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Lesliana Pereira ganhou visibilidade pública com o título de Miss Angola 2008, mas o seu percurso no audiovisual estende-se por dezoito anos de trabalho entre Angola, Portugal e Brasil como atriz, apresentadora e produtora, com papéis que incluem Njinga Mbande em Njinga, Rainha de Angola. É agora Binta em A Nobreza do Amor, novela das seis da Globo.
"A minha participação em A Nobreza do Amor representa mais um capítulo de uma trajetória que venho construindo há dezoito anos entre diferentes geografias e linguagens do audiovisual", afirma. "Ao longo desse percurso, tive a oportunidade de trabalhar em Angola, Portugal e Brasil, tanto como atriz quanto como apresentadora e produtora, experiências que me permitiram compreender o setor para além da interpretação."
Escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., A Nobreza do Amor é uma fábula afro-brasileira ambientada nos anos 1920, entre o reino fictício de Batanga e a cidade de Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte. Na trama, Batanga é um reino africano que se libertou da ocupação europeia e foi atravessado por um golpe liderado por Jendal, antigo primeiro-ministro interpretado por Lázaro Ramos, que levou a família real - o rei Cayman II (Welket Bungué), a rainha Niara (Erika Januza) e a princesa Alika (Duda Santos) - a reconstruir a sua história no Brasil. Lesliana entra na trama quando esses conflitos já estão em movimento, com Binta a surgir envolta em mistério, ligada às movimentações de Jendal.
Binta surge como uma personagem envolta em mistério, associada a novas movimentações dentro da trama e ao percurso de Jendal. Para Lesliana, o interesse artístico da personagem está precisamente na possibilidade de entrar numa história já estabelecida e provocar novos deslocamentos.“A chegada de Binta à trama acrescenta novas camadas à narrativa e foi isso que mais me interessou artisticamente”, explica. “Mais do que a sua origem ou função na história, procurei construir uma mulher com humanidade, complexidade e identidade própria, evitando leituras simplificadas ou estereotipadas.”
Batanga é um território fictício, mas carrega elementos visuais, políticos e culturais que remetem para diferentes imaginários do continente africano. A liberdade da ficção permite criar uma narrativa popular, mas também torna mais sensível a forma como essas personagens são escritas, interpretadas e recebidas. “O universo de A Nobreza do Amor dialoga com referências africanas de forma muito particular e, para mim, é significativo ver essas referências ocuparem espaço numa produção de grande alcance”, sublinha. “No entanto, acredito que o mais importante é que as personagens africanas possam existir em toda a sua pluralidade, como indivíduos completos, e não apenas como símbolos.”
Lesliana já tinha passado pela Globo em 2015, aquando da participação em I Love Paraisópolis. O regresso à emissora insere-se num movimento mais amplo que a própria afirma estar a acompanhar de perto: a circulação de profissionais entre África, Brasil e Europa tem crescido, ainda que continue dependente de oportunidades pontuais e de estruturas pouco consolidadas. "Tenho acompanhado, ao longo dos anos, a crescente circulação de profissionais entre África, Brasil e Europa, e acredito que esse movimento continuará a fortalecer-se", diz. "Regressar ao ambiente de produção da Globo acontece num momento de maturidade da minha carreira", acrescenta.
Para os públicos dos PALOP e das diásporas africanas, a presença de uma atriz angolana numa trama que coloca África no centro da ficção num espaço televisivo com o alcance da Globo tem um peso particular. Para Lesliana, este momento é continuidade. "Mais do que olhar para esta participação como um ponto de chegada ou de descoberta, vejo-a como parte de uma caminhada construída com consistência, trabalho e permanência", afirma.
Questionada sobre o que o público pode esperar de Binta, a atriz não antecipa os caminhos da personagem, mas deixa um convite à descoberta.“Espero que o público receba a Binta com curiosidade e acompanhe a sua trajetória na novela, descobrindo aos poucos as suas motivações, contradições e a sua força.”
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