Marcas por escrever
Contactos
Pesquisa
Pesquisar
Pesquisa

Partilhar
X
Antes de falar do presente e para compreendermos melhor esta análise, é preciso recuar um pouco no tempo.
Nasci pouco antes dos anos 2000 e acompanhei, desde cedo, o crescimento do entretenimento televisivo produzido pela SEMBA Comunicação, uma das produtoras mais influentes de Angola, fundada em 2006 e responsável por modernizar a televisão nacional.
Naquela altura, as nossas referências jovens, como Alexandre Dala, Lucênya Gomes, Benvindo Magalhães, Henesse Cacoma e Edivânia do Carmo, entre outros, eram profissionais emergentes, mas já revelavam inteligência, maturidade profissional, domínio sólido da língua portuguesa e uma postura exemplar diante das câmaras e da sociedade. Anos mais tarde, surgia o ZAP VIVA e, com ele, uma nova geração de comunicadores liderada e formada por pessoas como Daniel Nascimento, um dos nomes por trás da conceção, desenvolvimento e consolidação da identidade do canal.
Era um tempo em que a televisão era mais levada a sério. O entretenimento não se resumia à diversão; acrescentava valor cultural, académico e até científico. Assistia-se para rir, mas também para aprender. É aquilo que hoje entendemos por infotainment: um estilo que combina notícias, factos ou conteúdos informativos com a componente de entretenimento. E cada programa carregava um compromisso implícito com a qualidade, com a informação e com a cultura. É importante lembrar que a televisão é um agente social e cultural. Mesmo nos momentos de lazer, deveria informar, formar referências e contribuir para o pensamento crítico.
Hoje, contudo, parte desse cuidado parece ter-se perdido. A televisão, em algumas situações, funciona ao acaso. Tudo passa, tudo serve, qualquer pessoa pode fazer e qualquer linguagem vale. Observa-se menos preocupação com o rigor da comunicação e com a responsabilidade que a exposição televisiva exige. Há, sem dúvida, uma nova geração cheia de energia, de talento e isso é positivo. Mas sem referências neste meio, experiência e acompanhamento de profissionais mais antigos, a energia pode virar improviso permanente. E o improviso permanente raramente produz consistência.
O que falta, então? Talvez mais rigor, mais intenção, mais cultura e mais profissionais experientes ao lado dos novos. A televisão cresce quando o talento jovem caminha com bons exemplos. Poucas TVs em Angola oferecem oportunidades estruturadas para novos talentos. Muitas vezes, o acesso é pontual e quem entra aprende na prática, mas nem sempre de forma orientada. Abrir portas é essencial, mas fazê-lo com método é ainda mais importante.
No fim, a base determina o topo. Se quisermos uma televisão de entretenimento mais forte, relevante e responsável, é hora de repensar critérios, formação e visão de longo prazo. A televisão angolana continua a ter talento, criatividade e público. O desafio agora é fazer desta nova fase um caminho construído com memória, exigência e propósito.
Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.
Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.
Recomendações
Marcas por escrever
Contactos