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As tardes do canal RTP África têm nova cara. A partir desta quinta-feira, 18 de junho, Maria Mussolovela adentra por cada casa em Portugal, nos PALOP e na diáspora com uma nova proposta televisiva vespertina. À “Tarde no Kubico”, realizado pela Panavídeo, é um convite à descoberta e ao encontro de personalidades que já marcam presença no espaço público e, simultaneamente, a pessoas comuns cujas histórias e ações reverberam pela sociedade.
Maria Mussolovela foi formada pela exigência do pai, pelos bons princípios da mãe, e por mais de uma década de experiência em comunicação e marketing. Uma combinação que a define como profissional e como pessoa.
Nascida em Lisboa, filha de angolanos, Maria é licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, pela Universidade de Lisboa, e a sua trajetória é tudo menos linear. Começou como jornalista, passou pela estratégia de marketing corporativo e descobriu que cada mudança a preparava para a seguinte.
A arte de bem comunicar foi-lhe transmitida pelo pai. Saído do Bailundo nos anos 80 - durante a turbulência política e social que Angola viveu após a descolonização - chegou a Lisboa para estudar Filosofia e tornou-se professor. Falava muito bem, escrevia melhor ainda e não tinha tolerância alguma para erros ortográficos, confirma-nos Maria. "Cresci com ele a reclamar da minha caligrafia, a criticar a forma como eu formava o F maiúsculo. Eu cresci com isso", diz-nos. Há uma ternura nesta memória, apesar do rigor, porque Maria compreende que aquela exigência era também uma forma de amor - o insistir em que a filha fizesse as coisas bem, em que a palavra fosse sagrada.
A mãe, por outro lado, foi quem incutiu os valores e os bons princípios. Segundo Maria, "é muito boa pessoa, demais às vezes". Contudo, “Este casamento entre a palavra do meu pai e o coração da minha mãe é o que me define", diz, com uma clareza que sugere já ter pensado muitas vezes no assunto.
Quando perguntamos a Maria como tudo começou, a resposta remete-nos para a faculdade. Estudou Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade de Lisboa porque não tinha média para Ciências da Comunicação, na altura, “era o curso com a nota mais alta de entrada ”, recorda. Como diz a própria comunicadora, entrou no "plano B", absolutamente fora daquilo que depois começou a fazer enquanto profissional, muito movida pelo acaso e pela curiosidade.
Quando terminou a licenciatura em 2011, ainda em Lisboa, surgiu uma oportunidade no Sapo Internacional - um portal de notícias que, na altura, era a principal janela digital em Portugal e nos PALOP. Maria começou a gerir principalmente o agregador de notícias dedicado a Angola. "Não era jornalismo propriamente dito quando comecei", recorda. "Mas ali, naquele espaço, começou a nascer um bichinho por este tema da comunicação. Principalmente no que tem a ver com escrever e falar para câmaras também." Há uma revelação importante nesta frase. Maria descobriu que queria comunicar enquanto fazia jornalismo. A criança que cresceu a apresentar festas de catequese na igreja, que desde pequena tinha vontade de falar para as pessoas e que elas a ouvissem, tinha finalmente encontrado o seu lugar profissional.
Passado algum tempo instalada na redação do SAPO em Luanda, Maria acabou por encontrar uma nova oportunidade numa consultora. Ali, foi atravessada por um ambiente corporativo diferente, carregado de regras, da indumentária à forma como devia apresentar-se. À memória Maria foi repescar uma regra que um chefe lhe disse e que guarda até hoje: "quando ligas para um cliente, deixa só chamar três vezes. À quarta já parece desespero."
