“No bai nos seis na tres carro
Cu garrafa de ponche na lado
tá fuma charuto cubano nu sta dodo, nu sta dodo”

E quem não se lembra desse refrão de “Rola Dodo” de Da Blazz que por tantos anos tocou em várias discotecas, festas nos bairros, mp3’s e nos carros? Ah pois é… o tempo não espera por ninguém, e com isto já se passaram aproximadamente 12 anos.

Da Blazz, TWA (Primero G e Lord G) e Nigga Poison foram os pioneiros do rap crioulo. Dos primeiros a pôr a sua música em CDs e divulgar o seu trabalho para todos as colunas de Portugal, principalmente para os jovens da comunidade cabo-verdiana.

Segundo os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), as estatísticas mostram que em 2007 residiam em Portugal cerca de 63 mil cabo-verdianos ou descendentes, e a maior parte nas periferias de Lisboa. Ou seja, já nessa altura o crioulo era muito falado à volta de Lisboa e nos bairros sociais, onde a histórias se construíam em versos e barras.

Da margem Sul à linha de Sintra, do centro de Lisboa à linha da Azambuja, o boom bap era o que ecoava nas fones e os novos rappers emergiam como se não houvesse amanhã. Nigga Fuz, Sebeyks, Chullage, Celso OPP, Beto Di Ghetto, Klicklau, Ghoya, Tchapo, Landim eram os nomes que mais se ouviam e falavam nas ruas, onde as batalhas de beatbox e freestyles aconteciam.

Rap Crioulo
Beto di Ghetto

Qual o melhor rapper? Era a pergunta de todas as discussões sobre o rap crioulo desde os anos ’90. Em 2018 a pergunta ainda se mantém. A música que vem dos bairros deixou de ser underground, agora é consumida por todos e o que antes não rendia, provavelmente, nem um cêntimo, é hoje o ganha pão principal dos novos rappers.

Apesar da base do rap ser a mesma, o estilo foi-se alterando com o passar dos anos, deu lugar a bpms mais acelerados, a uma métrica mais arrojada, e diversas formas de fazer rap, um beat mais mexido, com uma mistura de afro-house e trap, que acabou por dar lugar a um novo estilo, o afro-trap.

Vado Más Ki Ás
Vado Más Ki Ás | imagem instagram : @_cr.photo

Assim, fomos vendo surgir novos rappers, entre eles: Loreta KBA, Baby Dog, Vado Mas Ki Ás, Ne Jah, Puto G, Rafa G, Apollo G, Hélio Batalha, entre muitos outros. As mulheres também fincam o seu pé num estilo ainda dominado pelo sexo oposto, como: Blacka (cujos primeiros passos foram dados no rap), Teresona Mendes (Tzona), Mynda Guevara, entre outras.

De forma cronológica vê abaixo como o rap crioulo evoluiu para aquilo que conhecemos hoje:

O rap crioulo veio para ficar, e pelos bpms parece que a evolução será constante. Como a rapper Mynda Guevara disse: “O amor à camisola, força, foco e fé, nessa batalha que chamam de R.A.P”