CPLP cria prémio literário para novas vozes da língua portuguesa

6 de Maio de 2026
prémio literario cplp

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A língua portuguesa atravessa continentes, memórias, disputas e pertenças. Está nas livrarias de Lisboa, nas editoras independentes de Luanda, nos saraus de Maputo, nas bibliotecas de Bissau, nas vozes crioulas de Cabo Verde, nas narrativas de São Tomé e Príncipe, nos arquivos do Brasil e nas histórias ainda pouco conhecidas de Timor-Leste. É nesse espaço amplo, desigual e muitas vezes fragmentado que a CPLP decidiu criar um prémio literário dedicado a escritores emergentes.

A decisão foi tomada esta terça-feira, 5 de maio, em Díli, Timor-Leste, durante a XIV Reunião de Ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O encontro decorreu sob o tema “Salvaguarda da Herança Cultural, na Promoção da Identidade e Cidadania na CPLP” e juntou representantes dos Estados-membros da organização.


O novo galardão terá o nome Prémio Literário da CPLP: A arte de escrever em língua portuguesa, novas vozes e pretende incentivar, reconhecer e divulgar autores em início de percurso. A distinção deverá contribuir para a promoção da diversidade cultural e para o fortalecimento do espaço literário da CPLP.


A criação do prémio surge num momento em que se continua a discutir a circulação da produção literária entre os países de língua portuguesa. Apesar da partilha de um idioma oficial, os mercados editoriais da CPLP funcionam de forma muito desigual. Há autores que escrevem, publicam e circulam com facilidade, enquanto outros continuam limitados por contextos frágeis de edição, distribuição, tradução, mediação literária e acesso ao livro.


Para muitos escritores dos PALOP, de Timor-Leste e das diásporas, o desafio, além da escrita, está também em encontrar editoras, chegar aos leitores, entrar em festivais, atravessar fronteiras e conquistar espaço num circuito literário que ainda tende a concentrar visibilidade em poucos centros de decisão.


Ainda não foram divulgados detalhes sobre o regulamento do prémio, o valor monetário, a periodicidade, o calendário de candidaturas, a composição do júri ou os critérios formais de participação. Para já, a decisão marca sobretudo a intenção política de criar uma plataforma comum de reconhecimento para novas vozes que escrevem em português a partir de geografias, experiências e imaginários muito distintos.


Além do prémio literário, os ministros renovaram o interesse na criação de um Plano Indicativo de Leitura da CPLP, pensado para promover o livro, a leitura e o acesso à informação. A reunião em Díli também abordou a preservação da memória histórica, com destaque para a importância da cooperação cultural no conhecimento crítico da escravatura, do tráfico de pessoas escravizadas e das suas consequências.


No campo do património, os ministros decidiram apoiar as candidaturas do semba angolano e do xibugo moçambicano à lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Foi ainda atribuído à Comissão do Património Cultural da CPLP o mandato para avançar com um inventário do património material e imaterial dos países de língua portuguesa, bem como com a criação de uma base de dados digital.


O audiovisual também entrou nas decisões da reunião, com os pontos focais da Cultura encarregues de trabalhar na criação de uma Rede de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais. A medida aponta para uma maior articulação entre os países da CPLP num sector onde a cooperação pode ser decisiva para produzir, preservar e fazer circular obras.

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