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Jetina Sambo construiu uma carreira entre Moçambique, Lisboa e Barcelona. Hoje dirige a Summit Business School e acredita que a formação executiva não deve custar uma vida. Há algo de deliberado no tom tranquilo com que Jetina Sambo fala sobre o que construiu, sem press releases, sem manifesto bombástico, sem o ruído típico do mundo das startups. A Summit Business School chegou em 2025, mas foi gestada durante um ano em que o mercado profissional a viu parada mas Jetina sabia exatamente o que estava a construir em silêncio.
Nascida em Moçambique, formada em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa, e com quase uma década de gestão de vendas em Barcelona, Jetina percorreu um caminho que poucos imaginariam conduzir à direção de uma escola de negócios. Mas é precisamente esse percurso, feito de saltos, pausas e adaptações, que dá forma à sua visão sobre o que deve ser a educação executiva hoje. "Quando cuidamos do que é mais precioso para alguém, aprendemos sobre confiança e integridade. Essa foi a primeira lição de gestão que nenhum MBA me ensinou", disse em entrevista à BANTUMEN.
E ainda, os anos de babysitter em Lisboa durante a licenciatura, o percurso na Nespresso até se tornar gestora de vendas em pleno centro de Barcelona não são anedotas decorativas no seu discurso, muito pelo contrário. São a fundação da sua filosofia profissional e exemplo de que o rigor profissional não se aprende apenas em salas de aula. Quem chega ao topo a partir de baixo traz consigo algo que nenhum currículo consegue fabricar.
Ao longo do seu percurso, complementou a sua formação com estudos em Migrações, Interetnicidades e Transnacionalismo na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, aprofundando a sua leitura sobre mobilidade, identidade e contextos multiculturais. Em paralelo, desenvolveu competências em gestão e liderança no setor do retail através da EADA Business School, e formação em cooperação internacional na Universitat Politècnica de Catalunya, em Barcelona.
Estas experiências, aparentemente distintas, convergem hoje numa mesma visão: a de uma educação executiva mais próxima da realidade, mais acessível e capaz de responder a contextos diversos e em constante transformação.
Em 2017, Jetina entrou para a direção executiva de uma escola de negócios internacional em Barcelona, liderando a expansão da instituição para Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Ao levar o projeto para os países onde as suas raízes estavam, começou a perceber uma mudança na forma como percecionava a educação executiva e as suas fórmulas habitualmente dispendiosas. "A minha visão sempre foi académica no rigor, mas humana na aplicação. Eu não queria apenas exportar cursos, queria sim somar conhecimento real a quem procura uma oportunidade para mudar de vida sem ter de a hipotecar financeiramente." A saída foi necessária. O que se seguiu foi um ano de pausa que, nas palavras de Jetina, foi o mais fértil da sua trajetória. Um ano em que não publicou, não apareceu em painéis, não anunciou nada. Um ano em que a Summit nasceu no papel e, depois, no mundo.
A Summit é uma escola de negócios 100% online, em língua portuguesa, desenhada para quem trabalha, gere equipas e responsabilidades, e ainda assim quer continuar a crescer. O modelo é flexível: acesso contínuo a um campus virtual, aulas ao vivo com especialistas e conteúdos orientados para a aplicação prática e não para a acumulação de teoria. Desde a sua fundação, já formou mais de 600 profissionais, de 12 países diferentes - números que, para uma escola criada há menos de um ano, dizem mais do que qualquer argumento de marketing.
A aposta no espaço lusófono, além de estratégia de nicho, é uma questão de convicção. Jetina cresceu nesse espaço, entende as suas assimetrias e acredita que a língua portuguesa pode ser ela mesma um ativo, uma rede de afinidades e histórias partilhadas que nenhuma plataforma global em inglês consegue replicar. "A educação executiva deve ser internacional, mas não distante. Deve ser rigorosa, mas não inacessível. Deve respeitar o ritmo de cada pessoa, sem abdicar da ambição de a levar mais longe", explica-nos.
Quando questionada sobre o que significa liderar hoje, depois de tudo o que construiu, a resposta é direta: consistência, responsabilidade e impacto sustentável. Não há glamour na formulação, mas há uma clareza que raramente se encontra em quem ainda está a provar algo ao mundo.
Jetina Sambo é uma mulher que, pelas suas próprias palavras, não gosta de fazer ruído mas a Summit Business School é, em si mesma, uma declaração. A de que o acesso ao conhecimento executivo de alto nível não deve depender de onde se nasceu, de quanto se tem ou de quantas horas livres se consegue fabricar entre o trabalho e a família. "O topo é um lugar para todos nós”, afirma sem gaguejar. É uma frase simples. Mas dita por alguém que foi babysitter para pagar a licenciatura, que aprendeu gestão numa loja de uma conceituada marca de cafés e que passou um ano em silêncio para construir algo com os próprios termos.
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