Fundada por um guineense em Portugal, a TuduTicket prepara a chegada aos PALOP

29 de Outubro de 2026
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Claúdio Rumal | ©BANTUMEN

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Onze da noite, duzentas pessoas à porta de um recinto e nenhuma rede no telemóvel de quem tem de validar as entradas. É neste cenário, e não no dia em que a venda corre bem, que Cláudio Rumal acredita que uma bilheteira se prova. Foi também a pensar nele que desenvolveu a TuduTicket, uma plataforma de bilhética sediada em Rio de Mouro que lança agora uma aplicação móvel capaz de validar bilhetes sem internet e prepara a expansão para os países africanos de língua portuguesa.


Em atividade desde 2023, a TuduTicket já vendeu bilhetes para mais de 50 eventos, segundo dados avançados à BANTUMEN por Cláudio Rumal. Entre eles estão espetáculos do músico angolano Paulo Flores e da artista guineense Fattu Djakité, radicada em Cabo Verde. A plataforma funciona hoje em Portugal, no Luxemburgo e em França, e pode ser usada noutros países europeus, consoante as condições de cada evento. É nesses três países que se concentra boa parte dos concertos, festivais e encontros promovidos pelas comunidades da diáspora africana, circuito no qual a empresa cresceu.


A aplicação foi aprovada pela Apple a 23 de outubro e está disponível na App Store e na Google Play. A versão para a AppGallery, da Huawei, aguarda aprovação.


Antes do espetáculo, a equipa da entrada descarrega os dados dos bilhetes. A partir daí, os códigos QR podem ser lidos sem ligação à internet e, quando a rede volta, os registos são sincronizados com a plataforma. Cada código só pode ser usado uma vez, o que impede a reutilização de bilhetes. A solução responde a um problema conhecido de quem organiza eventos: falhas de rede, recintos sem cobertura ou redes congestionadas por centenas de telemóveis ligados ao mesmo tempo. “Construímos isto a pensar em quem está à porta de um recinto às onze da noite, sem rede, com duzentas pessoas à espera. É aí que uma bilheteira se prova, não no dia em que a venda corre bem”, explica Cláudio Rumal.

“É aí que uma bilheteira se prova, não no dia em que a venda corre bem"

Cláudio Rumal

A plataforma serve também eventos gratuitos, em que o desafio não é vender, mas controlar a lotação. Cláudio Rumal dá o exemplo de uma cerimónia para mil pessoas. Mesmo com entrada livre, o organizador pode partilhar um link de inscrição, atribuir bilhetes digitais e garantir que o número de entradas não ultrapassa a capacidade do espaço, sabendo de antemão quantas pessoas esperar. Para os promotores, a TuduTicket reúne ainda o acompanhamento das vendas, a criação de descontos e a gestão financeira do evento, incluindo despesas, patrocínios e receitas obtidas fora da plataforma. Do lado do público, os bilhetes ficam guardados no telemóvel e podem ser transferidos para outra pessoa. A aplicação inclui também um diretório de rádios lusófonas, que liga a descoberta de música à ida aos concertos.


A expansão para os países africanos de língua portuguesa é a prioridade seguinte, e começa pela Guiné-Bissau. A empresa já assinou um contrato para integrar a Orange Money, serviço de pagamentos móveis usado em vários países africanos, mas a ativação depende ainda de procedimentos locais e da disponibilização da API, a interface técnica que liga os dois sistemas. Cláudio Rumal prevê deslocar-se ao país para concluir o processo. Angola também está nos planos, embora a empresa ainda estude as condições para avançar com uma solução semelhante.


A ideia, explica o fundador, é chegar a todos os PALOP de forma faseada, adaptando a plataforma às regras fiscais, às moedas e aos hábitos de pagamento de cada mercado, em vez de copiar os modelos europeus. A aplicação está disponível em português, inglês, francês e espanhol. A entrada na Guiné-Bissau, o primeiro teste dessa estratégia, depende agora da ativação dos pagamentos por Orange Money.


A TuduTicket pode ser consultada em tuduticket.com, e a aplicação está disponível para iOS e Android.

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