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Na noite de 26 de junho, o Lisboa ao Vivo encheu-se de público guineense para receber pela primeira vez Bliri. O público cantou, dançou, e o artista devolveu cada momento com a mesma energia, numa noite em que o alinhamento acabou por ser uma formalidade.
A atuação marcou a apresentação europeia de "Patrão Misti Kanta", primeiro álbum do artista. O disco lançado em abril na Plataforma Jomav, em Bissau, perante mais de 20 mil pessoas, percorreu várias regiões da Guiné-Bissau antes de chegar à Europa. Lisboa foi a primeira paragem e não foi por acaso: a comunidade guineense na capital portuguesa é hoje uma das mais ativas na diáspora. Foi essa comunidade que encheu o Lisboa ao Vivo e transformou o concerto em algo mais próximo de um reencontro do que de uma estreia.
Bliri é o nome artístico de Inussa Agostinho Luís Nandjã, membro do coletivo PMB 47 - cujo canal no YouTube ultrapassa os três milhões de visualizações - e figura em ascensão no rap guineense. Natural de Canchungo, no Norte do país, carrega no lema "Canchungo pa Mundo" a mesma ambição que tem caracterizado a nova vaga de rappers do interior: a de deslocar o centro de gravidade de um género que durante anos gravitou em torno de Bissau.
Em 2026, associou-se à The Boss Music para iniciar um novo ciclo, do qual "Patrão Misti Kanta" é o primeiro resultado. O caminho até ao álbum foi sendo traçado por temas como "Sinhu", "Nada di Muda Voz", "Bô Konta Kumi", "Nô Mindjeris", "Homenagem a Américo Gomes", "Busca Sunhu" e "Amor Ika Bardadi", que consolidaram a sua presença junto do público guineense e da diáspora.
Para Bliri, a noite no Lisboa ao Vivo teve um significado que foi além do palco: "Ver Lisboa ao vivo, cheia, e tanta gente a cantar comigo as minhas músicas é uma alegria. Para mim, é a realização de um sonho. O menino que eu era percebe que é possível viver do talento." E acrescentou: "Quero fazer ainda mais, porque sei que esperam muito de mim."
O concerto em Lisboa é o segundo em solo europeu, depois de uma passagem pela Suíça.
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