Estes foram os artigos mais lidos de 2025 na BANTUMEN

4 de Janeiro de 2026
os artigos mais lidos de 2025

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2025 chegou ao fim e, como é habitual, olhamos para trás para perceber que temas, histórias e vozes marcaram a agenda editorial da BANTUMEN ao longo do ano. Entre música, política, justiça social, cultura e identidade, os artigos mais lidos mostram um público atento às questões imediatas do presente e, ao mesmo tempo, às memórias e narrativas que ajudam a construir o futuro.


O ano começou com um forte impacto social. Logo em janeiro, a entrevista sobre a experiência de Ana de Oliveira, mulher cabo-verdiana a viver com VIH, abriu espaço para uma conversa necessária sobre estigma, saúde pública e empatia. O seu testemunho cru e corajoso tornou-se num dos conteúdos mais mobilizadores do início do ano. Sobre este tema, vale sublinhar que Portugal mantém uma taxa de infeção três vezes superior à média europeia. Até 30 de junho de 2025, foram notificados 997 novos casos de infeção por VIH, com diagnóstico em 2024. A maioria dos casos em adolescentes e adultos ocorreu em homens (72,3%) e a taxa mais elevada de novos diagnósticos registou-se no grupo etário dos 25 aos 29 anos. Estes números lembram que a resposta ao VIH passa por educação contínua, acesso à saúde e conversas abertas, sem tabus nem estigmas.


Seguindo no top dos mais lidos do ano, em fevereiro a música assumiu o protagonismo com o regresso da Força Suprema à sua génese. O novo álbum, agora com NGA e Don G, despertou interesse pela sonoridade, mas também pela reflexão em torno da maturidade artística, das mudanças internas e do legado do grupo no rap lusófono.


Março foi marcado pela celebração da música enquanto território de encontro. A estreia do Festival Sotaques, em Vialonga, com assinatura dos Wet Bed Gang, refletiu o entusiasmo em torno de um cartaz inteiramente em português, atravessado por múltiplas geografias, sotaques e identidades. O sucesso da iniciativa foi um feito que valeu ao grupo uma distinção na PowerList BANTUMEN 100, na edição de 2025.


Em abril, a política cruzou-se com a cultura. A entrada de Eva Rapdiva na corrida à Assembleia da República simbolizou renovação, representatividade e o encontro entre arte, ativismo e espaço institucional.


Maio trouxe uma reflexão aprofundada sobre identidade e indústria cultural. A conversa com Luís Firmino colocou em evidência questões ligadas à língua, ao crioulo, à pertença e ao futuro da música cabo-verdiana.


O mês de junho ficou marcado por um dos casos mais acompanhados do ano. A morte de Maria Luemba, jovem angolana encontrada morta em Aveiro, mobilizou leitores dentro e fora da diáspora e levantou questões urgentes sobre justiça, racismo institucional, saúde mental e o direito das famílias à verdade. Até agora, não foram reveladas novas informações mas a investigação do caso foi reaberta pela Polícia judiciária, de acordo com o noticiado num programa do canal SIC.

Em julho, o debate voltou-se para dentro da própria comunidade negra com a “Carta aberta aos homens negros que odeiam as mulheres negras”. O artigo de opinião de Wilds Gomes confrontou o machismo normalizado e a violência simbólica exercida contra mulheres negras, gerando reflexão, desconforto e um debate necessário sobre responsabilidade coletiva.


Agosto foi marcado pela tragédia em Cabo Verde, após a tempestade que assolou São Vicente e Santo Antão. A procura por informação útil e formas concretas de apoio refletiu-se na ampla mobilização em torno das iniciativas de solidariedade divulgadas. O balanço da tragédia dita que em poucas horas choveu mais em São Vicente do que em toda a estação pluviosa na região. As chuvas torrenciais transformaram ruas em rios, destruíram habitações (especialmente em zonas de construção precária), arrastaram viaturas para o mar e provocaram o colapso de redes de água, luz e saneamento. No total, nove pessoas perderam a vida e pelo duas continuam desaparecidas.


Em setembro, a memória histórica e a justiça social voltaram a ocupar o centro do debate com o anúncio do Black Europeans Lisbon Summit 2025, dedicado aos 140 anos da Conferência de Berlim. O interesse gerado revelou a urgência de promover debates estruturais sobre racismo, história e pertença no contexto europeu. Para a BANTUMEN, esta notícia chegou mesmo a motivar um fact-check no programa televisivo Polígrafo, depois de a extrema-direita portuguesa ter disseminado inverdades, nomeadamente a alegada utilização de dinheiros públicos na organização do evento, uma afirmação falsa e sem fundamento.


Em outubro, a cultura voltou a liderar audiências no final do ano com o documentário “Complô”, que acompanha a vida do rapper Ghoya, após receber uma menção honrosa no Doclisboa 2025, tornando-se um dos artigos mais lidos do ano.


