Guiné-Bissau celebra 53 anos de independência no B.Leza com as canções de José Carlos Schwarz

22 de Setembro de 2026
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José Carlos Schwarz | DR

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A música guineense volta a ocupar o B.Leza, em Lisboa, no dia 25 de setembro, numa noite integrada nas comemorações dos 53 anos da independência da Guiné-Bissau. No palco estarão Remna Schwarz, Karyna Gomes e Manecas Costa, reunidos pela terceira vez para revisitar a obra de José Carlos Schwarz e recordar também o percurso de Teresa Schwarz, duas figuras ligadas à história cultural e ao processo de libertação do país. A celebração acontece um dia depois de 24 de setembro, data em que, em 1973, a Guiné-Bissau proclamou unilateralmente a independência de Portugal, um reconhecimento que só chegaria por parte de Lisboa depois do 25 de Abril de 1974. Mais de cinco décadas depois, a Fundação José Carlos Schwarz escolhe recuperar parte dessa história através da música, da literatura e das gerações que cresceram sob a influência do casal.


José Carlos Schwarz nasceu em Bissau, em dezembro de 1949, e tornou-se uma das figuras centrais da música moderna guineense ao cruzar ritmos tradicionais com novas linguagens musicais e ao usar o crioulo como veículo para falar diretamente ao público. Fundou os Cobiana Djazz em 1970, transformando a música num espaço de afirmação cultural e intervenção num período marcado pela luta contra o domínio colonial. Envolveu-se na resistência ainda muito jovem. Entre 1972 e 1974 foi detido como preso político pela polícia política do regime colonial, um período em que o seu caso ganhou atenção internacional através da intervenção direta de Amílcar Cabral. Uma das suas canções, "Djiu di Galinha", nasceu precisamente dessa experiência de reclusão, na Ilha das Galinhas. Já depois da independência, Schwarz dirigiu o departamento de arte e cultura da comissão de juventude e desporto do novo país. Morreria cedo demais: a 27 de maio de 1977, aos 27 anos, num acidente de avião perto de Havana, quando regressava de uma missão diplomática em Cuba.


Segundo Remna Schwarz, filho de José Carlos e Teresa Schwarz e presidente da fundação que preserva o legado dos pais, a linguagem musical que o pai construiu conseguiu transportar para as canções o essencial das ideias que atravessavam a luta de libertação. Essa influência mantém-se nas gerações seguintes: Manecas Costa, guitarrista e cantor guineense com quase 40 anos de carreira, reconhece a marca de Schwarz na sua forma de tocar guitarra e tem defendido publicamente a criação de um festival internacional dedicado ao compositor na Guiné-Bissau. Já Karyna Gomes, guineense de ascendência cabo-verdiana radicada em Portugal desde 2011, cuja música incorpora a tina, instrumento tradicional do país, tem encontrado referências na obra e nas posições de José Carlos e Teresa sobre liberdade, independência e o papel das mulheres na sociedade guineense.


Teresa Schwarz ocupa também um lugar central na homenagem. Cabo-verdiana de origem, ligou a sua vida à Guiné-Bissau e participou no processo de libertação antes de desenvolver o próprio percurso literário. Remna recorda a mãe como parte da presença feminina na luta pela independência, descrevendo-a como "acompanhante" ao lado do pai naqueles anos, mas sublinhando ao mesmo tempo a "força motriz" que as mulheres representaram nesse processo, uma força que Teresa procuraria mais tarde transformar num trabalho próprio de preservação e promoção da cultura guineense.


No B.Leza, Remna, Karyna Gomes e Manecas Costa propõem novas leituras do repertório de José Carlos Schwarz sem perder a ligação às versões originais. É a terceira vez que os três músicos se juntam num projeto dedicado à sua obra, depois de um primeiro encontro em Faro e de uma nova apresentação no festival Língua Terra, em Setúbal. A escolha do B.Leza acrescenta outra camada à celebração: o espaço lisboeta mantém há décadas uma relação com músicos africanos e com as diferentes comunidades dos países africanos de língua portuguesa. Remna descreve-o como um lugar de encontro entre essas culturas, um espaço adequado para trazer novamente ao palco uma obra construída entre música, identidade e resistência. Para a fundação que preserva este legado, o objetivo passa por manter a "autenticidade do repertório" e mostrar que a Guiné-Bissau tem "uma grande obra e uma grande musicalidade" capaz de continuar a influenciar gerações mais novas de músicos com consciência sociopolítica.


A homenagem faz parte de um programa mais amplo preparado pela Fundação José Carlos Schwarz para assinalar os 53 anos da independência. Estão igualmente previstas leituras de poemas e excertos da obra de Teresa Schwarz, em parceria com a Casa da Cultura da Guiné-Bissau.


O concerto está marcado para 25 de setembro, no B.Leza, no Cais do Gás, em Lisboa. Os bilhetes estão à venda através da Ticketline e dos canais oficiais do B.Leza.

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