Bird Box é um filme original da Netflix, baseado num livro com o mesmo nome lançado em 2014, por Josh Malerman. O filme, realizado pela dinamarquesa Susanne Bier (Serena 2013), foi lançado no dia 13 de dezembro nos Estados Unidos.

A história centra-se no mundo apocalíptico dominado por uma epidemia desconhecida, que se alastrou pelo mundo. A personagem principal é Mallorie, interpretada por Sandra Bullock. Mallorie é uma artista plástica que vive para a arte, por esse motivo ela isola-se no seu atelier durante dias a fio, sem contacto com o mundo exterior. Esse isolamento só é quebrado quando a irmã (Sarah Paulson), preocupada, vai visitá-la. Depois do caos instalado nas ruas, Mallorie vê-se abrigada numa casa, por um grupo de sobreviventes.

Apesar de não ter lido o livro que inspirou o filme, mas lendo a sinopse e logo a seguir ver o filme, facilmente consegui chegar à conclusão que o filme promete, mais do que aquilo que entrega, mas como destaque coloco o elenco. A interpretação dos atores esteve muito boa, e não podia ser diferente com nomes como John Malkovich no elenco. No entanto, o filme tem alguns problemas, ligados ao próprio guião e alguns pequenos detalhes ligados à realização. Sabem quando se diz, “há coisas que levam tempo?”, temos algo parecido no cinema.

O filme não nos dá tempo para criarmos empatia pelas personagens, à exceção da Mallorie e do Tom (Trevonte Rhodes), a nossa relação com a maioria das personagens é muito crua, o que dá a ideia que essas personagens estão ali apenas por estar, inclusive as duas crianças, sentimos empatia por elas por serem crianças, não pelo que interpretam no filme. Nesta questão, ficou um pouco aquém do esperado, sim, sabemos que são crianças a representar, mas já vimos por aí crianças da mesma idade a representar como gente grande, mas a culpa não deve recair sobre elas, a realização é que tem o papel de escolher com que atores vai trabalhar e depois dessa escolha o objetivo é extrair o máximo possível do ator, trabalho que não se fez com estas personagens.

O filme, mesmo tendo duas horas, não foi suficientemente eficaz a cativar o espectador, ou seja, erro de guião, isso me faz acreditar que resultaria melhor como série, com mais calma, com tempo para desenvolver cada personagem, criar empatia, criar mais intensidade. Outro problema são as personagens cliché. Um grupo de pessoas, todas com características diferentes, que se vêem presos dentro de um local… onde é que já vimos isso? E no meio desse grupo há sempre um deles mais medroso… que é quase sempre negro, também já vimos disso. O casal jovem que se apaixona ali e são apanhados a fazer sexo em locais inusitados, também é déjà vu. Os clichés são bons, desde que saibamos jogar com eles.

A realização foi pouco intensa, temos algumas boas sequências de ação, a música também ajudou, mas acho que faltou transmitir a falta de visão do personagem ao expectador. O filme podia ter usado a “cegueira” da personagem a seu favor, porque a falta de um dos quatro sentidos no ser humano aguça os restantes sentidos.