Sexo, misticismo e rap, 7 razões para ver NandaTsunami ao vivo em Portugal

25 de Junho de 2026
NandaTsunami ao vivo em Portugal
Nandatsunami | ©Alisson Gabriel

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A artista brasileira NandaTsunami inicia em Portugal a sua primeira Eurotour, com passagens pelo Porto, Lisboa e Faro entre 26 e 28 de junho, antes de seguir para Manchester, Londres, Barcelona, Paris, Dublin e Berlim. A chegada acontece depois de a MC e compositora paulistana ganhar maior projeção com “P.I.T.T.Y. (Parecendo Uma Cafetina)”, faixa que já ultrapassa os 62 milhões de reproduções no Spotify e ampliou a sua presença no rap brasileiro.


Nome artístico de Fernanda Xavier Ferreira Santana, NandaTsunami tem vindo a construir uma identidade em que funk paulista, trap, R&B, afrobeats e electrónica se cruzam com desejo, vulnerabilidade, sexo, espiritualidade e autoconhecimento. Mais do que apresentar um repertório, a artista leva ao palco um universo em que música, corpo, estética e presença fazem parte da mesma linguagem.


A razão para sair de casa vai além do facto de esta ser a sua primeira digressão europeia. Está também na forma como NandaTsunami transforma experiências íntimas, desejo feminino, meditação, insegurança, estética de pista e códigos do rap numa proposta artística própria. O concerto interessa porque a música ganha outra dimensão quando chega ao corpo, à imagem e à relação com o público.


1. NandaTsunami não separa música, corpo e imagem


Antes de se afirmar como rapper, a artista já orbitava o universo da música pela imagem. Criava joias, bijuterias e correntes para artistas usarem em videoclipes, fotografias e palcos. Essa fase inicial ajuda a perceber a forma como constrói a sua própria presença artística, em que nada aparece por acaso.


Roupa, cabelo, unhas, acessórios, postura e movimento fazem parte de uma estratégia visual que funciona como extensão daquilo que canta. Ao vivo, essa dimensão ganha outro peso, porque a artista encena uma personagem que molda a energia e forma de ocupar espaço.


Ver NandaTsunami em palco é perceber como uma nova geração da música urbana brasileira olha para a produção numa vertente 360º. Comportamento, imagem, internet, moda e performance fazem parte de um universo em que a música é o centro, mas tudo à volta comunica.


2. Fala de sexo sem reduzi-lo a provocação


A sexualidade é um dos pilares da sua obra, mas nunca como elemento de choque, marketing ou provocação vazia. Nas suas músicas, o sexo funciona como uma forma de falar sobre autonomia, desejo, poder, insegurança e identidade.


A artista parte de uma experiência muito reconhecível para muitas mulheres: crescer sob olhares de sexualização, tentar perceber o que é desejo próprio e o que é a expetativa imposta, negociar culpa, prazer, julgamento e liberdade. Ao colocar esses temas em faixas dançáveis, explícitas e diretas, NandaTsunami recusa a ideia de que o desejo feminino deve permanecer escondido ou domesticado.


3. “P.I.T.T.Y.”inverte a lógica patriarcal do rap e funk


“P.I.T.T.Y. (Parecendo Uma Cafetina)” foi a faixa que levou muita gente até NandaTsunami. O tema viralizou nas redes, ganhou força nas plataformas e tornou-se cartão de visita da artista. Mas reduzi-la a esse momento seria perder a parte mais interessante da história.


A música funciona porque inverte códigos e parte de uma linguagem muitas vezes associada ao domínio masculino no rap e no funk, onde mulheres aparecem como objeto de conquista, posse ou exibição, e devolve essa lógica com ironia, controlo e afirmação feminina. NandaTsunami não rejeita necessariamente esses códigos, mas apropria-se deles, torce-os e coloca-se no centro da narrativa.


A faixa também dialoga com referências pop e musicais reconhecíveis, incluindo a homenagem à cantora Pitty, citada no título e na letra. O resultado é uma música que circula entre humor, sexualidade, provocação e crítica aos bastidores de uma indústria onde mulheres continuam muitas vezes desvalorizadas, assediadas ou lidas a partir do corpo antes de serem reconhecidas como criadoras.


