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O Ponto Kultural, em Mem Martins (Linha de Sintra), recebeu uma sessão dedicada ao projeto Meu Bairro, Minha Língua, iniciativa criada pelo rapper e ativista cultural brasileiro Vinicius Terra. O encontro assinalou a apresentação do primeiro episódio da nova temporada da série e incluiu também a audição de uma nova canção ainda em processo de produção, num momento de partilha em torno da cultura urbana, da língua portuguesa e das ligações entre territórios periféricos do espaço lusófono.
Foi o próprio Vinicius Terra quem apresentou a sessão como “um novo capítulo” do projeto, sublinhando que aquele momento marcava o arranque de uma nova fase de Meu Bairro, Minha Língua 2. Ao seu lado, Tristany Mundu, ligado ao Ponto Kultural, destacou a importância de receber em Mem Martins uma proposta que cruza hip hop, reflexão e comunidade, descrevendo o encontro como uma oportunidade para continuar uma história que passa pela travessia atlântica da cultura urbana.
O projeto Meu Bairro, Minha Língua afirma-se como um movimento de reflexão, celebração e estudo da língua portuguesa através da música, que parte da sua utilização em diferentes territórios e do protagonismo narrativo das populações de bairros periféricos dos países da CPLP em Portugal. No centro da proposta está a ideia de que a língua não é uma estrutura fixa, mas um organismo vivo, em permanente transformação, moldado pelo uso, pela oralidade e pela experiência de quem a fala.
Vinícios Terra, fundador do projeto Meu Bairro Minha Língua ©BANTUMEN/Nuno Silva
Criado a partir da pesquisa artística de Vinicius Terra, o projeto tem sido um dos espaços onde o rapper brasileiro desenvolve aquilo a que chama Nova Lusofonia, conceito que pensa a descolonização e o futuro do idioma a partir do intercâmbio entre periferias urbanas dos países de língua oficial portuguesa. Nascido e criado entre Pavuna e São João de Meriti, no Rio de Janeiro, Vinicius tem vindo, ao longo de duas décadas, a construir pontes entre Brasil, África e Europa através da música, da literatura e do audiovisual.
O projeto começou em 2021 com a canção homónima criada para a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e ganhou novo fôlego em 2022, quando se transformou numa série televisiva com oito episódios exibida nos canais Futura, RTP África e na plataforma Globoplay. Em 2023, chegou ao formato de concerto, com apresentações em cidades brasileiras e participações de artistas do Brasil, Portugal, Cabo Verde e Angola. Em 2025, circulou também por São Tomé e Príncipe, a convite do Ministério da Cultura do Brasil, durante a Semana da Cultura da CPLP.
Em Mem Martins, a passagem pelo Ponto Kultural reforçou essa vocação de encontro entre margens, vozes e experiências. A rapper Mynda Guevara, de origens cabo-verdianas e que integra a nova temporada da série, descreveu a participação como “muito gratificante”, sublinhando o significado pessoal e artístico de ter gravado no Brasil e de fazer parte de um episódio que, nas suas palavras, “vai para um sítio especial, porque é feito de pessoas especiais também”. Já o investigador e assistente social António Brito Guterres enquadrou o projeto como continuação de uma conversa iniciada no Brasil, capaz de questionar a ideia de língua portuguesa como estrutura rígida e de propor formas mais amplas, diversas e inclusivas de pensar o idioma.
Ao apostar na música como elo entre memória, território e futuro, Meu Bairro, Minha Língua continua a afirmar que a língua também pertence às ruas, aos bairros e às periferias que a reinventam todos os dias. E foi precisamente essa ideia que atravessou o encontro no Ponto Kultural: a de que há uma história comum a ser contada entre margens do Atlântico, não a partir de um centro fixo, mas de muitas vozes que insistem em falar a partir dos seus próprios lugares.
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