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No final da tarde de 22 de junho, o Rooftop do Carmo em Lisboa, já se encontrava em movimento antes do início da atuação de Naika, num espaço sem palco definido, onde apenas a mesa do DJ estruturava a dinâmica da noite. O ambiente foi marcado pela presença de um público numeroso, distribuído entre grupos de conversa, o bar e a zona junto ao dj, que mantinha a energia através de uma seleção contínua de afrobeats e kompa.
A chegada de Naika aconteceu de forma discreta, e ainda assim a sua presença foi logo reconhecida. Bastou assumir o microfone e cumprimentar o público para que a dinâmica do espaço se alterasse de imediato, concentrando a atenção toda para ela. A resposta foi instantânea e coletiva, o que estabeleceu desde o primeiro momento uma ligação direta entre artista e público.
Naika apresentou uma abordagem de proximidade com quem se encontrava no recinto e recebeu de volta a mesma energia do público, numa troca constante que se manteve até ao final da atuação. O repertório incluiu temas como "One Track Mind" e "Memory on Me", pertencentes ao ECLESIA, o álbum de estreia lançado em fevereiro de 2026, que integra a atual digressão europeia da qual o concerto no Lisboa ao Vivo, no dia seguinte, 23, seria a primeira paragem em Portugal.
Victoria Naika Richard cresceu entre a Guadalupe, Vanuatu, o Quénia, Paris e África do Sul, filha de mãe haitiana e pai francês. É essa trajetória de deslocações que define um som que ela própria descreve como "world pop": pop, R&B e soul cruzados com konpa haitiano e influências caribenhas e africanas, cantados em inglês, francês e crioulo haitiano. O título do álbum vem do grego antigo - ekklesia, uma reunião de pessoas - e resume a intenção que atravessa o projeto e que naquela sala voltaria a tomar forma. Ao longo da atuação, o formato fugiu à lógica de concerto convencional, com as músicas da artista a surgir em articulação com as escolhas do dj.
O público respondeu esde o primeiro momento, ao cantar, reagir e a acompanhar cada momento. Naika adaptou-se, quando necessário, e seguiu a mesma dinâmica. A iluminação, centrada numa luz vermelha, destacava a artista sem criar uma separação rígida entre o público. Pelo contrário, reforçava a proximidade física e a sensação de partilha.
A atmosfera intimista do evento foi também resultado de uma curadoria pensada em aproximar a artista dos presentes. Segundo Ana Rita d’Almeida, CEO da Hausdown, o processo de organização foi desenvolvido em conjunto com a equipa de Naika. “A intenção deste evento, arquitetada em conjunto com a equipa da artista, foi construir uma sala que fizesse sentido para ela e para o público que a iria acompanhar no concerto no dia seguinte. E foi justamente isso que aconteceu. Apesar de recebermos quase duzentas pessoas, conseguimos que este fosse um evento intimista, com pessoas que já conheciam a artista e que partilham a sua boa vibe”, declarou.
No final da atuação, essa sensação manteve-se como o elemento mais consistente da noite. Mais do que uma sequência de temas ou uma apresentação estruturada de forma convencional, o momento afirmou-se pela relação descontraída de todos os que se encontravam no espaço. Naika apresentou em Lisboa as músicas do seu mais recente projeto, e pelo meio fez questão de deixar clara a diversidade cultural que caracteriza o seu percurso e a sua identidade artística.
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