As músicas e as suas particularidades e singularidades. Há tantas formas de fazer música e cativar quem as ouve, de encantar, fazer chorar e sorrir de um momento para outro sem uma simples razão.

Benjamin Clementine poeta e compositor, começou descalço sobre o palco, com um fato azul que parecia saído de um filme dos anos 1970. O blazer era curto (um/dois centímetros acima da cintura) e as calças justas e largas após os joelhos.

O cenário do palco era intimista, misterioso e ao mesmo tempo convidativo, com manequins femininas, incluido uma grávida, e a banda vestida com fatos de operários. O piano era a peça central do palco.

Benjamin Clementine | Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

Começa a primeira música, “Ave Dreamer”, que dá seguimento a um espectáculo no seu todo. Ana Moura foi chamada ao palco como convidada surpresa de Clementine e juntos cantaram em sorrisos “I Won’t Complain”, o brilho de ambos contagiou as câmaras dos telefones que estavam prontas para captar talvez um momento único entre ambos.

O concerto foi feito de momentos, momentos certos, para cantar, para falar com o público e até mesmo para dançar. Houve espaço e tempo para cantar os álbuns: At Least For Now de 2015 e I Tell a Fly de 2017

Em uníssono, Benjamin pediu ao público que cantasse com ele, “Am sending my condolence / Am sending my condolence to fear/ Am sending my condolence/ Am sending my condolence to insecurities” [Envio as minhas condolências / Envio as minhas condolências para o medo /Envio as minhas condolências / Envio as minhas condolências para a insegurança], em homenagem a uma pessoa amiga, que morreu de cancro.

Benjamin Clementine | Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

Silêncio… pediu Benjamin, mais que uma vez. Queria silêncio para poder cantar e fazer-se ouvir, encher as almas e os corações dos ouvintes, que respeitaram o seu desejo e depois cantaram com ele outros temas do repertório como: “More Books”, “Cornerstone” e “Jupiter”.

As vozes gritavam mais alto à medida que o concerto chegava ao fim, aliás, a essa altura já não era um concerto mas sim um musical. Com um ar alegre e acolhedor, juntamente com banda correu para perto do público cantando juntamente com eles “Adios”, um por um.

Benjamin Clementine | Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

“Eu vou-me lembrar de Portugal para sempre!”, frase por Benjamin Clementine que aparecia nas telas do palco, como forma de despedida a um país que já conhece e ao qual mostrou um afecto especial.