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As Artes Marciais Mistas começaram a ganhar expressão internacional a partir da década de 1990, acompanhando a consolidação de competições híbridas e a crescente mediatização do desporto de combate. Em Angola, a modalidade chegou de forma fragmentada e tardia, impulsionada sobretudo pela circulação informal de conteúdos internacionais e pela adaptação local de práticas como o boxe, o judo, o karaté ou a luta livre. Durante muitos anos, o MMA foi praticado em espaços improvisados, sem acompanhamento técnico estruturado e frequentemente confundido com violência, permanecendo fora dos circuitos institucionais do desporto nacional.
Só na década de 2010 surgiram tentativas de organização formal, com a criação da federação nacional e a ligação a circuitos internacionais associados à International Mixed Martial Arts Federation (IMMAF). Ainda assim, a modalidade continua a desenvolver-se num contexto marcado pela ausência de financiamento sólido, pela inexistência de centros de alto rendimento e pela falta de políticas públicas consistentes para o desenvolvimento de carreiras desportivas. Para a maioria dos atletas, competir implica conciliar treinos intensivos com estudos e trabalho, quase sempre sem remuneração regular ou perspetiva de profissionalização.
Dentro deste sistema já fragilizado, as mulheres enfrentam obstáculos adicionais. A presença feminina nas artes marciais em Angola é residual e diminui ainda mais quando se trata de competição internacional. A desigualdade não resulta da falta de talento, mas da escassez de oportunidades, do acesso limitado a apoio técnico continuado e da persistência de estigmas sociais associados à prática de desportos de combate por mulheres. “Ser mulher neste meio significa ter de provar constantemente que mereces estar ali. Mesmo quando ganhas, tens de continuar a justificar a tua presença”, afirma Maria Kitoko, primeira mulher angolana a conquistar dois títulos mundiais consecutivos de MMA.
“Sempre andei muito com rapazes, jogava futebol, basquete, andava na rua. Nunca vi isso como um problema.”
Maria Kitoko

©Federação Angolana de Artes Mistas

©Federação Angolana de Artes Mistas
“Sempre vi o conhecimento como algo essencial para o meu crescimento enquanto atleta e enquanto mulher”
Maria Kitoko
A projeção internacional alterou a forma como Maria Kitoko passou a encarar cada competição. Competir fora de Angola deixou de ser um desafio desportivo para assumir uma dimensão simbólica e representativa, associada à visibilidade do país e às expectativas colocadas sobre quem consegue chegar a palcos internacionais num contexto de escassez de oportunidades. “Cada combate fora de Angola é uma bandeira que carrego comigo. Represento jovens que sonham, mas que ainda não têm oportunidades”, afirma. Foi a partir dessa consciência que, após o bicampeonato mundial, decidiu tornar pública uma mensagem dirigida ao Presidente da República, João Lourenço, apelando a um maior compromisso com o desporto nacional. “Todos levantamos a mesma bandeira. Não queremos apenas flores, também temos fome.”
“Saber que, através do meu percurso, consigo inspirar jovens negras a acreditarem nas suas capacidades é uma das maiores honras da minha vida”
Maria Kitoko

©Federação Angolana de Artes Mistas

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