomoção omnidirecional, os braços de captação, o sistema de elevação, os sensores e a programação autónoma. A versão construída para Incheon é mais pequena do que as utilizadas em edições anteriores e recorre a uma câmara e a AprilTags para auxiliar o posicionamento durante determinadas tarefas.


A preparação para o FIRST Global continua concentrada em São Vicente, mas os responsáveis trabalham na criação de uma associação que permita levar atividades de programação e robótica a outras escolas secundárias do país.


A Guiné-Bissau apresenta uma equipa de seis estudantes: Diego Cruz, Iris, Guerrino, Makena, Nayan Pereira e Tiago Nancanha Seidi. Diego, Nayan e Tiago estudam na Associação Escola Portuguesa da Guiné-Bissau. Iris, de 14 anos, vive em Abidjan, na Costa do Marfim, onde frequenta a American International School of Abidjan, e já tinha experiência em robótica através da VEX IQ.


Makena, de 17 anos, viveu durante vários anos na África do Sul antes de regressar à Guiné-Bissau e colaborou com a equipa em 2025. Diego Cruz também participou na edição anterior. Nayan Pereira e Tiago Nancanha Seidi, ambos de 16 anos, estreiam-se este ano no FIRST Global.


A preparação da delegação incluiu uma campanha de angariação de fundos promovida pela Guinebotics. O orçamento divulgado rondava os dez mil euros, dos quais cerca de nove mil estavam destinados à inscrição e às despesas de participação. A equipa realizou também atividades relacionadas com o tema de 2026, incluindo contactos com estruturas de resposta a incêndios para conhecer procedimentos, equipamentos e dificuldades enfrentadas em situações de emergência.


Moçambique é representado por Kelven Melo e Elbeny Melo, ambos de 16 anos, e Waiz Popatiya e Andilli Shanilla Cordeiro, de 15. Os estudantes trabalham com a Stemmoze, organização dedicada à educação nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.


O robô moçambicano foi preparado para recolher e transportar os elementos que, durante a prova, simulam focos de incêndio. O desenvolvimento envolveu programação, eletrónica e mecânica e acompanhou o desafio proposto pela organização para esta edição.


São Tomé e Príncipe participa com cinco estudantes do ensino secundário da Escola Portuguesa de São Tomé e Príncipe - Centro de Ensino e da Língua Portuguesa, duas raparigas e três rapazes. A instituição já assegurou a representação do país em várias edições do FIRST Global e voltou a coordenar a preparação em 2026.


A equipa santomense trabalhou o tema dos incêndios a partir da proteção da biodiversidade e dos ecossistemas do arquipélago. Paralelamente à participação internacional, a escola tem desenvolvido atividades de programação e robótica e promovido formação destinada a alargar estas competências a outros estudantes.


Portugal leva a Incheon Simão Carmo, Lwaia Nsingi, Maria Bernardes, Pedro Piteira e Maria Gouveia, estudantes do Instituto dos Pupilos do Exército, em Lisboa.


Simão Carmo já participou numa edição anterior do FIRST Global e pretende seguir Engenharia Mecânica. Lwaia Nsingi tem interesse em Eletrónica e Ciências da Computação, com particular atenção à programação. Pedro Piteira aponta igualmente para as Ciências da Computação, enquanto Maria Gouveia tem experiência em atividades e competições de programação e robótica, entre as quais a RoboParty. Maria Bernardes participa pela primeira vez no evento.


As partidas decorrem até 10 de outubro no Songdo Convensia. Durante a competição, as equipas são distribuídas por alianças que variam de jogo para jogo, obrigando os participantes a coordenar estratégias com delegações de outros países. As classificações são atualizadas à medida que avançam as rondas, antes dos play-offs e da atribuição dos prémios da edição de 2026.

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