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Na periferia de Maputo, a Mafalala ocupa um lugar central na memória política, cultural e social de Moçambique. Conhecido por ter sido berço de figuras incontornáveis da história moçambicana - da literatura ao futebol, da política à música -, o bairro acolhe, até 21 de junho, a exposição coletiva de fotografia O Nosso Bairro, patente no Museu Mafalala.
A mostra reúne imagens captadas por crianças da Associação Juvenil Machaka ao longo de um ano de workshops de fotografia e storytelling. Mais do que desenvolver competências técnicas, o processo procurou incentivar os participantes a olharem para o seu quotidiano como algo digno de registo, memória e representação.
As crianças descrevem a experiência como uma “descoberta da beleza”, através da ressignificação de momentos comuns da vida no bairro. Ao longo das sessões, aprenderam também ferramentas de narrativa visual e criativa para contar as suas próprias histórias e partilhar o que significa crescer na Mafalala, muitas vezes associada, no imaginário externo, à violência e à precariedade.
“Somos uma instituição que trabalha a memória e a construção de narrativas. Sentimos que este exercício era importante, porque uma imagem vale mais do que mil palavras”, afirma Ivan Laranjeira, diretor do Museu Mafalala.
Através das fotografias, a exposição propõe um olhar íntimo sobre o bairro: os becos transformados em espaços de brincadeira, as amizades, os laços familiares, o trabalho comunitário e os gestos do quotidiano que moldam a vida no bairro. Em cada imagem, sobressai a perspetiva dos mais novos sobre o que significa ser mafalalense, numa narrativa marcada pela convivência, pela cultura e pelo sentido de comunidade.
A iniciativa foi coordenada pela Associação Cultural de Canto e Dança Machaka e pela fotógrafa Louisa Richards, responsável pela curadoria de mais de três mil fotografias produzidas durante o projeto.
Caraterizada por ruas estreitas, becos e casas maioritariamente construídas em chapa de zinco, a Mafalala é também um dos bairros mais simbólicos da capital moçambicana. Ao longo das suas ruas, multiplicam-se murais dedicados a figuras históricas como Samora Machel, Joaquim Chissano, Eusébio, José Craveirinha e Noémia de Sousa.
Ao longo das décadas, o território afirmou-se também como um símbolo de convivência entre diferentes comunidades étnicas e religiosas. Essa diversidade cultural continua a atrair investigadores, artistas e autores interessados na história social de Maputo e de Moçambique.
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