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LuluMM chegou ao Luxemburgo com 70 quilos e diz pesar hoje 83, com cinco treinos por semana. A rotina foi ganhando espaço na sua vida até se tornar uma referência para a forma como pensa a carreira, assente na repetição do esforço, na consistência e no tempo que os resultados levam a aparecer, e é essa relação entre trabalho e progresso que atravessa “Ficar ou Correr”, o novo single do rapper, produzido por elzobeats.
O título nasceu de uma pergunta que LuluMM começou a fazer a si próprio depois de um período de dificuldades, quando teve de decidir se desistia ou continuava, se deixava que os problemas o mantivessem no chão ou se procurava sair desse lugar. “Quando superei esses tempos baixos, tive a perceção de que só eu posso decidir se quero continuar lá ou sair daí”, conta à BANTUMEN. A canção parte dessa resposta para falar sobre ambição, fé e desconfiança, num relato em que o desejo de chegar mais longe convive com a necessidade de escolher quem o acompanha.
O dinheiro, o respeito e o poder aparecem na letra como objetivos que a fé o ajuda a acreditar serem alcançáveis, ao passo que a dor lhe recorda o caminho percorrido e o obriga a rever prioridades. O cantor associa o verso “Precisei de toda a pain para me tornar alguém” às experiências que o levaram a afastar distrações. Na mesma letra, as referências à rua vêm do ambiente em que cresceu, onde situa, aos nove ou dez anos, o início de uma convivência próxima com as realidades que hoje transporta para a música. É dessas memórias que retira a história de um amigo que, segundo o rapper, se expôs demasiado e acabou por enfrentar as consequências, e é a partir delas que escreve sobre ambição, exposição e risco.
Em casa, a mãe aconselhava-o a ter “o dobro do respeito”, num conselho que acrescenta ao tema outra dimensão. LuluMM recorda uma educação assente em cumprimentar, ouvir e evitar conflitos, acompanhada pela consciência de que, enquanto criança negra, o seu comportamento poderia ser julgado de forma diferente, e reconhece que esses ensinamentos continuam presentes na maneira como se relaciona com os outros.
A música começou pela escrita. Só com a letra pronta é que procurou um produtor e, através de conhecidos, chegou a elzobeats, numa colaboração que se desenvolveu à distância, com o produtor em Angola. “Mandei-lhe um type beat para ele tirar a ideia. Ele mandou o beat, encaixou logo e fui gravar”, recorda o rapper, que entregou a captação, a mistura e a masterização ao Studio X15.
Para o videoclipe, voltou a trabalhar com a Livinglife e levou para a imagem o treino e a corrida, com a intenção de mostrar o esforço, a dor e a satisfação de reconhecer resultados. Admite que nem tudo ficou como tinham imaginado, embora faça um balanço positivo. Foi no ginásio que a relação entre trabalho e progresso se tornou mais concreta para LuluMM, que procura aplicar aos lançamentos a lógica dos cinco treinos semanais. “É o mesmo mindset que levo para a música”, diz. “Se me mantiver consistente e lançar, lançar, também vou ter resultados.”
A exigência de acompanhar todas as músicas com videoclipe estava a condicionar o ritmo de publicação e decidiu revê-la. “Tenho muitos sons para atirar e vou começar a atirar”, anuncia, na reta final de um ano em que aponta o crescimento da base de ouvintes como uma das principais conquistas. “Mama Diz”, o single anterior, não foi o seu lançamento com mais visualizações, mas trouxe-lhe mensagens de pessoas que ainda não acompanhavam o seu trabalho, um interesse que valoriza. A faixa abriu uma narrativa cuja segunda parte está prevista para 2027, enquanto “Ficar ou Correr” segue um caminho independente dessa história.
No Luxemburgo, onde continua a reservar tempo para escrever e ouvir instrumentais, a escassez de estúdios é uma das dificuldades com que lida. Nas redes sociais, procura ainda uma forma de comunicar com a qual se sinta confortável. “Não sei ser, ou não consigo estar sempre a filmar ou a falar para os stories”, reconhece. Entre lançamentos, são sobretudo os treinos que partilha, ainda que saiba que precisa de alimentar a ligação com quem o ouve.
O sonho continua grande, diz, e exige entregar mais em cada música, escolher as pessoas certas e manter o foco. Para já, quer que essa intenção se traduza em frequência e tem vários temas guardados, prontos para chegar ao público.
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