‘GAZADJU’, a nova coleção da POLON CV em colaboração com Gil Semedo

29 de Novembro de 2025
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A marca cabo-verdiana POLON CV acaba de lançar a coleção “GAZADJU”. A nova proposta representa um momento decisivo no percurso do coletivo criado por Sai Rodrigues, artista cabo-verdiano que tem construído uma linguagem visual ligada à memória, à identidade e às tradições do arquipélago. O projeto, que desde a fundação procura aproximar moda e cultura, encontra nesta peça uma expressão mais madura da sua ambição conceptual.

Sai explica que “GAZADJU” nasce da vontade de transformar a energia da revolução e “a luta dos combatentes da liberdade, a celebração dos 50 anos da independência de Cabo Verde e Guiné, da criatividade espontânea e do orgulho cabo-verdiano num objeto de moda que carregasse história e identidade”. A escolha do nome inspira-se no gesto de agasalhar, que, no entendimento do criador, ultrapassa o ato de proteger do frio para significar acolher, guardar ou preservar.


A coleção assinala um novo capítulo no crescimento da POLON, agora mais consciente da sua influência cultural e mais intencional na construção de narrativas. Sai descreve este momento como “uma fase mais madura, mais consciente do impacto cultural e mais intencional na forma como construímos narrativas através da roupa”, sublinhando que “GAZADJU é uma peça que sintetiza tudo o que temos aprendido ao longo do caminho, mas também projeta a marca para um novo capítulo”.

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“Vestir o emblema nacional de Cabo Verde é envolver-se na alma de um povo que nasceu da coragem e da esperança”

Sai Rodrigues

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O casaco que dá corpo à coleção surge como símbolo de bravura, resiliência e orgulho, valores estruturantes da história cabo-verdiana. “Vestir o emblema nacional de Cabo Verde é envolver-se na alma de um povo que nasceu da coragem e da esperança”, afirma o artista, acrescentando que a intenção foi criar uma peça que transmitisse esse sentimento de pertença: “É sentir o calor da identidade mesmo nos dias frios”. No design final, essa visão traduz-se em cortes firmes, volume controlado e detalhes que evocam as fardas dos combatentes da liberdade, combinados com uma paleta vintage que remete para terra, movimento e ancestralidade. Cada escolha estética foi orientada pela intenção de contar uma história: “Cada detalhe representa histórias de superação, mares cruzados e sonhos conquistados”.

O caráter distintivo de “GAZADJU” revela-se também nos materiais e nos processos utilizados. A produção da peça assentou na procura por tecidos duráveis e texturas que resistentes, desejando que a peça ganhe memória ao longo do tempo. Aos acabamentos manuais e às técnicas artesanais juntou uma silhueta marcada, cuja força é equilibrada por subtilezas que só se revelam à medida que o olhar se aproxima. Para o artista, esta combinação entre tradição e experimentação é essencial ao ADN da POLON, que há anos trabalha para renovar símbolos culturais sem lhes retirar profundidade.

O lançamento da coleção conta com a participação de Gil Semedo, que acrescenta uma camada emocional à narrativa do projeto. Segundo Sai, a parceria surgiu naturalmente: “Ele representa uma parte importante do imaginário cultural cabo-verdiano e da própria diáspora, tal como a POLON procura representar através da moda”. A presença do músico, ícone de várias gerações, expande o alcance simbólico da peça e transforma-a num diálogo entre música, moda e memória. “A presença dele faz com que ‘GAZADJU’ deixe de ser apenas um produto para tornar-se também homenagem e diálogo artístico”, afirma.

“Cada detalhe representa histórias de superação, mares cruzados e sonhos conquistados”

Sai Rodrigues

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A ligação entre o universo musical de Gil e a estética do POLON reforça a natureza identitária da coleção. A música do artista sempre abordou “identidade, sonho, movimento e pertença”, dimensões que também estruturam o trabalho do coletivo. Quando ambas as linguagens se cruzam, observa, “criamos um espaço onde diferentes linguagens se encontram, elevando a narrativa”.

Com o lançamento Sai Rodrigues espera que a peça adquira significado para diferentes comunidades. No arquipélago, deseja que funcione como inspiração para novos criadores e como demonstração de que a moda pode também ser uma plataforma cultural. Na diáspora, ambiciona que o casaco seja ponto de ligação emocional, capaz de devolver memória e sentido de pertença: “Espero que seja visto como um símbolo de afirmação, uma peça que faz as pessoas sentirem orgulho do que são e de onde vêm”.

A sua mensagem final resume o espírito da coleção e o lugar que ela ocupa na identidade cabo-verdiana: “Quero que cada pessoa sinta que está a vestir mais do que um casaco: está a vestir história, força e visão”. E ecoa o mote que tem guiado o POLON desde o início, numa frase que carrega a resiliência de um povo inteiro: “Arma ka ta mata alma.”

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