Os artigos mais lidos da semana 06/53

8 de Fevereiro de 2026
Os artigos mais lidos da semana 06/53
©Globo/Estevam Avellar

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Nos últimos sete dias, o ranking dos artigos mais lidos na BANTUMEN foi liderado pela chegada de Welket Bungué à nova novela da TV Globo, que coloca personagens afrodescendentes no centro do poder, do romance e da herança simbólica.

Seguiu-se a entrevista a Paula Varela, que, através da 4.Operations, abordou os desafios estruturais do setor dos transportes, a escassez de mão de obra e o papel dos recursos humanos enquanto agente de transformação económica e social.


Entre os conteúdos mais procurados esteve também o artigo de opinião de Zola Pedro sobre quem controla Angola, uma reflexão crítica em torno da soberania, da dependência estrutural e dos limites entre independência formal e autonomia real no país.


A fechar a lista dos artigos mais lidos da semana estiveram o percurso de Idio Chichava, que evidenciou como a dança contemporânea em Moçambique se constrói, e o artigo de opinião de Rachide Incote sobre a disputa em torno da simbologia do PAIGC, na Guiné-Bissau.


Welket Bungué é rei em nova novela da Globo


Num horário de prestígio da televisão brasileira, “A Nobreza do Amor” chegou para virar o jogo. Pela primeira vez, uma novela da TV Globo constrói um universo onde personagens afrodescendentes ocupam o centro do poder, do prestígio e do romance, não como exceção ou conquista, mas como herança, influência e pertença. Entre palácios simbólicos e afetos em disputa, a trama, que estreia no dia 16 de março, ganha ainda mais força com a presença de Welket Bungué. Numa produção de grande escala que cruza África e Brasil numa fábula afro-brasileira ambientada nos anos 1920, o ator guineense assume um dos papéis centrais ao dar vida ao rei Cayman II, monarca do reino fictício de Batanga.


Através da 4.Operations, Paula Varela lidera novas respostas para o setor dos transportes


Num setor marcado pela escassez de mão de obra, pela rotatividade e por modelos ainda resistentes à mudança, a área dos recursos humanos tornou-se um dos principais campos de disputa no futuro dos transportes. Foi nesse território que Paula Varela construiu a 4.Operations, empresa especializada em recrutamento e retenção de talento para o setor dos transportes. Em entrevista à BANTUMEN, falou de percursos não lineares, da importância de alinhar expectativas entre empresas e profissionais, da necessidade de tornar visíveis profissões essenciais e pouco valorizadas e do papel que os recursos humanos assumiram enquanto agente de transformação num setor estrutural da economia. A conversa passou ainda pela liderança feminina num contexto historicamente masculino, pela mobilidade laboral entre Europa e África e pelo que significou, hoje, empreender sem romantizar o processo.


Quem controla Angola?


Neste artigo de opinião, Zola Pedro propôs uma leitura crítica do percurso do país desde 1975, ao questionar os limites entre independência formal e autonomia real. A partir de dados económicos, sociais e culturais, o autor analisou a persistente dependência do petróleo, o peso da dívida pública, a fragilidade da base produtiva, a precariedade do emprego jovem e a importação contínua de modelos económicos, culturais e tecnológicos. O texto convocou ainda o debate sobre soberania digital e dependência intelectual, defendendo que a independência por concluir já não se resolveu no plano simbólico, mas nas escolhas estruturais que o país esteve — ou não — disposto a fazer.


Como Idio Chichava está a transformar a dança contemporânea em Moçambique


A dança contemporânea moçambicana afirmou-se como um campo de pesquisa artística com identidade própria, e o percurso de Idio Chichava ofereceu uma chave decisiva para essa leitura. Formado entre práticas tradicionais e o contacto com metodologias internacionais, o coreógrafo construiu uma linguagem que partiu do quotidiano, da memória e da relação direta com a comunidade, numa lógica de recusa perante a importação de modelos europeus.


PAIGC e a disputa pela bandeira, um ataque à democracia na Guiné-Bissau


O Comando Militar da Guiné-Bissau anunciou a intenção de avançar com a alteração da bandeira e da simbologia do PAIGC, uma decisão que incidiu sobre símbolos historicamente associados ao movimento que liderou a luta de libertação do país. Neste artigo de opinião, Rachide Incote analisou o enquadramento histórico e político desta iniciativa, recuperou a origem da simbologia do PAIGC no processo de independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, e discutiu as implicações institucionais e democráticas de qualquer tentativa de impor mudanças simbólicas fora dos órgãos legitimamente eleitos.

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