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A Força Suprema escolheu um dia especial para voltar. Na madrugada desta terça-feira, 3 de novembro, dia em que NGA faz 44 anos, o grupo lançou Mama Sume, um EP de três faixas que assina com Don G e que conta com Llay em “Está Tudo Bem Comigo”, Chito Kaharam em “O Recado” na faixa-título, todas com produção da Dope Muzik.
O novo trabalho fecha quase dois anos de lançamentos seguidos, que começaram em fevereiro de 2025, no Dia dos Namorados, data que marcou a série A Prenda, com Baseado em Factos Reais, um álbum de 13 faixas com nomes como Paulo Flores, Mundo Segundo, Ace, Mizzy Miles e Coréon Dú, a que se seguiu, em novembro, “Conto de Fadas”, com Rahiz. Em junho deste ano chegou A Prenda 4, um EP de seis faixas sobre o lado menos romântico do amor, que retomou sete anos depois a saga iniciada em 2016 com uma mixtape da Dope Muzik. Llay, que já tinha participado nesse EP, volta agora a juntar-se à dupla e Chito Kaharam, rapper guineense, estreia-se ao lado da Força Suprema.
Se os dois últimos projetos tinham um tom mais reflexivo, Mama Sume chega de peito feito e abre logo com uma resposta. “Está Tudo Bem Comigo” começa por um balanço doméstico, “A esposa está bem. Os putos estão em dia”, e transforma-se num recado para quem especula sobre a vida do grupo, resumido no refrão: “No silêncio está o sucesso. A fofoca não tem acesso.” Pelo meio, entre referências ao estatuto, ao património e a um nome que atravessa gerações, ficam versos como “Há dinheiro a mais na música para perder tempo com outros business” e “Cortei o cabelo, não a cabeça”.
“Da editora mais gangsta da Lusofonia, parece arrogância, mas é hegemonia.”
NGA, em “Mama Sume
Na faixa-título, NGA apresenta-se como “o Pepetela de Queluz, Belas”, a juntar o escritor angolano à Linha de Sintra onde o grupo cresceu, e fala de uma “formação militar onde a rua foi a escola”. Os versos oscilam entre a ambição e a responsabilidade, com preocupações de pai e de chefe de família, como “Fama não paga contas” ou “Vais deixar herança ou deixar prestações?”, e terminam a reivindicar o lugar do grupo no rap lusófono com “Da editora mais gangsta da lusofonia, parece arrogância, mas é hegemonia”. Don G fecha o tema a reclamar uma identidade feita de várias geografias, “filho de Angola, nascido na banda, neto do semba, da morna e do fado”, e assume-se como “aquele que leva o recado”.
É uma canção que veste o título do princípio ao fim, com disciplina, coragem, hierarquia, ordem, conduta, sigilo e dever a repetirem-se como um código militar e um refrão sobre quem espera “de alma e coração para cuidar das cicatrizes e feridas”, mesmo sabendo que “a missão é sofrida”. “Mama Sume” é, aliás, o grito de guerra dos Comandos, tropa especial nascida em Angola em 1962, e, segundo a tradição da unidade, a expressão terá origem num ritual de caça ao leão de uma comunidade bantu do sul de Angola, traduzindo-se como “aqui estamos, prontos para o sacrifício”.
A história da Força Suprema começou em 1998, na Linha de Sintra, entre jovens da diáspora angolana na periferia de Lisboa. NGA, nome artístico de Edson Wildbrand Pascoal Silva, nasceu em Luanda e veio para Portugal aos 10 anos com a mãe e a irmã, e Don G chegou ao grupo vindo da SNK (Street Niggaz Krew), um coletivo de MCs da mesma zona. Com Prodígio e Masta na formação histórica, tornaram-se uma das vozes mais influentes do hip-hop em português, com discos como E A União Fez A Força, de 2016, e FS4Life.
Mama Sume já está disponível nas plataformas digitais.
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