9 Galerias e espaços de arte para descobrires em Lisboa

7 de Outubro de 2026
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Perve Galeria | DR

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Pela ligação histórica aos países africanos de língua portuguesa e pelas comunidades africanas e afrodescendentes que vivem na cidade, Lisboa mantém uma relação próxima com a criação artística do continente e das suas diásporas, da pintura à fotografia, da escultura à instalação e às novas linguagens.


Essa diversidade permite encontrar na capital desde mestres da arte moderna africana, como o pintor moçambicano Malangatana Ngwenya (1936-2011), até criadores contemporâneos que pensam o território, a memória, a identidade e a colonialidade a partir de diferentes geografias. Só em 2026, o HANGAR recebeu o coletivo sul-africano MADEYOULOOK e a Perve Galeria voltou a pôr em diálogo dois nomes fundamentais da arte moçambicana, Reinata Sadimba e Ernesto Shikhani.


Toda esta criação está espalhada pela cidade, em galerias comerciais e municipais, num centro de investigação e em sítios que trabalham com arte antiga e objetos, e muitas vezes passa despercebida a quem não sabe onde procurar. Reunimos nove moradas onde é possível encontrar arte africana, seja numa programação inteira dedicada ao continente, seja em artistas e exposições que convivem com outras práticas contemporâneas. São muito diferentes entre si, mas todas, em algum momento da sua programação, representação ou percurso, abriram lugar a artistas, narrativas e práticas ligadas a África e à diáspora, e são para visitar e, sobretudo, para acompanhar.


1. HANGAR

Instalado na Rua Damasceno Monteiro, na Graça, o HANGAR é um centro de investigação e criação artística onde exposições, residências e projetos de investigação se cruzam com temas como migração, diáspora, colonialismo e identidade. A relação com a produção africana vai além do tema. Em 2026, o espaço apresentou Mafolofolo, do coletivo sul-africano MADEYOULOOK, formado por Molemo Moiloa e Nare Mokgotho. A instalação sonora resultou de sete anos de investigação no norte da África do Sul e explorou as relações entre território, memória, perda e retorno.


2. Perve Galeria e Casa da Liberdade Mário Cesariny

A relação da Perve Galeria com a arte africana tem mais de duas décadas e faz parte da identidade do projeto, que se tem dedicado a valorizar artistas sub-representados, com particular atenção ao Sul Global e ao espaço lusófono. Malangatana Ngwenya, Reinata Sadimba e Ernesto Shikhani estão entre os nomes que passaram pelo seu percurso. Em 2026, a Casa da Liberdade Mário Cesariny, na Rua das Escolas Gerais, em Alfama, voltou a juntar dois deles em 2MM, uma exposição dedicada a Sadimba e Shikhani que recuperou um diálogo iniciado pela galeria há 20 anos. A mostra pôs lado a lado duas linguagens distintas da arte moçambicana contemporânea, a cerâmica de Sadimba e a pintura simbólica de Shikhani.


3. This Is Not A White Cube

Fundada em Luanda em 2016 e atualmente instalada em Lisboa, a This Is Not A White Cube é provavelmente o caso mais evidente desta seleção. A galeria nasceu com uma ligação direta à cena artística africana e apresenta artistas africanos, portugueses e de outras geografias do Sul Global, numa programação que tem abordado a memória, a identidade, o território e a representação através da pintura, da fotografia, da escultura e da instalação. Em 2025, a coletiva Beyond Boundaries reuniu 26 artistas de diferentes geografias africanas e da diáspora. Em 2026, BLOOM, de Dagmar van Weeghel, centrou-se na presença histórica de mulheres africanas.


4. Afrika Infinity

Na Rua Sousa Lopes, em Alvalade, a Afrika Infinity junta criação artística, objetos e património cultural, com peças de diferentes geografias do continente, desde obras de artistas a objetos associados a tradições e culturas materiais africanas. Por isso, a visita é diferente de uma passagem por uma galeria dedicada só à arte contemporânea, com uma dimensão de descoberta de referências, técnicas e objetos que ajudam a perceber a diversidade cultural do continente. É também uma das moradas mais acessíveis para quem quer começar a explorar este universo em Lisboa.


5. Ninoiarte

Mesmo ao lado da Afrika Infinity, a Ninoiarte é uma galeria de pequena escala dedicada à promoção de artistas africanos e a diferentes linguagens da arte contemporânea. A programação mostra trabalhos que partem de experiências, referências e imaginários africanos sem os reduzir a uma única narrativa sobre o continente. A proximidade entre as duas cria uma pequena concentração de espaços ligados à arte africana em Alvalade, o que faz desta galeria uma boa escolha para quem prefere projetos mais pequenos e artistas que nem sempre têm presença regular nas grandes instituições culturais portuguesas.


6. Achronima

Para olhar a arte africana a partir de uma perspetiva diferente da das galerias de arte contemporânea, a Achronima, na Rua de São Lázaro, trabalha com arte antiga, escultura, objetos de arte tradicional africana, antiguidades e produção moderna e contemporânea. Os objetos ocupam o centro de uma seleção onde diferentes geografias e tradições materiais podem ser observadas lado a lado. Interessa sobretudo a quem quer perceber a relação entre arte, património, colecionismo e cultura material africana, num espaço que funciona fora do circuito habitual das galerias contemporâneas e recebe visitas por marcação.


7. Galeria Malangatana

Instalada no ISPA, na Rua Jardim do Tabaco, a Galeria Malangatana tem o nome do artista moçambicano Malangatana Ngwenya, uma das figuras fundamentais da arte moderna de Moçambique, e é essa homenagem que lhe dá um lugar particular no panorama artístico de Lisboa. A galeria não é uma sala dedicada só à arte africana. Integrada num contexto académico, tem acolhido exposições de diferentes artistas e linguagens, num espaço menos óbvio do circuito de galerias da cidade.


8. Galeria Avenida da Índia

Integrada na rede de Galerias Municipais de Lisboa, a Galeria Avenida da Índia, em Belém, tem uma programação especialmente atenta ao território, à memória, à deslocação e às relações pós-coloniais. Foi aqui que Mónica de Miranda, artista portuguesa de origem angolana cuja prática atravessa a fotografia, o vídeo, a instalação e a investigação, apresentou Mirages and Deep Time. A galeria permite acompanhar artistas que trabalham questões africanas e da diáspora dentro do circuito mais amplo da arte contemporânea, sem que essas obras sejam apresentadas como uma categoria à parte.


9. Carlos Carvalho Arte Contemporânea

Com a fotografia e a arte contemporânea no centro do trabalho, a Carlos Carvalho Arte Contemporânea, na Rua Joly Braga Santos, representa artistas cujas pesquisas atravessam temas como o território, a memória, a identidade e a história. A mesma Mónica de Miranda faz parte da galeria, com uma prática que parte também da sua relação com Angola e com as geografias pós-coloniais. A presença da artista aqui mostra outra forma de circulação destas narrativas, já não através de uma galeria especializada em arte africana, mas dentro do mercado português de arte contemporânea.

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