Em novembro, a música angolana ganhou projeção internacional com a escolha de “Mona Ki Ngi Xica”, de Bonga, para uma campanha da Bugatti.


O ano encerrou em grande com a Powerlist BANTUMEN 100 de 2025, apresentada em Lisboa a 6 de dezembro. A celebração das personalidades afrodescendentes mais influentes do ano reforçou a centralidade das vozes negras na construção do presente e do futuro da lusofonia.


O VIH/Sida vive entre nós. Esta é a história de Ana de Oliveira


Ana de Oliveira é muito mais do que uma profissional de saúde ou uma ativista. Cabo-verdiana nascida em Portugal, tem 47 anos, vive no Reino Unido e é mãe de quatro crianças - um casal e os dois sobrinhos de quem cuida desde pequenos. A história de vida de Ana é marcada por uma coragem silenciosa e pela determinação de transformar a dor em força, tanto para si como para os outros.


Diagnosticada com VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) há quase seis anos, Ana descreve o momento dessa descoberta como uma fase extremamente difícil, especialmente, por ter enfrentado não só o impacto do diagnóstico, mas também o peso do estigma. Contudo, a sua formação académica em Ciências Biomédicas e os seus mais de 20 anos de experiência na área da saúde ofereceram-lhe uma base para entender a doença e, eventualmente, para encontrar um caminho de resiliência e propósito.


Força Suprema "raiz" e o lançamento de "Baseado Em Factos Reais"


A Força Suprema - de volta à sua génese, agora apenas com NGA e DON G - lançou o álbum "Baseado Em Factos Reais" no Dia dos Namorados, 14 de fevereiro, data que recorda a série de mixtapes "A Prenda".


O álbum surge num momento de mudanças significativas para o grupo. Em entrevista para a BANTUMEN, NGA e Don G abriram o jogo sobre a nova dinâmica do grupo. Os artistas destacaram que, apesar das saídas, não há atritos entre os restantes membros. "As pessoas problematizam porque é a Internet. Mas na vida real, nas empresas, trabalhamos com aquilo que faz sentido para alcançar os objetivos. Com a maturidade, tu vais selecionando as pessoas que tu achas que se enquadram dentro daquilo que podem adicionar ao quadro", acrescentaram.

Festival Sotaques em Vialonga com assinatura Wet Bed Gang


O Festival Sotaques estreou-se em 2025 com três dias de concertos gratuitos no Parque Urbano Quinta da Flamenga! De 23 a 25 de maio, os Wet Bed Gang juntaram-se à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para celebrar a diversidade da música em português.


O cartaz? 100% em português, mas com sotaques que atravessam mundos. Gson, Kroa, Zara G e Zizzy regressaram assim a casa para o primeiro grande espetáculo em nome próprio, ao lado de pesos pesados como Deejay Telio, Mariza, Phoenix RDC, Regula, Força Suprema, Mizzy Miles, Bonga, Nenny e Soraia Ramos.

Quem é Eva Rapdiva, deputada na Assembleia de República de Portugal


A candidatura de Eva acontece num momento de renovação das listas do PS e reflete uma aposta na diversidade e na representatividade cultural. Nascida em Portugal, a 7 de Outubro de 1988, Eva cresceu na Arrentela, concelho do Seixal, onde começou a ouvir rap com apenas 8 anos. Ao longo da última década, a artista destacou-se como uma das vozes femininas mais relevantes do rap lusófono, aliando a arte ao activismo social e político. As suas letras abordam temas como a igualdade de género, direitos humanos, e a realidade sociopolítica de Angola e da diáspora africana.


“Cabo Verde tem talento à vontade”, a crítica (e proposta) de Luís Firmino à indústria local


Durante o AME 2025, sentámo-nos com Luís Firmino para uma conversa franca sobre Cabo Verde, língua e cultura. O artista, filho de São Vicente, fala com a mesma leveza com que compõe: com raízes firmes e espírito livre.


Cresceu a ouvir mornas, pegou no violão aos 16, e hoje é a voz de um coletivo que quer mais do que palcos - quer criar sentimento. Para Firmino, a música é liberdade. E o crioulo, muito mais do que um dialeto: é identidade, é casa, é futuro.


Maria Luemba, uma morte que levanta perguntas e um apelo coletivo por justiça


"Maria podia ser a nossa filha, irmã, amiga." Foram com estas palavras que milhares de pessoas se uniram para pedir justiça no caso de Maria Luemba, uma jovem angolana de 17 anos encontrada morta em casa, no dia 12 de junho, na cidade de Aveiro, em Portugal. A sua morte, envolta em dor, suspeitas e muitas perguntas ainda sem resposta, mobilizou não só a comunidade angolana na diáspora, mas também cidadãos portugueses e defensores dos direitos humanos.