4. Vulnerabilidade por trás da atitude


A imagem de NandaTsunami pode chegar primeiro pela confiança e pela sensualidade, mas o seu trabalho também nasce de diários, términos, paixões, frustrações, dúvidas e processos de transformação.


A primeira faixa, “Novinho Chora”, nasceu de um fim de relação conturbado. É um tema escrito a partir daquilo que gostaria de estar a sentir: confiança, resposta, poder, controlo, num gesto que ajuda a perceber uma das forças da sua escrita.


No álbum É Disso Que Eu Me Alimento, essa dimensão aparece de forma mais amadurecida. A artista trabalha desejo, dor, autoestima, insegurança e reconstrução emocional dentro de uma sonoridade que passa pelo funk paulista, trap, R&B, afrobeats e electrónica. A pista continua lá, mas há sempre uma tensão entre festa e confissão.


5. O misticismo e a terapia também entram na música


No seu universo, meditação, autoconhecimento e saúde emocional atravessam a forma como a obra é pensada e construída.


No EP Tsunami Season, a abertura recria uma espécie de sessão de meditação, conduzindo quem ouve para uma experiência quase sensorial. A escolha aponta para uma artista interessada em transformar a música num espaço de elaboração interna, onde a segurança e a fragilidade podem coexistir.


No single “Faço Acontecer”, essa estética mística ganha uma dimensão visual mais explícita. Nanda surge como uma espécie de feiticeira contemporânea, imagem que remete à força do sufixo “Tsunami”, usado no nome artístico.


Ao vivo, essa camada pode ganhar outros contornos, principalmente porque a artista apresenta-se como alguém que cria atmosferas, rituais e espaços de identificação emocional.


6. Representa uma nova vaga da música urbana brasileira


NandaTsunami pertence a uma geração que cresceu entre a cultura de pista, a estética dos anos 2000, a moda, os videoclipes e as comunidades digitais. A sua música não cabe facilmente numa só etiqueta, e talvez seja exatamente essa a sua força.


Do funk paulista ao trap, passando por rap, afrobeats, electrónica e R&B, a artista recorre a géneros diferentes para construir uma linguagem própria. A música de NandaTsunami está interessada no corpo, na noite, na autoimagem, nas relações, na espiritualidade e no que acontece quando uma mulher decide narrar o desejo a partir de si.


Ver a artista em Portugal é acompanhar uma artista num momento em que a música urbana brasileira continua a atravessar fronteiras, quer pelos nomes já consolidados, quer por vozes que crescem a partir da internet e são capazes de criar identificação direta com o público.


7. Esta Eurotour acontece num momento decisivo da carreira


A apresentação na Europa acontece num momento de expansão, ainda a testar públicos, linguagens e territórios.

O arranque será em Portugal, com três datas consecutivas: Porto, Lisboa e Faro. Depois, a artista segue para Manchester, Londres, Barcelona, Paris, Dublin e Berlim. O roteiro é, em si mesmo, um sinal de que o seu trabalho começa a circular para lá do Brasil e a encontrar novas comunidades de escuta.


Para quem já acompanha NandaTsunami, os concertos são oportunidade de ver ao vivo um universo que até aqui chegou sobretudo por plataformas, vídeos e redes sociais. Para quem ainda não a conhece, funciona como entrada direta num projeto artístico em que o rap encontra o funk, a terapia encontra a pista e o desejo feminino deixa de ser subtexto para ocupar o centro.


Próximos concertos:

26 de junho, Porto, Kebraku
27 de junho, Lisboa, Embrasa Clube
28 de junho, Faro, Art Haus Club
3 de julho, Manchester, L4 Banca
4 de julho, Londres, L4 Banca
5 de julho, Barcelona, La Nau
9 de julho, Paris, L4 Banca
10 de julho, Dublin, Opium, com Handz Up Events
12 de julho, Berlim, Unides Agency

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