O nome Pongo Love não é estranho ao panorama musical mundial, os Buraka Som Sistema levaram o seu kuduro progressivo e com uma roupagem nova aos quatro cantos do mundo. E foi com o single Kalemba (Wegue Wegue) que em 2008 o mundo deu conta do talento de Pongo.

O kuduro que a artista cantava no grupo já era avançado para aquela altura, mas entretanto, os avanços tecnológicos e instrumentais permitiram introduzir novos elementos ao kuduro, dando-lhe uma sonoridade que, por vezes, se aproxima do rap e do afro-house, uma composição de estilos e sons novos.

Em palco é elétrica, canta, dança e interage com o seu público. Agora, a solo, Pongo veio dar um novo sentido à música que faz, o seu kuduro próprio. Para começar, o seu visual  posiciona-a num pedestal femininamente poderoso. O seu cabelo curto agoura-nos o seu caracter arrojado. A boina militar dá-nos a verticalidade do combate que tem travado para levar a sua carreira à internacionalização.

“Diva do Neo-kuduro”, epíteto dado pelo canal de música Trace, é justo e percebemos o porquê após ouvirmos o seu mais recente EP Baia, que já está disponivel em todas as plataformas digitais. O trabalho conta com cinco temas. Todos eles com um toque pessoal, intrépido e com muita história que nos remete ao kuduro feito em Angola, com artistas como Fofandó, Noite e Dia, entre outros.

A carga eletrónica das suas músicas atravessam os seus videoclipes, que dão ao kuduro uma fardagem muito diferente daquela a que estamos habituados. Nas suas letras ouvimos superação, luta em busca de algo melhor e como conseguir tê-lo. Baia é também o nome da primeira faixa, cujo videoclipe foi disponibilizado um dia antes do lançamento do disco, e que fala do seu percurso.

“Baia é sobre como às vezes tu tens que enfrentar coisas difíceis e tens que passar para encontrar algo melhor depois. Eu queria falar sobre o meu passado e todos os problemas que tive que enfrentar na minha vida pessoal e musical e também sobre como todas essas coisas me fortaleceram. Baia é uma expressão usada para chamar a atenção das pessoas, eu queria dizer algo como “Ei, olha onde estou agora”. É uma música cheia de energia e não algo negativo, é para todas as mulheres fortes do mundo”, disse Pongo a um canal de comunicação.

Baia baseia-se na sua vida e luta, ao ouvirmos parece que estamos a percorrer as ruas do Candonga em Angola, onde tudo começou – as faixas cambaleiam ora num ritmo acelerado ora num ritmo mais calmo, com trompetes e percussões que entram pelo ouvido adentro sem pedir licença, assim como os gritos de liberdade de Pongo.

É um kuduro futurista e contagiante. Ouve abaixo esta nova aventura de Pongo.