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Foi no passado dia 16 de abril que Nelson Freitas apresentou a listening party do seu mais recente projeto, Legacy - um álbum que se assume como um ponto de reflexão sobre um percurso de mais de duas décadas na música e que converge toda a sua carreira musical até aos dias de hoje.
O evento decorreu no Rádio Hotel, num ambiente intimista e pensado ao detalhe para refletir o conceito do álbum. O espaço foi transformado numa espécie de arquivo vivo da carreira do artista. Entre prémios, distinções e um media room que reunia visualmente os vários álbuns lançados ao longo dos anos, tornava-se evidente que o evento, mais do que celebrar um novo projeto, tinha como objetivo celebrar toda uma trajetória que atravessa gerações e continentes, junto “dos seus”, numa energia coletiva que refletisse uma fusão entre trabalho, amizade, família e a ligação cultural dos países PALOP.
Em declarações à BANTUMEN momentos antes de confirmar Legacy como a sua última produção, Nelson Freitas desvendou um pouco do processo criativo que deu origem ao álbum. O projeto nasceu de forma livre, desprovido de pressão ou metas numéricas, tendo sido guiado exclusivamente pelo amor à música. Só após a sua conclusão é que o artista entendeu que este seria o momento certo para encerrar o ciclo discográfico. Ainda assim, fez questão de sublinhar que o seu percurso não termina aqui, deixando em aberto a possibilidade de novas formas de expressão artística no futuro.
A condução da noite ficou a cargo de Wilds Gomes, jornalista e apresentador de TV, que trouxe ao evento um formato de conversa próxima, quase de mesa-redonda. Entre memórias, processos criativos e reflexões, foram revisitados alguns dos momentos mais marcantes da carreira do artista, antes de se desvendar as camadas de cada faixa de Legacy.

DR
A nível sonoro e lírico, o álbum apresenta-se como uma fusão rica em diversas referências - cultura, gastronomia, homenagem às raízes, saudosismo, amor e celebração - abrindo espaço também para narrativas que ecoam a vivência do emigrante, onde família e raízes assumem um papel central. Cada faixa surge como um fragmento desse todo, cuidadosamente curado para representar o universo do artista.
A listening session abriu com “Bai Cau Verde”, o próximo single do álbum, um tema que à primeira escuta se parece leve e dançante, pensado para momentos de convívio, celebração e “churrascos”, como mencionou o anfitrião. No entanto, por baixo dessa energia festiva, a canção traduz um sentimento familiar a muitos emigrantes: a saudade antecipada – o sentimento que começa ainda antes da partida, por se saber que o regresso à terra mãe é temporário e que no horizonte já se avista o regresso aos dias de luta na “babilónia”. Nelson Freitas reforçou essa ligação pessoal ao tema, recordando o percurso pessoal entre a sua juventude que passava pela Holanda e Cabo-Verde. A apresentação do videoclipe, ainda por estrear, veio reforçar a ideia que o artista pretende transmitir com a música: celebração, família e cultura cabo-verdiana.
Seguindo esse fio mais íntimo, a faixa “Lisboa” surge como uma carta aberta à cidade que acabou por tornar-se casa. Entre idas e vindas, foi na capital portuguesa que o artista e a sua família decidiram assentar há cerca de uma década, uma escolha inicialmente temporária, mas que acabou por ganhar raízes. A faixa percorre a estética, a gastronomia e o espírito festivo da cidade, refletindo uma ligação que era para ser um “acaso” e transformou-se na sua base.
O álbum abre também espaço para momentos mais pessoais, como no single “Não Deixa”, onde o artista expõe um episódio marcante da sua vida conjugal. A música apresenta-se como um testemunho de superação e fortalecimento, ao trazer uma camada de vulnerabilidade pouco comum, mas essencial à construção deste legado, que o artista reforça que se deve muito ao companheirismo da esposa.
A dimensão mais introspetiva equilibra-se com a leveza presente em faixas como “Jungle Fever”, “Tetete” e “I Need You”, onde a energia volta a subir e a celebração da cultura PALOP ganha protagonismo. Entre diferentes expressões linguísticas, ritmos e influências, estas músicas afirmam-se como pontos de encontro entre Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique e reforçam a diversidade e a riqueza cultural que está refletida em todo o projeto.
Num registo mais reflexivo, a faixa “Papo Reto” destacou-se como ponto de partida para uma conversa mais ampla conduzida por Wilds Gomes. A faixa levanta uma questão essencial: a preservação da identidade linguística nas gerações nascidas na diáspora. Num contexto onde a distância pode diluir as línguas nacionais, a música surge como símbolo de resistência e continuidade, ao destacar a importância de manter as expressões e heranças culturais.
Ao longo do álbum, há ainda espaço para explorar sonoridades como house, afrobeat e kizomba, numa versatilidade que amplia a assinatura musical de Nelson Freitas e posiciona várias destas faixas certamente como bandas sonoras para o verão que se aproxima.
A encerrar a listening session, o artista fez questão de agradecer à sua esposa, à família e a todos os colaboradores que contribuíram para a construção de Legacy, entre eles nomes como Anderson Mário, Lobo Mau, Guerra, Nuno Ribeiro, Dj Devask, Mark Exodus, Manecas Costa e o produtor Stego, que segundo Nelson Freitas – foi responsável por ditar a sonoridade de Legacy.
No fim da noite, entre conversas, reencontros e celebração, o espaço encheu-se ao som de alguns dos seus maiores êxitos - cantados em uníssono por diferentes gerações que cresceram com a sua música. Para lá de um momento de nostalgia e diversão, foi a confirmação de uma carreira musical capaz de atravessar barreiras e gerações. Em jeito de conclusão, Nelson Freitas partilhou que o seu maior desejo é que, no futuro, os fãs olhem para trás e recordem não apenas as músicas, mas toda a sua carreira e presença com amor.
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