Maputo Fast Forward celebra 10 anos com edição dedicada às “Realidades Artificiais”

5 de Outubro de 2026
maputo-fast-forward-celebra-10-anos-com-realidades-artificiais
Maputo Fast Forward em edições anteriores

Partilhar

A 9.ª edição do Festival Maputo Fast Forward (MFF) decorre entre 23 de outubro e 1 de novembro, no edifício da JFS Tower, na Rua do Bagamoyo, na Baixa da Cidade de Maputo. Intitulada "Realidades Artificiais: O Espelho Infinito", esta edição assinala os 10 anos do festival e propõe uma reflexão sobre as fronteiras cada vez mais ténues entre o real e o artificial, o sintético e o vivo, a tecnologia e a experiência humana.


Ao longo de dez dias, três pisos da torre são convertidos num espaço que junta conferência internacional, exposições, rodas de saberes, performances, experiências imersivas em realidade virtual e aumentada, projeções, workshops, cocktails de networking e um bazar de projetos inovadores, com gaming corner, food court e atividades para crianças ao fim de semana. O acesso a todas as atividades é gratuito.


A organização enquadra o tema do ano na constatação de que a inteligência artificial, os algoritmos, as plataformas e as redes digitais moldam cada vez mais aquilo que se vê, se pensa e se acredita, interferindo na forma como as pessoas se relacionam e imaginam o futuro. O festival questiona quem constrói as realidades que se habitam, quem as "programa", quem "codifica" o futuro, e qual é o lugar de Moçambique e de África nesse processo. No texto de apresentação, a organização recorda que, para grande parte do Sul Global, viver dentro de uma realidade forjada não constitui novidade: durante séculos, o continente africano foi moldado por mapas coloniais, mitologias políticas e distorções mediáticas.


A curadoria da edição de aniversário é assinada por João Roxo, responsável pela Programação e Exposições, e por Tassiana Tomé, responsável pela Conferência Internacional e Rodas de Saberes.


A Conferência MFF 2026 organiza-se em quatro painéis. A conversa de abertura, "Reflectir Ética e Poder na Era do Algoritmo", discute quem define os caminhos do futuro tecnológico e quem controla os dados e as decisões sobre inteligência artificial, questionando o papel de África como participante ativa na construção destas tecnologias. Segue-se "Espelho Político: Reflectir os Limites e Possibilidades da Democracia", sobre a disputa da democracia no espaço digital; "Espelho Ecológico: Reflectir Futuros Digitais Habitáveis", sobre os custos ambientais - energia, minerais, infraestruturas e resíduos - da revolução tecnológica; e "Espelho Criativo: Reflectir a Criação Artística na Civilização Digital", sobre o impacto da inteligência artificial e dos sistemas generativos na criação artística e na circulação cultural.


Entre os convidados anunciados para a conferência internacional constam o filósofo e cientista político camaronês Achille Mbembe, a investigadora e educadora queniana Wakany Hoffman, o filósofo moçambicano Severino Ngoenha, a jornalista e ativista social moçambicana Fátima Mimbire, o investigador português em alterações climáticas João Camargo, o artista e curador sul-africano Russel Hlongwane, o cientista político moçambicano Dércio Tsandzana, a artista digital e investigadora sul-africana Tegan Bristow, a ativista social moçambicana Quitéria Guirengane, o artista e realizador cabo-verdiano Valério Lopes e o economista tunisino Fadhel Kaboub, a par de outros convidados nacionais e internacionais ainda por anunciar.


As Rodas de Saberes, formato mais horizontal e interativo, incluem este ano sessões sobre "O Futuro do Trabalho e a Geração Z", "Futurar a Educação no Ecossistema Tecnológico" e "Espelho Misógino: Género e Algoritmo".


Nas exposições, distribuídas pelos três pisos da JFS Tower, o sul-africano Russel Hlongwane apresenta "Ifu Elimnyama / Dzata", uma viagem cinematográfica pela cultura zulu que questiona a apropriação ocidental do conhecimento digital. No mesmo piso, a moçambicana Dilayla Romeo mostra "Aerial Cartographies: Territories in Dissolution", em que inverte o gesto cartográfico colonial e o aplica ao território europeu, recorrendo a técnicas como o batik e a cianotipia. No segundo piso, Zayaan Khan apresenta "Plating the Polycrisis", instalação imersiva e coletiva sobre o que se come e sobre a forma como o lixo tecnológico entra, sem se perceber, na comida preparada em casa. O percurso termina no terceiro piso com "Broadcasts for the Blind", de Adilson de Oliveira, transmissão sonora construída a partir do que se ouve, se ouve mal, se grava e se censura.


Fora das exposições e da conferência, o Family Day reúne workshops com a Matéria-Prima, a Stem Moz, os Recycled Workshops, o projeto Dealing with Screens e uma sessão sobre Educação e IA, dirigidos a famílias e escolas. Nos palcos, o encerramento fica a cargo de Nandele Maguni & Boogzbrown, com destaque ainda para o video-mapping de Jonathan Nindorera, o live wall com realidade aumentada de Kid Kreol & Boogie e o cruzamento entre moda e tecnologia assinado por Shaazia Adam em conjunto com o MFF.


O MFF Bazaar volta a reunir projetos e produtos ligados à inovação produzida na região, com um gaming corner com cinco jogos desenvolvidos no continente africano e iniciativas como a Girls Hacking / MozDevz, o Observatório das Mulheres, a VAMOZ, a Girl Move, a Educável e a Karingana.


Criado em 2016 e com periodicidade bienal desde 2022, o Maputo Fast Forward é, segundo a organização, a única plataforma de Moçambique - e uma das poucas do continente - onde arte, tecnologia e pensamento crítico se cruzam de forma intencional e continuada, através de conferências, exposições, performances, publicações, pesquisa e residências. O festival é organizado pela 16Neto.


Esta edição de aniversário conta com o apoio da Embaixada da Suíça em Moçambique, parceiro histórico do festival, da Equipa França- que reúne a Embaixada de França em Moçambique e o programa Creation Africa do Institut Français, através do Novembre Numérique e da Accès Culture, com a AFD, o Centro Cultural Franco-Moçambicano e a MansA -, da União Europeia, através do projeto Cultiv'Arte, do Instituto Camões, do Institut Français, da Embaixada de Itália, da Fundação Fernando Leite Couto e da JFS, proprietária do edifício que acolhe o festival. TOPAK, Fora de Foco, Technoplus e a plataforma OnIt integram também a lista de parceiros, que a organização diz continuar a crescer.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile