Cinco canções que fizeram de Grace Évora uma lenda da música cabo-verdiana

21 de Setembro de 2026
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Grace Evora | DR

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Grace Évora vai voltar ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 5 de junho de 2027, para um espetáculo pensado como uma viagem pelos vários momentos de uma carreira que já atravessa mais de três décadas. A notícia do regresso foi anunciada recentemente, mas para perceber a dimensão do concerto talvez seja preciso recuar às músicas que fizeram o nome do cantor atravessar Cabo Verde e diferentes geografias da diáspora.


Nascido Gracindo Évora, em São Vicente, em 1969, Grace cresceu nos Países Baixos e começou profissionalmente longe do lugar pelo qual hoje é mais reconhecido. Antes da voz, veio a bateria. No final da década de 1980, entrou para os Livity, grupo formado por músicos cabo-verdianos residentes na Holanda, e foi precisamente dentro da banda que surgiu uma das canções que mudariam o rumo da sua carreira.


"Bia"


"Bia" ocupa um lugar particular nesta história porque antecede a consolidação de Grace Évora como artista a solo. Foi gravada durante a passagem pelos Livity e deu ao público um primeiro contacto com Grace não apenas como baterista, mas também como cantor.


O sucesso do tema ajudou a abrir caminho para uma carreira vocal que, nos anos seguintes, cresceria paralelamente à participação noutros projetos ligados à música cabo-verdiana produzida na Europa. Décadas depois, "Bia" continua a aparecer quando se revisita o início desse percurso e já fazia parte do repertório escolhido para a celebração dos seus 30 anos de carreira, em Lisboa.


"Lolita"


"Lolita" tornou-se uma das referências mais imediatas quando se fala de Grace Évora e continua, mais de duas décadas depois, entre os temas mais ouvidos do cantor nas plataformas digitais.


Incluída em Romance, álbum editado em 1999, a faixa pertence a um período particularmente importante da carreira de Grace, quando a sua identidade a solo já estava consolidada e o cabo-zouk encontrava circulação entre públicos espalhados por Cabo Verde e pelas comunidades cabo-verdianas na Europa.


É também uma daquelas canções capazes de cumprir exatamente aquilo que um concerto de carreira procura recuperar: bastam os primeiros segundos para devolver muita gente a um determinado período, festa ou pista de dança.


"Nos Romance"


Do mesmo Romance saiu também "Nos Romance", faixa que dá corpo à vertente mais romântica do disco, a que empresta o nome ao próprio álbum.


A canção reforça a identidade construída por Grace Évora ao longo dos anos 1990: uma escrita que cruza o kriolu com uma sonoridade romântica baseada no zouk, e que encontrou eco tanto em Cabo Verde como entre as comunidades cabo-verdianas espalhadas pela Europa. Se "Lolita" é a canção que enche a pista, "Nos Romance" é a que fica depois de a festa acabar.


"Coração Blues"


Nem todo o repertório de Grace Évora se resume à celebração. "Coração Blues" mostra o lado mais melancólico da sua escrita, uma canção sobre desgosto e perda que ficou depois reunida na compilação Best Of, ao lado de outros dos seus temas mais marcantes.


A faixa aproxima o cabo-zouk de uma sonoridade mais introspetiva, prova de que a mesma voz capaz de encher uma pista de dança também sabe conduzir uma balada mais contida. É esse contraste, entre festa e melancolia, que ajuda a explicar a amplitude do repertório que o concerto de 2027 promete revisitar.


"El é Sabim"


"El é Sabim" é outro dos títulos que há muito acompanha o nome de Grace Évora. A canção foi apontada, ao lado de "Lolita" e "Bia", entre os sucessos escolhidos para o concerto com que o músico celebrou 30 anos de carreira no Coliseu dos Recreios, em 2018.


A presença do tema em compilações, concertos e novas interpretações ao longo dos anos ajuda também a perceber como algumas músicas de Grace deixaram de pertencer apenas ao momento em que foram lançadas.


É precisamente aí que se mede parte da longevidade de um repertório: quando uma música continua reconhecível mesmo para quem chegou ao artista muito depois da sua edição original.


Em 7 de julho de 2018, Grace Évora já tinha levado essa história ao Coliseu dos Recreios, onde celebrou 30 anos de carreira acompanhado por vários convidados. "Lolita", "Bia" e "El é Sabim" estavam entre os sucessos anunciados para uma noite que juntou diferentes gerações e nomes da música cabo-verdiana.


Nove anos depois, o músico regressa à mesma sala. O chamado Show de Carreira está marcado para 5 de junho de 2027 e é apresentado pela organização como um espetáculo pensado para revisitar os grandes momentos do seu percurso.


Ainda não foi divulgado o alinhamento nem se sabe que convidados poderão acompanhá-lo em palco. Mas, numa carreira em que músicas lançadas há décadas continuam a circular, talvez a pergunta mais interessante não seja o que Grace Évora terá para cantar naquela noite.


É saber quais destas canções conseguirá deixar de fora.

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