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Depois de concluir a sua formação em Gestão de Marketing e Comunicação Digital no exterior, Inocência Pinto Monteiro regressou à Guiné-Bissau com um propósito que partilha com muitos jovens do país: construir o seu próprio caminho profissional e, no caso dela, transformar a forma como se pensa o marketing.
Antes de assumir esse desafio, o seu percurso passou pela moda. Trabalhou como modelo e influenciadora digital, representou a Guiné-Bissau na Miss Zuri African Queen, na África do Sul, em 2023, e foi nomeada na categoria de Influenciadores Femininos pela Best Of Guiné-Bissau Awards 2025. Mais tarde recusaria um convite para o Miss Mundo, por perceber que o seu caminho passava agora pelo mundo dos negócios.
O regresso trouxe oportunidades, mas também desafios e, ao integrar empresas como a Orange e a 360V2 Sarl, observou de perto a forma como as marcas e organizações comunicam com o público guineense, e foi nesse percurso que começou a identificar as dificuldades que, na sua opinião, ainda persistem no setor.
"Existe uma desconexão entre as marcas, empresas e organizações e aquilo que realmente o público espera delas", afirma. Para Inocência, a forma como muitas empresas comunicam continua a refletir uma visão limitada do que é o marketing. Em vários casos, explica, todo o processo é reduzido à publicidade, ignorando o trabalho estratégico que deve acontecer antes de qualquer campanha ou anúncio."Muitas pessoas pensam que marketing é apenas fazer publicidade. Mas a publicidade é apenas uma parte do processo. Antes disso, é preciso perceber quem é o público, conhecer o mercado, definir uma estratégia e entender o que torna uma marca diferente das outras."

Inocência Pinto | DR
A reflexão surge num momento em que a comunicação empresarial na Guiné-Bissau atravessa mudanças importantes. Durante décadas, a rádio, a televisão e os jornais foram os principais canais utilizados pelas empresas para divulgar os seus produtos e serviços. Com o crescimento do acesso à internet e das redes sociais, surgiram novas formas de interação entre marcas e consumidores, que obrigaram empresas e instituições a adaptarem-se a uma realidade diferente.
Apesar dessa transformação, Inocência considera que muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades na construção da sua identidade e na criação de uma comunicação consistente. A presença digital existe, mas nem sempre é acompanhada por uma estratégia clara ou por uma compreensão profunda do público que se pretende alcançar.
Foi para responder a estes desafios que nasceu a BENNI, uma agência de marketing fundada em dezembro de 2025 por uma equipa jovem que partilha a ambição de contribuir para a profissionalização da comunicação no país. A iniciativa procura incentivar uma forma de comunicar mais próxima da realidade guineense, sem reproduzir modelos importados nem seguir tendências globais. Para a fundadora, é preciso compreender os contextos locais, as formas de consumo de informação e as particularidades culturais que influenciam a relação entre as marcas e as pessoas.
A criação da BENNI reflete também uma tendência cada vez mais visível entre jovens profissionais guineenses que, depois de estudarem ou adquirirem experiência em diferentes contextos, procuram desenvolver projetos próprios e criar soluções para desafios identificados no país.
Num mercado ainda em crescimento, o empreendedorismo continua a apresentar obstáculos, sobretudo para os jovens e para as mulheres que assumem posições de liderança. Ainda assim, Inocência acredita que existe espaço para novas ideias e para uma geração disposta a contribuir para a modernização de diferentes setores.
No seu caso, essa contribuição passa pela comunicação, não apenas como ferramenta de promoção, mas como um instrumento capaz de aproximar instituições, empresas e comunidades, de criar relações, gerar confiança e construir pontes entre aquilo que as organizações pretendem dizer e aquilo que as pessoas precisam de ouvir.
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