Carta aberta aos homens negros que odeiam as mulheres negras 


No seu artigo de opinião, Wilds Gomes questiona o machismo e a desvalorização das mulheres negras dentro da própria comunidade negra. Partindo de exemplos do quotidiano e das redes sociais, denuncia a reprodução de estereótipos racistas e misóginos por homens negros, lembrando que as mulheres negras acumulam violências dentro e fora da comunidade. O autor defende a necessidade de repensar as masculinidades negras e sublinha que amar, proteger e valorizar a mulher negra é um ato de consciência, resistência e transformação social.



Tragédia em São Vicente mata pelo menos 4 pessoas


Após a devastadora tempestade que assolou a ilha de São Vicente na noite de 10 para 11 de agosto, o povo cabo-verdiano, tanto no país como na diáspora, mobilizou-se para apoiar as vítimas e ajudar na recuperação das áreas afetadas. A tempestade Erin, que se formou a oeste do arquipélago, causou danos significativos às infraestruturas das ilhas de São Vicente e Santo Antão e resultou na perda de nove vidas e duas pessoas desaparecidas, de acordo com as últimas informações divulgadas.



Lisboa recebeu o Black Europeans Lisbon Summit 2025 sobre memória colonial e justiça social


No sábado, 20 de setembro de 2025, Lisboa recebeu o Black Europeans Lisbon Summit 2025, um encontro internacional que reúne ativistas, investigadores, educadores e líderes comunitários de países europeus para debater a memória histórica, celebrar a diversidade e refletir sobre o legado da Conferência de Berlim.


Com o tema “Conferência de Berlim – 140 anos: Nunca Esquecer!”, o evento refletiu sobre o legado da partilha colonial de África, ocorrida em 1884-1885, e os impactos que ainda hoje se fazem sentir nas comunidades afrodescendentes europeias. Lisboa foi escolhida como palco simbólico devido à sua diversidade cultural e à presença significativa de comunidades africanas e afrodescendentes, representando tanto a memória do colonialismo como a força criativa das mesma.



“Complô”, filme que retrata a vida do rapper Ghoya, distinguido com menção honrosa no Doclisboa 2025


O documentário "Complô", realizado por João Miller Guerra, foi distinguido com uma menção honrosa na Competição Portuguesa da 23.ª edição do Doclisboa.



A distinção reconhece o olhar íntimo e politicamente incisivo do realizador sobre a vida de Ghoya, rapper e ativista luso-cabo-verdiano que vive entre versos, fronteiras invisíveis e um sentimento de pertença constantemente negado. A produção, que teve estreia nacional no festival, mergulha nas tensões entre identidade, burocracia e desigualdade, retratando um país que ainda se debate com a ideia de inclusão e cidadania plena.



Em Complô, Miller Guerra acompanha o artista nas suas rotinas diárias, gravações e momentos de introspeção, expondo com delicadeza as contradições de uma sociedade que continua a marginalizar parte dos seus próprios filhos. A câmara observa Ghoya enquanto pai, criador e homem em confronto com um sistema que o reconhece como cidadão de segunda linha, um retrato simultaneamente pessoal e político.



Bugatti escolhe “Mona Ki Ngi Xica”, de Bonga, para nova publicidade internacional


A Bugatti lançou uma nova peça publicitária internacional que integra a música “Mona Ki Ngi Xica”, de Bonga, um dos temas mais emblemáticos da discografia angolana. Filmado na Costa del Sol, em Espanha, o anúncio combina sequências de condução com planos que destacam o ambiente associado à Maison Bugatti, enquanto a voz de Bonga estabelece o ritmo e a atmosfera sonora da narrativa.


A escolha desta abordagem acompanha o movimento que a marca tem desenvolvido nos últimos anos, com a expansão para o universo lifestyle através da Maison Bugatti. A publicidade agora divulgada insere-se nessa estratégia ao destacar um cenário que junta condução, estética e elementos de estilo de vida. “Mona Ki Ngi Xica” foi originalmente publicada em 1972, no álbum Angola 72 e tornou-se numa referência incontornável da música angolana, reconhecida pelo seu caráter emotivo e pela forma como reflete vivências marcadas pela deslocação e pela separação durante o período colonial.



Estas são as personalidades negras mais influentes de 2025


A quinta edição da Powerlist BANTUMEN 100, revelada a 6 de dezembro, celebrou cem personalidades afrodescendentes que estão a moldar o presente e a redefinir o futuro. Da Ciência à Cultura, da Comunicação ao Empreendedorismo, esta edição reafirma a centralidade e o impacto das vozes negras no espaço lusófono. Construída em colaboração com vários meios de comunicação de língua portuguesa (Balai CV, BANTUMEN, CULTNE TV, Notícia Preta, RSTP, Jornal Expansão e Xonguila) e com o contributo de curadores distinguidos em edições anteriores, a PowerList reforça a diversidade de perspetivas e a legitimidade de uma geração que está a transformar narrativas.



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