Sony Berdiano troca a vulnerabilidade pela sedução em “God Damn”

11 de Setembro de 2026
Sony Berdiano single God Damn
Sony Berdiano | DR

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Sony Berdiano entra na última semana antes de Sony Boy com “God Damn”, novo single disponibilizado esta sexta-feira, 11 de setembro, nas plataformas digitais. A faixa, classificada pela Apple Music dentro do afrobeat, tem pouco mais de dois minutos e chega sete dias antes do lançamento do novo álbum, previsto para 18 de setembro.


Se “Vulnerável”, editado no final de julho com Bbeba, colocava a confiança, a entrega emocional e a fragilidade masculina no centro da escrita, “God Damn” desloca o foco para outro território. Aqui, Sony está menos interessado em baixar a guarda do que em captar o impacto imediato da atração.


É uma mudança de temperatura que o próprio artista já tinha antecipado. Na conversa publicada pela BANTUMEN a 31 de julho, Berdiano descrevia Sony Boy não como uma narrativa linear, mas como uma fotografia de diferentes momentos da sua vida, atravessada por amor, desejo, perda, crescimento, identidade, liberdade e conexão humana. Nessa mesma entrevista, “God Damn” surgia precisamente como uma das faixas de energia mais descontraída do álbum.


A construção de “God Damn” é deliberadamente simples. O título funciona também como principal elemento do refrão e como reação recorrente à pessoa que ocupa a canção: o jeito, o corpo, a postura. Em vez de desenvolver uma narrativa extensa, Sony trabalha a repetição como mecanismo de fixação.


O interesse está também na forma como as línguas convivem dentro desse espaço. Kriolu, inglês e holandês aparecem na mesma canção sem necessidade de tradução ou separação formal. Expressões em holandês entram no mesmo fluxo em que Sony alterna entre Kriolu e inglês.


Não se trata de um detalhe isolado. Na entrevista à BANTUMEN, o músico cabo-verdiano radicado em Portugal explicava que Sony Boy foi pensado para reunir diferentes idiomas, incluindo variantes do Kriolu, português, inglês, espanhol, francês, holandês e suaíli. Para Berdiano, essa circulação linguística não implica diluir a identidade cabo-verdiana para alcançar um público internacional; parte antes da ideia de permitir que essa identidade participe numa conversa musical mais ampla.


“God Damn” talvez seja uma das manifestações mais diretas dessa intenção. As mudanças de idioma não interrompem a canção: fazem parte da sua gramática.


A ficha técnica mantém também uma característica importante deste momento da carreira de Berdiano: a vontade de participar em várias etapas da construção da própria música.


A letra e a produção são assinadas por Sony Berdiano, enquanto 2weeks assume o instrumental. Pedro Slick surge creditado na guitarra. A mistura é dividida entre Rossini Andrade, Sony Berdiano e 2weeks, com Rossini responsável também pela masterização. A faixa tem 2:10 e é enquadrada entre afrobeat e afropop.


Essa distribuição de funções ajuda a perceber uma ideia que Berdiano já havia defendido na BANTUMEN: embora tenha capacidade para escrever, produzir, gravar e pensar a componente visual do seu trabalho, não encara autonomia artística como sinónimo de isolamento. Em Sony Boy, a colaboração surge como extensão da visão autoral, não como perda de controlo sobre ela.


Também aqui há continuidade. 2weeks e Rossini Andrade já estavam envolvidos no processo de “Vulnerável”, enquanto a ficha do álbum mostra os seus nomes repetidamente ao longo das dez faixas que compõem o projeto. Entre os convidados aparecem ainda Bbeba, SPELHØ, Don Pablo e Bama.


A proximidade entre “Vulnerável” e “God Damn” começa, assim, a tornar mais nítido o desenho de Sony Boy.


No primeiro single, Sony questionava o que acontece quando desejo físico e confiança emocional deixam de ser experiências separadas. Em “God Damn”, a questão é mais imediata: a atração aparece como impulso, admiração e presença corporal. O imaginário é leve, sedutor e assumidamente pop.


Mas existe um fio entre as duas músicas. Ambas partem das relações e do corpo, embora observados de ângulos diferentes. Uma procura segurança para permitir a entrega; a outra concentra-se naquele instante em que a presença de alguém basta para suspender qualquer elaboração mais profunda.


É precisamente essa amplitude que pode vir a definir Sony Boy. A ficha técnica apresenta dez canções que passam pelo afrobeat, afropop, R&B, rap e até drill melódico, enquanto títulos como “Come Over”, “Dodu na Bo”, “Linguagem de Amor”, “Free My Soul” e “Body Language” sugerem diferentes formas de aproximação, desejo, intimidade e libertação.


Depois de ter usado “Vulnerável” para apresentar o lado mais exposto desta nova fase, Sony Berdiano escolhe “God Damn” para mostrar que vulnerabilidade não será a única linguagem de Sony Boy. Há espaço também para flirt, movimento, prazer e irreverência.


A uma semana do lançamento, a faixa funciona menos como explicação do álbum do que como mais uma peça do retrato: um Sony Berdiano que continua ligado ao Kriolu e a Cabo Verde, mas que constrói a sua música num espaço onde géneros, geografias e idiomas circulam com cada vez menos fronteiras.


Sony Boy, o novo álbum de Sony Berdiano, tem lançamento marcado para 18 de setembro.

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