França ganhou no Mundial, Paris dançou com NandaTsunami

10 de Julho de 2026
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©BANTUMEM

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Na madrugada de 10 de julho, Paris já vinha em estado de festa antes de NandaTsunami subir ao palco. Cerca de 45 minutos antes do concerto, a seleção francesa tinha vencido Marrocos por 2-0 nos quartos-de-final do Mundial de 2026 e garantido lugar nas meias-finais. Nas ruas, a celebração ainda corria solta. Dentro do SACRÉ, no número 142 da Rue Montmartre, a festa mudou de campo: saiu do futebol e entrou no funk, no rap e no corpo.


A noite tinha sido desenhada precisamente para esse cruzamento. O evento em Paris incluía a transmissão de França-Marrocos em ecrã gigante, antes do concerto de NandaTsunami e de uma after party até às cinco da manhã. A proposta da La Banca, responsável pela ativação da artista em Paris e Londres, juntava funk brasileiro, hip hop, rap, trap e sons globais num mesmo espaço, com apoio da 9house, de Paris, e da ALT BAILE, de Londres, representada pelo DJ GBRL.


Quando NandaTsunami entrou, a cidade ainda trazia a eletricidade do jogo. Mas a rapper brasileira trazia a sua própria celebração, distinta da euforia francesa: a de uma artista paulistana que encerra a primeira digressão europeia um ano depois de lançar o álbum É Disso Que Eu Me Alimento, testando em palco aquilo que a sua música já vinha a construir nas plataformas: desejo, rua, provocação, humor, presença e uma ideia muito própria de poder feminino.


O concerto começou com “Pontos de Áurea”, abrindo espaço para uma energia que marcaria o restante alinhamento. Depois veio “Sete Maridos”, momento em que o público respondeu com a familiaridade de quem não estava ali por acaso. Havia franceses, brasileiros emigrados em Paris e uma mistura de públicos que, naquela noite, fizeram do SACRÉ um ponto de encontro temporário.


A casa noturna ocupa um endereço com memória na noite parisiense: o 142 da Rue Montmartre, ligado ao antigo e mítico Social Club. Hoje, o SACRÉ funciona como clube, bar e espaço de programação noturna, entre a pista, o palco e a cultura eletrónica. Pela sua agenda já passaram nomes como Bob Sinclar, Laurent Garnier, Étienne de Crécy, Folamour, Jonas Blue, La Mano 1.9, J9ueve e JRK 19. NandaTsunami entra, assim, numa geografia de nomes grandes, mas por uma porta própria: a de uma nova geração brasileira que não pede licença para ocupar a Europa.


Fiel à presença que a define, NandaTsunami não se contentou com o palco e em 'Oi Linda', desceu para o meio do público e cantou a um passo de quem também sabia a letra. Mais tarde, interrompeu o concerto para agradecer a quem estava presente, incluindo os seguranças. O fecho veio com “P.I.T.T.Y.”, tema que ampliou a sua projeção e se tornou um dos pontos de entrada para muitos ouvintes. Cantou-a uma vez. E depois cantou de novo, porque soube a pouco para a mulherada.


Paris marcou mais um capítulo de uma rota que começou em Portugal e que termina na Alemanha, com uma apresentação em Berlim, marcada para 12 de julho. Antes da capital francesa, a cantora passou por Lisboa, Porto e Faro, seguindo depois para Londres e Barcelona. Mais do que uma estreia internacional, esta passagem pela Europa serviu como ensaio de escala com o intuito de perceber se a força digital de uma artista brasileira emergente se transforma em presença física, bilheteira, comunidade e memória.


França celebrava a continuação no Mundial, Paris ainda vibrava com o jogo, e NandaTsunami celebrava o sexto concerto da sua tour no meio de brasileiros, franceses e corpos disponíveis para outra forma de vitória: a de uma artista que começa a provar que a nova música urbana brasileira também tem lugar nas pistas e palcos europeus.

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