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Kemilson D'Almeida começou a escrever num momento em que São Tomé e Príncipe entrava em mais um intenso ciclo eleitoral. Num período em que D’Almeida diz ter observado ataques pessoais e um endurecimento do debate político, o jornalista, escritor e poeta são-tomense radicado em Portugal decidiu partir de uma pergunta maior: o que é preciso mudar nas pessoas para que um país também consiga mudar?
Foi desse ponto que nasceu A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de caráter destruíram, a primeira obra física do autor, lançada a 1 de agosto, no Porto, e atualmente disponível em formato impresso através da Amazon.
O livro foi escrito antes e durante a campanha para as eleições presidenciais de 19 de julho, numa altura em que São Tomé e Príncipe se preparava também para as legislativas, regionais e autárquicas marcadas para 27 de setembro.
As presidenciais terminaram com a reeleição de Carlos Vila Nova, que obteve 55,88% dos votos válidos segundo o apuramento definitivo do Tribunal Constitucional. O processo ficou também marcado por uma participação eleitoral baixa: os dados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional apontavam para uma abstenção de 58,81%. Na noite anterior à votação, a CEN revelou ainda ter travado uma tentativa de invasão dos seus sistemas informáticos, garantindo que a base de dados eleitoral não foi afetada.
É nesse ambiente que D'Almeida diz ter encontrado parte do impulso para escrever. Mais do que entrar na disputa entre partidos, interessou-lhe observar a forma como as pessoas discutem política, lidam com opiniões diferentes e participam na construção da sociedade.
Ao longo de oito capítulos, A Nação Começa no Coração passa por temas como cidadania, liderança, responsabilidade, integridade, fé, o peso das palavras e transformação pessoal. A ideia que atravessa o livro é que mudar governos, leis ou instituições pode não ser suficiente se essa mudança não chegar também à forma como cada pessoa se posiciona na sociedade. "Este não é um livro sobre política partidária. É um convite para olharmos para nós próprios e compreendermos que a mudança que desejamos para a nação começa dentro de cada um de nós", explica o autor.
Apesar de São Tomé e Príncipe estar no ponto de partida, D'Almeida não quer limitar a conversa ao arquipélago. O livro foi pensado para chegar a leitores com diferentes posições políticas, sociais e religiosas e colocar em discussão questões que atravessam outras sociedades.
A Nação Começa no Coração é também mais um passo num percurso literário ainda recente. Em dezembro de 2025, D'Almeida publicou O Poder da Esperança, livro digital composto por quinze poemas inéditos. Para 2026, prepara ainda O Caminho da Sabedoria para Jovens, inspirado no livro bíblico dos Provérbios e construído a partir de relatos de jovens são-tomenses.
Fora dos livros, o autor trabalha como jornalista na RSTP, Rádio Somos Todos Primos, e é diretor de comunicação da Associação dos Jovens Escritores Santomenses (AJES) desde a criação da organização. Passou também pela Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe como jornalista, locutor e comentador desportivo. Este ano, criou ainda o Projeto DESPERTAR, iniciativa focada no desenvolvimento humano e espiritual através de palestras, conferências e encontros com jovens, com temas ligados ao caráter e aos valores cívicos.
Agora, a ambição é fazer o livro circular. D'Almeida pretende levar A Nação Começa no Coração a escolas, bibliotecas, universidades, instituições e organizações da sociedade civil e, a partir daí, chegar a diferentes países da CPLP.
Por enquanto, a obra está disponível apenas em formato físico, através da Amazon.
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