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Os angolanos Tomás Camba e Marco Victor estão entre os convidados da edição 2026 do Favela + Rica, iniciativa brasileira dedicada à educação, empreendedorismo e impacto social nas comunidades periféricas. O evento acontece nos dias 26 e 27 de junho, no Rio de Janeiro, e propõe dois dias de programação voltados para a transformação social através do conhecimento, acesso e gestão de oportunidades.
A presença dos dois representantes angolanos reforça uma dimensão cada vez mais relevante nas discussões sobre inovação social e empreendedorismo lusófono: a construção de pontes entre África e Brasil a partir de experiências concretas, circulação de conhecimento e liderança negra contemporânea.
O primeiro dia do evento será dedicado à educação, com a presença de diretores, gestores escolares e professores. A programação inclui apresentações de projetos educacionais implementados em favelas brasileiras, além de um espaço incomum no cenário político do país: pré-candidatos à Presidência irão apresentar propostas para a educação sem formato de debate ou confronto, com transmissão nacional online.
Já o segundo dia será centrado no empreendedorismo comunitário, educação financeira e geração de renda, reunindo empresários, investidores e nomes conhecidos do mercado brasileiro, entre eles Flávio Augusto, Rick Chester e Carlos Wizard Martins.
Segundo a organização, o evento prevê cerca de três mil participantes e estima gerar aproximadamente sete milhões de reais em impacto direto através de benefícios distribuídos aos participantes, programas de formação, consultorias, bolsas, exames médicos, centros tecnológicos e apoio a empreendedores.
Entre os convidados internacionais está Tomás Camba, fundador da Editora Quitanda, projeto editorial criado em São Paulo durante a pandemia e que se tornou referência na publicação de literatura negra e afro-diaspórica no Brasil. Natural do Golf 2, em Luanda, Tomás define-se como “um angolano pelo mundo”. A sua trajetória começou ainda na adolescência, quando passava horas em cybercafés à procura de bolsas de estudo em universidades brasileiras e norte-americanas. Depois de vários recusas, conseguiu uma bolsa parcial numa faculdade brasileira e mudou-se sozinho para o Brasil.
Hoje, o percurso inclui formação em Teologia, Economia e Inovação, mestrado em Arte e Cultura, experiência como professor e uma presença crescente nos setores da educação, tecnologia e inovação. Através da Quitanda, ajudou a ampliar a circulação de autores e narrativas negras no mercado editorial brasileiro, apostando numa combinação entre design, pensamento crítico e conteúdos africanos e afro-diaspóricos.
Nos últimos anos, também passou a atuar em ecossistemas ligados à inovação e startups, ao aproximar iniciativas brasileiras das oportunidades existentes na África lusófona. Em 2025, recebeu o prémio Pontes do Atlântico pelo trabalho de conexão entre educação, negócios e inovação entre Brasil e África.
Para Tomás, a participação no Favela + Rica tem também um significado simbólico ligado à ideia de coletividade africana. “William Douglas perguntou-me se eu gostaria de representar Angola sozinho ou indicar mais um angolano para participar do evento comigo. Poderia transformar aquilo numa conquista apenas pessoal mas acredito profundamente em Ubuntu. Acredito que ninguém vence sozinho”, afirmou.
O segundo nome angolano, escolhido por Tomás, foi Marco Patrice Victor, conhecido pelo trabalho na área de liderança, desenvolvimento pessoal e posicionamento estratégico. Marco afirma que pretende levar ao evento “uma visão prática sobre liderança, disciplina, posicionamento e transformação através do conhecimento”, defendendo que, muitas vezes, o talento existe, mas falta acesso, orientação e desenvolvimento pessoal para que esse potencial se converta em resultados concretos.
O empresário angolano diz ainda que quer contribuir para uma imagem mais contemporânea do continente africano. “Quero levar uma perspectiva africana de crescimento e superação, mostrando uma África contemporânea, criativa, empreendedora e preparada para contribuir para as grandes conversas globais sobre educação, liderança e empreendedorismo”, explicou.
A participação dos dois angolanos acontece num momento em que cresce o interesse por modelos de cooperação Sul-Sul, sobretudo entre África e a América Latina, em áreas ligadas à economia criativa, à educação e à inovação social.
O Favela + Rica também prevê ações sociais ligadas à saúde preventiva, combate à violência contra a mulher e campanhas de doação de medula óssea, reforçando a proposta de combinar formação, assistência e desenvolvimento comunitário num mesmo espaço.
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