RD Congo regressa ao Mundial 52 anos depois, marca pela primeira vez e empata com Portugal

17 de Junho de 2026
RD Congo Portugal empate copa mundial
©FIFA

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No regresso à competição 52 anos depois, os Leopardos marcaram o primeiro golo da sua história em Mundiais e travaram a seleção portuguesa no Grupo K.


Portugal e República Democrática do Congo empataram a uma bola, esta quarta-feira, 17 de junho, na primeira jornada do Grupo K do Mundial 2026. O jogo, disputado em Houston, começou com vantagem portuguesa, mas terminou marcado por um feito histórico para a seleção congolesa.


A equipa portuguesa entrou melhor e chegou cedo ao golo. Aos seis minutos, João Neves apareceu na área e cabeceou para o 1-0, depois de um cruzamento de Pedro Neto. A vantagem inicial parecia colocar Portugal no controlo da partida, numa estreia em que a seleção portuguesa carregava também a atenção mediática em torno de Cristiano Ronaldo, presente no seu sexto Mundial.


A resposta da RD Congo chegou ainda antes do intervalo. Já nos descontos da primeira parte, Yoane Wissa surgiu ao segundo poste e fez o empate, também de cabeça, após assistência de Arthur Masuaku. O lance fixou o 1-1, mas teve um significado que ultrapassou o resultado. Foi o primeiro golo da República Democrática do Congo na história dos Mundiais.


A última presença congolesa na competição tinha acontecido em 1974, quando o país ainda competia como Zaire. Nessa edição, a seleção tornou-se a primeira equipa da África Subsaariana a disputar um Mundial, mas saiu da prova com três derrotas, diante da Escócia, Jugoslávia e Brasil, sem qualquer golo marcado.


Mais de cinco décadas depois, o cabeceamento de Wissa quebrou esse jejum. Para a RD Congo, o empate frente a Portugal representou não apenas um ponto no Grupo K, mas também a inscrição de um novo capítulo na sua história futebolística.


O momento foi celebrado com o “Fimbu”, dança associada à seleção congolesa e popularizada como celebração de golo. A palavra significa “chicote” em lingala e tornou-se uma marca visual dos Leopardos, juntando futebol, música, identidade e orgulho cultural.


Dentro de campo, Portugal teve mais bola e procurou controlar o jogo, mas encontrou uma RD Congo compacta, física e disciplinada. A equipa congolesa soube resistir à pressão portuguesa e aproveitou uma das oportunidades mais importantes da primeira parte para chegar ao empate.


O encontro também abre espaço para uma leitura que vai para lá do futebol. Portugal e Congo estão ligados por uma relação histórica antiga, iniciada no século XV, quando Diogo Cão chegou à foz do rio Congo, em 1482, e abriu os primeiros contatos portugueses com o antigo Reino do Kongo.


Mais de cinco séculos depois, o reencontro aconteceu dentro das quatro linhas. Portugal entrou como favorito, a RD Congo chegou com a força simbólica de um regresso esperado há 52 anos. No fim, o empate deixou as duas seleções com um ponto, mas foi a equipa congolesa que saiu de Houston com uma marca inédita: o primeiro golo da sua história em Mundiais.

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