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O jornalista da BANTUMEN e apresentador de TV Wilds Gomes lança o seu primeiro livro, A Girafa do Noah, uma obra dirigida ao público infantojuvenil que assinala a sua entrada no universo literário e alarga o campo de atuação de um percurso até agora centrado na comunicação e na construção de narrativas audiovisuais. O livro já está disponível nas livrarias e a apresentação ao público tem lugar no dia 1 de março, pelas 14:00 horas, na Livraria Menina e Moça. A entrada é aberta ao público em geral e a inscrição pode ser feita através do link.
Publicado pela Flamingo Edições e ilustrado por Ana Marta Huffstot, o livro propõe uma história de amizade e perda a partir da relação entre Noah e a sua inseparável Girafa Amarela. Quando essa presença desaparece, a narrativa acompanha o processo emocional do protagonista, atravessado por sentimentos como tristeza, medo e descoberta interior, num registo contido que convoca temas como a saudade, a resiliência e a capacidade de seguir em frente.
Nascido em São Tomé e Príncipe e residente em Portugal desde a infância, Wilds Gomes tem desenvolvido um percurso ligado à comunicação e ao jornalismo, com particular atenção às histórias que emergem dos contextos culturais dos países africanos de língua portuguesa. Em declarações à BANTUMEN, o agora autor explica que a génese da história nasceu de forma intuitiva, a partir do quotidiano familiar. “Inicialmente, enquanto escrevia várias histórias para os meus filhos, o único objetivo era que cada uma tivesse um ensinamento.” No caso de A Girafa do Noah, esse processo ganhou forma a partir da rotina real do filho e da relação com objetos afetivos que se perdem ou se transformam ao longo do tempo.
“Aprendemos muito com as crianças. A curiosidade do mundo e a inocência que têm ajudam-nos a compreender melhor as coisas”
Wilds Gomes

©Gonçalo Chaves

©Gonçalo Chaves
A relação entre Noah e a girafa funciona como um suporte emocional silencioso e, para o autor, esse vínculo simbólico representa um espaço interno onde habitam pensamentos e sentimentos, num exercício que ajuda a distinguir o valor emocional dos objetos da sua natureza material. “É necessário que as crianças percebam isso desde tenra idade”, sublinha, apontando a educação emocional como um processo que começa precisamente na forma como se aprende a lidar com a ausência.
O ponto de viragem da narrativa nasce dessa ausência e de uma reflexão mais ampla sobre a maneira como as crianças são ensinadas a lidar com a perda. Gomes considera que, desde cedo, perder é apresentado como algo exclusivamente negativo, quando pode também constituir um espaço de aprendizagem. “A ausência faz crescer e faz com que preenchamos esse vazio com algo.” O processo, observa, está ligado à construção da maturidade emocional e à responsabilidade dos pais em acompanhar esse percurso desde cedo.
Em A Girafa do Noah, o texto assume uma escrita contida e acessível, pensada para crianças a partir dos cinco anos — com o objetivo de incentivar a leitura partilhada em contexto familiar — e, em particular, para leitores a partir dos sete anos, permitindo leituras cruzadas entre diferentes idades. A articulação entre palavra e imagem desempenha um papel central, com as ilustrações a ampliarem o universo emocional da história e a acompanharem o percurso interno da personagem principal.
Questionado sobre a abordagem emocional do livro, o autor rejeita a ideia de uma construção excessivamente programada. O processo de escrita foi fluido e sem pressa, marcado pela escuta e pela partilha gradual com os filhos, num exercício que lhe permitiu observar mais de perto o modo como as crianças interpretam o mundo. Para Wilds Gomes, a literatura infantil ocupa um lugar central na aprendizagem emocional, não só das crianças, mas também dos adultos que leem com elas. A curiosidade e a inocência próprias da infância, afirma, ajudam a reposicionar o olhar adulto sobre a realidade.
Embora seja uma história íntima, o percurso de Noah não acontece em total isolamento. A presença dos outros surge como elemento essencial na travessia dos momentos de fragilidade, num convite à empatia, à escuta e à importância de pedir ajuda. É também essa dimensão relacional que o autor gostaria de ver prolongada para lá da leitura, tanto em contexto familiar como escolar, através de conversas sobre cuidado mútuo, consciência emocional e a ideia de que o amor pode amparar.
Para Wilds Gomes, A Girafa do Noah devolveu-lhe, enquanto autor e enquanto pessoa, uma relação ainda mais próxima com os filhos e o desejo de continuar a escrever. “Vontade de pintar um mundo melhor”, resume, numa convicção que acredita poder começar nos gestos e narrativas mais simples.
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