Entretanto, a Refriango - marca portuguesa e uma das maiores unidades industriais do continente africano no ramo da produção e distribuição de bebidas - lançou um concurso. Maria estava a fazer uma pós-graduação em Luanda e decidiu concorrer, desafiando dois colegas para desenvolver uma estratégia de comunicação para uma das bebidas da marca. Fizeram tudo, desde estudo de mercado a embalagem nova. A robustez do projeto valeu-lhes um estágio na Refriango. Contudo, naquele mesmo momento, o pai de Maria morreu, o que a levou a desistir da oportunidade porque tinha de regressar a Portugal. Ainda em 2015, de volta a Angola, Maria quis deixar passar a oportunidade que lhe tinha sido dada no concurso da Refriango. Entrou em contacto com a empresa e a porta abriu-se novamente. Essa e, entretanto, muitas outras em seguida. "Acho que muito poucas pessoas podem dizer que numa determinada empresa conseguiram passar por tantos cargos ou conseguiram evoluir tanto", comentou. Maria sorri e enumera as suas diferentes facetas que ali descobriu: "A Maria do Excel. A Maria do Microfone. A Maria que carregava material para eventos. A Maria que escrevia guiões. Muitas Marias." Sete ou oito posições diferentes. Sempre a subir. Sempre a aprender. A Refriango foi onde se deu permissão para experimentar, para falhar e para crescer. "Foi o sítio onde me foram abertas o maior número possível de portas para eu experimentar muitas coisas. Foi muito bom." Cada papel preparou-a para o seguinte, com a versatilidade e compreensão dos diferentes lados de uma organização que esses papéis acarretavam.
Depois de anos na Refriango a descobrir múltiplas versões de si mesma, Maria Mussolovela continuou a construir expertise. Passou por uma agência criativa, a trabalhar com múltiplas marcas, e depois chegou à Superbrands Angola, uma instituição de referência em branding. Estava a consolidar-se como uma voz autorizada em comunicação e marketing mas o grande teste viria depois disso.
“É uma responsabilidade que tomo com seriedade”
Maria Mussolovela

DR
Em dezembro de 2023, Maria assumiu a posição de chefe do departamento de Marketing e Comunicação do Petro de Luanda, atualmente, o maior clube do país. Em termos corporativos, aquele era um ambiente totalmente novo, somando-se ao facto de ser líder de uma equipa exclusivamente masculina. Ainda assim, a expert em marketing focou-se em resultados e em transformação digital, linguagens que transcendem as hierarquias tradicionais e que obrigam o respeito pela exigência. "O Petro é a referência nacional em termos desportivos em Angola. Estamos a construir o caminho para que seja também um exemplo nacional na comunicação, tendo sempre o desporto na linha da frente mas com iniciativas com o mote 'O Petro é muito mais do que desporto”, explica-nos conjugando o presente mesmo já não fazendo parte dos quadros, porque, afinal, aquele tornou-se também no seu clube do coração. O seu trabalho passou por efetivar um reconhecimento profundo de algo que poucas instituições conseguem articular: que uma organização centrada em ganhos desportivos pode ser símbolo de inovação, de comunicação moderna e de impacto social. Maria viu uma instituição histórica com raízes profundas numa comunidade e foi peça chave para construir a relevância digital do clube num exemplo, sem transformar a comunicação em simples propaganda.
Depois de doze anos em Angola, Maria regressou a Portugal há dez meses. A mudança respondeu a necessidades familiares e pessoais que a vida em Luanda não permitia satisfazer. O que se mantém constante é a exigência com que aborda cada projeto. E foi neste contexto de regresso, de recalibragem de vida, que surgiu a oportunidade da RTP África. Um novo programa de entretenimento e entrevistas, transmitido à tarde. Outra porta que se abre para uma outra versão de Maria Mussolovela que está prestes a nascer. "Esta oportunidade permite-me fazer aquilo que desde pequena gostava de fazer, falar para as pessoas. É uma responsabilidade que tomo com seriedade", diz.
Neste novo momento televisivo, o seu objetivo principal é criar espaço, sabendo que quando uma pessoa se senta à sua frente para ser entrevistada, está a fazer um ato de vulnerabilidade. E que a sua responsabilidade é honrar isso.
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