Meu Semba: Hugo Salvaterra e o sabor de Angola que fica

3 de Setembro de 2026
hugo-salvaterra-meu-semba-estreia-lisboa
Hugo Salvaterra | ©Assunção Peterson

Partilhar

No Cinema Ideal, em Lisboa, a noite de 28 de agosto teve sala esgotada para a apresentação de Meu Semba, o filme de Hugo Salvaterra. Mais do que uma estreia, a sessão foi um reencontro entre o realizador angolano e a cidade que o viu crescer, entre Angola e a diáspora, entre um povo e a sua própria beleza.


A história segue X e os seus irmãos, Lelé e Maria, criados no Lar da Divina Providência sob a orientação do Padre Jonas. Como grande parte da classe trabalhadora numa metrópole africana, vivem de salários miseráveis e condições indignas, e cada um encontra a sua forma de resistir: Maria agarra-se à fé e aos valores da família, Lelé combate fogo com fogo contra as injustiças de Luanda, e X, o poeta, tenta dar sentido ao seu mundo pintando a cidade com palavras. Quando a vida do padre é ameaçada, os três têm de enfrentar os seus medos mais profundos para o salvar. No elenco estão Yola Balanga, Clemente Chimuco e Eliane da Silva.


É a primeira longa-metragem de ficção de Hugo Salvaterra como realizador, e também a terceira longa-metragem de ficção a sair da Geração 80, o coletivo que o próprio menciona ao longo da conversa com a BANTUMEN.


Questionado sobre o que significa Meu Semba, Hugo Salvaterra recusa entregá-lo fechado numa única definição. Prefere deixá-lo em aberto, como quem oferece um convite.

hugo-salvaterra-meu-semba-estreia-lisboa

 ©Assunção Peterson

"O meu semba é poesia, é Angola e é poesia falada. É uma combinação de coisas. Nós queremos que os espectadores cheguem à sua própria definição do que é o meu semba. É uma combinação de coisas do cinema angolano", afirmou, em entrevista à BANTUMEN.


Antes de ser título, o semba foi método. Foi ele que guiou o realizador até à ideia do filme, tornando-se o género musical em que encontrou a mais fiel tradução daquilo que significa ser angolano.


"O semba foi o caminho pelo qual consegui extrair a ideia de fazer este filme. Isto como um género musical que melhor exprime a celebração do que significa ser angolano, sendo uma palavra que os angolanos conhecem por ser bela. Achei a palavra semba perfeita", disse.


A escolha de Lisboa para apresentar o filme não aconteceu por acaso. Para o também guionista, tratou-se de um regresso a uma cidade que bem conhece. "Apresentar este filme em Lisboa era fundamental, não só pela ligação histórica, mas para mim, que fiz faculdade aqui, numa outra vida. Passei aqui a minha infância", disse. "É fundamental estarmos aqui, enquanto geração 80, enquanto realizador, por causa deste sentimento de aconchego de ser casa", acrescentou.


Sobre o impacto que espera ter em cada espectador, Hugo Salvaterra frisou que o mais importante é sentirem o "cheiro de Angola" e saborearem cada cena e personagem.


"A forma ideal, para mim, cinema só é cinema quando no dia seguinte ainda temos o sabor das personagens, de uma cena. Se sentirem isso, a minha missão está cumprida. Um cheiro de Angola, de Luanda. Sintam a beleza do povo angolano, que para mim é o povo mais lindo", afirmou.


Sala esgotada, de "coração cheio"


A resposta do público em Lisboa emocionou o realizador, que soma mais de 15 anos de carreira. "De coração cheio. Tenho uma relação de trabalho, uma carreira de mais de 15 anos no audiovisual, com um compromisso absurdo. Estão aqui profissionais da indústria, professores, estudantes e família. Enche-me o coração estar em casa a apresentar o filme aqui em Lisboa", concluiu.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile