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O Festival Paraíso regressa a Braga nos dias 11 e 12 de setembro para uma nova edição dedicada às expressões artísticas afrodescendentes e lusófonas, reunindo música, cinema, pensamento crítico, mediação cultural e gastronomia num programa distribuído entre o Theatro Circo, o gnration e a Livraria Centésima Página. Sob o tema "Passado e Futuro na Afrodescendência", a iniciativa convida artistas, investigadores, mediadores culturais e organizações da sociedade civil a refletirem sobre a forma como as experiências do presente continuam a ser moldadas pelas histórias que as antecederam e pelas possibilidades que ainda estão por construir.
Com coordenação curatorial de Nuno Abreu, curadoria de pensamento e mediação da BANTUMEN e de Rosa Cabecinhas, e programação de cinema assinada por Kitty Furtado, o festival afirma-se como um espaço onde a criação artística dialoga com questões como a colonialidade, as migrações, a educação antirracista, a participação cívica e a produção de conhecimento. Ao longo dos dois dias, concertos, debates, cinema, dança e momentos de convívio sucedem-se numa programação que procura aproximar diferentes públicos em torno de temas que continuam a marcar a sociedade contemporânea.
A programação arranca na sexta-feira, 11 de setembro, com mais uma edição das Conversas do Paraíso, subordinada à pergunta "Que formas de existir entre o que herdamos e o que construímos?". O encontro reúne David Ferreira, Isabel Macedo e Saidatina Khady Dias, sob moderação de Marisa Mendes Rodrigues, diretora da BANTUMEN, para discutir a forma como memória, migrações, pertença e diversidade cultural continuam a marcar as experiências individuais e coletivas. A partir de perspetivas que vão da investigação académica ao trabalho desenvolvido junto das comunidades migrantes, a sessão procura refletir sobre o modo como as heranças do passado permanecem presentes nas estruturas sociais, nas relações humanas e na construção de novas formas de participação.
Ainda na sexta-feira, o cinema assume um lugar de destaque com a exibição de Si Destinu (2016), da realizadora Vanessa Fernandes. O filme acompanha Awa, uma adolescente que vive em Lisboa e vê o seu futuro condicionado pelas expectativas da família paterna, residente na Guiné-Bissau, propondo uma reflexão sobre os mecanismos de poder que atravessam gerações e fronteiras. A sessão prolonga-se numa conversa entre Vanessa Fernandes e Kitty Furtado, centrada em temas como ancestralidade, feminismo, memória, família e Black Gaze, tomando o cinema como ferramenta de questionamento político e de construção de novas narrativas sobre a experiência negra.
O segundo dia do festival, 12 de setembro, abre com a apresentação do processo de desenvolvimento do Manual Antirracista para as Artes e Educação, uma iniciativa da União Negra das Artes integrada nas comemorações do centenário de Amílcar Cabral. Concebido como um instrumento dirigido aos setores cultural e educativo, o projeto pretende contribuir para o fortalecimento de práticas antirracistas em contextos formais e informais, dando origem, numa fase posterior, a uma publicação em formato de livro-objeto-plataforma.
A programação prossegue com um almoço comunitário preparado pela chef cabo-verdiana Ana Teresa Correia, acompanhado por DJ Chipula, antes de dar lugar a uma conversa sobre o papel da criação coletiva na contestação da colonialidade. António Zaqueu, Luege D'Olim e Sarina Azevedo partem das suas experiências enquanto jovens migrantes residentes em Portugal para refletir sobre identidade, participação e cidadania, numa sessão moderada pela investigadora Luiza Lins e integrada no projeto europeu CONCILIARE. Através da dança, da poesia, da música e da escrita, o encontro propõe pensar a arte como ferramenta de intervenção social e de construção de comunidades mais inclusivas.
O encerramento da edição de 2026 acontece na noite de dia 12, no Theatro Circo, com a atuação da Cesária Évora Orchestra. Criada para preservar e revisitar o legado da cantora cabo-verdiana, a formação reúne músicos que acompanharam Cesária Évora ao longo da sua carreira internacional e sobe ao palco com Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre. O concerto recupera alguns dos temas mais emblemáticos da morna e da coladeira, encerrando dois dias de programação em que a música, o pensamento e a criação artística se afirmam como formas complementares de revisitar o passado e projetar o futuro da afrodescendência.
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