Morreu Mário Marta, cantor cabo-verdiano ligado à morna contemporânea

17 de Abril de 2026
Morreu Mário Marta

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Mário Marta, cantor e compositor, que se afirmou como uma das figuras centrais da música lusófona contemporânea, faleceu na última madrugada, 17 de abril, aos 53 anos, avançou a RTP África. A causa da morte está relacionada com complicações de saúde após uma cirurgia, confirmou um familiar próximo à BANTUMEN. Deixa um legado de dedicação às raízes tradicionais e uma linhagem familiar que moldou o som de Cabo Verde nas últimas décadas.


O artista, que celebrizou a fusão entre a soul e os ritmos tradicionais como a morna e a coladeira, morreu na última madrugada, aos 53 anos, deixando uma carreira marcada pela excelência vocal e por uma profunda rede de afetos e parcerias familiares.


Nascido a 30 de agosto de 1972, na Guiné-Bissau, Mário Marta era filho de pai guineense e mãe cabo-verdiana. Foi em São Vicente que cresceu imerso numa "escola" musical doméstica. Herdeiro do talento da tia Eunice Marta e do tio compositor Maiúka Marta, Mário foi o elo de ligação entre a tradição clássica e a modernidade urbana.


Embora tenha mantido uma carreira paralela na gastronomia como chef de pastelaria, a sua voz foi sempre a sua principal assinatura. Em Portugal, onde residiu grande parte da vida, tornou-se uma peça fundamental da indústria, integrando o grupo gospel SHOUT! e colaborando com nomes como Rui Veloso, Mariza, Carminho, Tito Paris, Sara TavaresNancy Vieira.


O tio, o mentor e a Broda Music


A vida de Mário Marta confunde-se com a ascensão da produtora Broda Music. Como tio do fenómeno da música africana Djodje, Mário foi também mentor e colaborador constante. Durante anos, foi o principal backing vocal nas digressões mundiais do sobrinho, uma parceria de "sangue e amor incondicional", tal como o próprio afirmava.


Sob a chancela da editora fundada por Djodje e pelos irmãos, Mário lançou o aclamado álbum Ser de Luz (2021). O disco valeu-lhe três prémios nos Cabo Verde Music Awards (CVMA) e incluiu o sucesso "Aguenta", um dueto com Lura que se tornou um hino transgeracional. A sua cumplicidade familiar estendia-se também ao irmão, o talentoso cantautor e guitarrista Gerson Marta, reforçando o peso do apelido Marta na música lusófona.


Recentemente, Mário Marta tinha emocionado o público ao participar no Festival da Canção 2026. Interpretou o tema "Pertencer", uma canção escrita propositadamente para ele pelo sobrinho Djodje em conjunto com Alberto Koenig. A atuação foi vista como uma celebração da sua identidade crioula e um fecho de ciclo poético, com o sobrinho a retribuir, através da composição, todo o apoio que o tio lhe dera no início da carreira.


Com uma presença assídua na mítica Banda Monte Cara, em Lisboa, Mário Marta era respeitado pelos seus pares como um "músico de músicos".

Nas redes sociais, algumas personalidades já reagiram ao falecimento do artista. "É com uma profunda tristeza que aqui partilho esta notícia que me deixou em choque. O Mário era um amigo daqueles que ninguém consegue esquecer. Pois nunca ninguém conseguia estar triste ao pé dele. Com uma alegria, uma energia e uma risada contagiante, era muito mais que um óptimo cantor. Era uma pessoa realmente boa. Daquelas que nos querem bem, nos fazem bem e nos farão muita falta. Um especial abraço à sua esposa, às suas filhas, e aos seus familiares mais próximos", escreveu Luiz Caracol no Instagram.

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