Uma bienal sobre fronteiras num tempo em que a Europa se fecha

25 de Maio de 2026
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Sinho

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Viseu está a discutir fronteiras através da arte e da imigração na bienal “What’s Beyond That Border?” Até 31 de maio, a cidade transforma-se num espaço de encontro entre arte, migração, memória e comunidade com a primeira edição da bienal “What’s Beyond That Border?”, iniciativa integrada no projeto CLDS 5G Viseu Plural e com direção artística do coreógrafo romeno Romulus Neagu.


Mais do que um festival tradicional, a bienal ocupa escadarias, ruas, escolas e espaços públicos da cidade para discutir aquilo que normalmente fica fora da programação cultural dominante: imigração pós-colonial, racismo, pertença, identidade e convivência intercultural.


A proposta parte de uma ideia simples, mas politicamente relevante: não falar “sobre” imigração, mas criar espaço para falar “com” as comunidades migrantes que vivem em Viseu. A cidade, que nos últimos anos recebeu populações de várias nacionalidades, torna-se aqui palco de conversas que cruzam arte contemporânea, intervenção social e experiências de vida.


Desde o arranque da programação, a bienal já reuniu mais de 1500 estudantes em oficinas artísticas ligadas a temas como deslocação, memória, identidade e futuro. Entre as atividades desenvolvidas nas escolas estiveram as oficinas “Viagens”, orientada por Cláudia Sousa, e “Futuro EU”, conduzida pelo artista argentino Tavo Iván, que desafiaram crianças e jovens a pensar o território, o corpo e o pertencimento através da criação artística.


A abertura oficial aconteceu com a exposição “From Rússia”, da artista Vanessa Chrystie, centrada no impacto da guerra da Ucrânia nas rotas migratórias das aves, estabelecendo paralelos entre deslocação forçada, sobrevivência e fronteiras.


Nos próximos dias, a programação continua a aprofundar os cruzamentos entre música, imigração e comunidade. A 29 de maio acontece “Vozes sem Fronteiras”, conferência realizada em parceria com a Associação PROVISEU e o Conservatório Regional de Música Dr. Azeredo Perdigão, numa homenagem à cantora viseense Elizette Bayan.


Entre 29 e 31 de maio, José Baessa Pina (Sinho) desenvolve uma residência artística com alunos do conservatório, explorando diálogos entre música clássica e sonoridades urbanas, num projeto que contará também com a participação do MC Goya, artista ligado ao bairro das Fontainhas, em Lisboa.


O encerramento da bienal acontece no dia 31 de maio com “Arte sem Fronteiras”, espetáculo que junta estudantes do conservatório a artistas de diferentes linguagens musicais, fechando uma programação construída a partir da ideia de circulação, encontro e convivência.


A primeira edição envolve artistas e participantes de mais de 12 nacionalidades e afirma-se como uma das experiências culturais mais incomuns a acontecer atualmente fora dos grandes centros urbanos portugueses.

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