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Katorze, também conhecido por XIV, acaba de lançar Memento Mori, o primeiro álbum da sua discografia. A produção vem acompanhada de uma curta-metragem homónima que aprofunda o universo conceptual do projeto. A curta-metragem foi apresentada a 28 de abril no Cinema São Jorge, em Lisboa. A Sala 3 daquele espaço encheu-se de amigos, família e de uma rede de apoio que contrasta com o peso emocional e a estética sombria “dark” tanto do filme quanto do álbum.
Antes da exibição, XIV fez questão de agradecer à equipa envolvida, com destaque para o realizador Francisco Ramalho, peça-chave na construção da linguagem visual da curta. Conhecido por trabalhar com alguns dos nomes “na berra” da música nacional, Ramalho ajudou a moldar uma cinematografia inspirada em referências como Matrix, Blade e Mad Max, mas filtradas por uma lente mais íntima. Em conversa com a BANTUMEN, o artista partilhou que o cinema tem um grande impacto na sua carreira, principalmente por ter crescido envolvido no cinema conceitual francês desde criança.
Memento Mori - lembra que todos iremos um dia morrer. O conceito não é novo mas XIV usa-o como ponto de partida para o manifesto da sua obra: viver todos os dias como se fossem decisivos na concretização dos próprios sonhos. E a jornada não conta com romantizações – existe conflito, dor e há confronto direto com o “eu”.
Mas se o universo visual mergulha no escuro, o som faz o contrapeso. O álbum percorre sonoridades como amapiano, afrobeat, afrobeat francês e rap, criando uma base rítmica que traz leveza ao projeto. Há groove, há balanço, há espaço para dançar. XIV consegue ir fundo no conceito e, ao mesmo tempo, manter uma energia acessível e envolvente, ao mostrar um ecletismo que o posiciona como um artista completo.

Foto promocional
Narrada em francês, língua que carrega desde a infância e que reforça a dimensão emocional do projeto, a curta divide-se em capítulos e mergulha numa estética underground que remete à estética dark Soviética. XIV entrega a narrativa com intensidade e transforma a “língua do amor” numa ferramenta crua de expressão, que envolve e inquieta quem assiste.
Ao longo do filme, há um tema que se repete como uma sombra invisível: a necessidade de matar versões antigas de si próprio para dar espaço àquilo que sempre esteve destinado a ser. XIV enfrenta-se em vários momentos, como se cada confronto interno fosse um passo necessário para a sua própria reconstrução. Matar os “eus”, silenciar demónios, reescrever a sua identidade destinada a alcançar o céu. O álbum, por sua vez, traz o outro lado da história ao tocar em episódios duros da vida do artista, incluindo a relação com o crime. Sem moralismos simplistas, a narrativa assume de forma nua e crua que o crime paga…mas cobra caro.
Num dos momentos mais marcantes da curta, surge a pergunta: foi amor ou ódio que o levou até esse estilo de vida? XIV responde sem hesitar: ódio. Mas o próprio monólogo contrapõe: e se foi amor? Amor pelos seus, pela necessidade de oferecer uma vida melhor à família? A resposta não fecha - fica suspensa, ambígua – indo ao encontro do mistério que define a curta.
Visualmente, Francisco Ramalho constrói tensão e emoção através de luz, enquadramentos, efeitos e uma direção estética coesa. Cada plano parece pensado para servir o conflito interno do artista.
E quando a promoção e lançamento do álbum pareciam apontar para um começo, XIVlança uma declaração: este pode ser o seu primeiro e último álbum… desta fase. Em declarações à BANTUMEN, o artista esclarece que não é um fim, é antes uma morte simbólica deste capítulo. Memento Mori serve como ritual de passagem, encerrando um ciclo e abrindo espaço para o renascimento do artista que sempre teve destinado a ser.
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